PR1: A Travessia do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo
Picos das montanhas

PR1: A Travessia do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo

Resposta rápida

Qual é a dificuldade do PR1, do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo?

O PR1 tem cerca de 7km num só sentido e demora entre 3 a 4 horas, com três túneis sem iluminação, quedas desprotegidas e escadarias íngremes em basalto acima dos 1.800m. Está classificado como difícil, não moderado, e é frequentemente subestimado por caminhantes que chegam sem lanterna, água ou previsão do tempo verificada.

O que é, na realidade, a Vereda do Arieiro

O PR1 é o trilho que a Madeira coloca em todos os postais e em todos os arrependimentos. Oficialmente designado Vereda do Arieiro, percorre cerca de 7km num só sentido entre dois dos três pontos mais altos da ilha: o Pico do Arieiro, a 1.818m, o único cume a que uma estrada realmente chega, e o Pico Ruivo, a 1.862m, o verdadeiro teto da ilha, acessível apenas a pé.

Pelo caminho, contorna o Pico das Torres, a 1.851m, sem chegar propriamente ao seu cume, atravessa três túneis sem iluminação abertos diretamente na rocha da montanha, e sobe uma série de escadarias de pedra talhadas em basalto, com apenas um muro baixo, ou por vezes nada, entre o caminho e várias centenas de metros de ar aberto.

Não é a caminhada de levada que preenche a maioria das brochuras da Madeira. Aqui não há canal de água, nem inclinação suave, nem sombra. É um trilho de crista de montanha, e deve ser planeado como tal.

Dificuldade, sem rodeios

A maioria da sinalização dos trilhos e das listagens de tours classifica o PR1 como difícil, e essa classificação é merecida, não exagerada. A distância em si, cerca de 7km em cada sentido, não é notável. O que o torna difícil é a combinação de altitude acima dos 1.800m, um piso genuinamente irregular e muitas vezes molhado, quedas expostas com proteção mínima, três troços de túnel completamente escuros, e um clima que muda mais depressa aqui do que em quase qualquer outro ponto da ilha.

Conte com 3 a 4 horas para percorrer o trajeto num só sentido a um ritmo constante, aproximando-se das 4 a 5 horas com um grupo, crianças ou paragens frequentes para fotografias. Não é um trilho para apressar, nem para subestimar só porque a distância total parece modesta num mapa. Leia o clima na montanha e o que vestir antes de escolher uma data e, se os túneis ou a exposição em altura forem uma preocupação, consulte primeiro segurança em levadas, túneis e vertigem, já que a exposição do PR1 é mais séria do que qualquer coisa encontrada numa levada normal.

O PR1 não é adequado para crianças pequenas, para quem tem medo de alturas ainda não testado num terreno comparável, ou para quem planeia percorrê-lo sem lanterna, sem água ou sem verificar a previsão do tempo nessa manhã. É, provavelmente, a caminhada mais subestimada da ilha, precisamente porque o seu primeiro quilómetro, junto ao parque de estacionamento, é pavimentado e fácil, o que leva as pessoas a pensar que o resto será igual. Não é.

Reservas e a taxa do trilho

Desde 1 de agosto de 2021, o PR1 exige reserva online e o pagamento de uma taxa, atualmente cerca de 3 euros por pessoa, por trilho, por dia. A reserva faz-se antecipadamente em simplifica.madeira.gov.pt e é verificada num posto de controlo perto do início, junto ao Pico do Arieiro. É fácil passar completamente ao lado desta exigência se estiver a seguir um guia ou artigo de blogue mais antigo, e aparecer sem reserva pode significar ser barrado na barreira. Todos os detalhes sobre o funcionamento do sistema, e sobre quais os trilhos abrangidos, estão em taxas e licenças de trilhos.

Reserve para a data e janela horária específicas em que pretende caminhar, e deixe alguma margem: o clima na montanha, a 1.800m, pode mudar o plano sem aviso prévio, e o serviço florestal da Madeira (IFCN) fecha o PR1 por completo após chuva forte ou deslizamentos de terras, sobretudo nos troços de crista mais expostos. Verificar o estado atual do trilho na noite anterior, e não apenas a previsão do tempo, vale bem os dois minutos que demora.

O percurso, passo a passo

Do Pico do Arieiro ao primeiro túnel

A caminhada começa no parque de estacionamento junto ao Pico do Arieiro, a 1.818m, onde um troço pavimentado e com corrimão conduz aos primeiros miradouros. Este trecho inicial é a única parte do PR1 que se assemelha a um passeio fácil, e é também onde a maioria dos visitantes de um dia dá a volta. Para lá das plataformas dos miradouros, o piso muda: o pavimento dá lugar a degraus de pedra, o corrimão desaparece em alguns pontos, e o trilho começa a descer e a subir ao longo de uma crista estreita, com os vales de aspeto de cratera do interior a abrirem-se de ambos os lados.

Os túneis

O PR1 atravessa três túneis abertos diretamente na rocha da montanha, sem iluminação e com piso irregular, por vezes húmido. Nenhum deles é longo o suficiente para nos perdermos, mas todos são suficientemente escuros para que a luz de um telemóvel seja um mau substituto de uma verdadeira lanterna de cabeça, que deixa ambas as mãos livres para os degraus e cabos junto às entradas dos túneis. Caminhar sem uma fonte de luz é um dos arrependimentos mais comuns relatados por quem faz o trilho pela primeira vez, e é totalmente evitável com uma pequena lanterna transportada num bolso.

O Pico das Torres e a crista central

Entre os túneis, o trilho contorna a encosta do Pico das Torres, a 1.851m o segundo ponto mais alto da travessia, sem um ramal marcado até ao seu cume propriamente dito. Este troço central é a parte mais exposta do PR1: um caminho de crista estreito com escadarias talhadas em basalto, corrimãos de ferro nos troços mais íngremes, e vistas longas simultaneamente sobre os lados norte e sul da ilha num dia claro. É também onde as nuvens sobem mais depressa, já que esta crista se situa exatamente na fronteira onde as massas de ar mais húmidas do norte encontram as mais secas do sul.

A subida final até ao Pico Ruivo

Depois do terceiro túnel, o trilho inicia a sua ascensão final em direção ao Pico Ruivo. Esta última subida é curta mas íngreme, terminando no ponto mais alto da Madeira, junto a um pequeno refúgio onde muitos caminhantes param para comer antes de voltarem pelo mesmo caminho ou continuarem pela descida mais curta até à Achada do Teixeira. Essa descida alternativa, com cerca de 2,8km em vez dos 7km, é tratada em separado em o percurso curto até ao Pico Ruivo e vale a pena conhecer mesmo que não pretenda utilizá-la, já que é a forma habitual de encurtar o regresso caso o tempo ou a energia comecem a faltar.

Os troços do trilho, num relance

TroçoDistância aproximadaO que esperar
Parque do Arieiro aos primeiros miradouros0,5kmPavimentado, com corrimão, fácil
Miradouros ao primeiro túnel1kmDegraus de pedra, começa a exposição de crista
Três túneis (combinados)0,3kmSem iluminação, piso irregular, lanterna de cabeça necessária
Encosta do Pico das Torres2kmCrista estreita, escadarias, troço mais exposto
Subida final até ao Pico Ruivo1,5kmÍngreme, curta, termina no refúgio
Pico Ruivo à Achada do Teixeira (opcional)2,8kmDescida alternativa mais curta, parque de estacionamento diferente

O que levar

Uma lanterna de cabeça não é opcional; trate-a como equipamento de trilho e não como um extra. Além disso: pelo menos um litro de água por pessoa, já que não há nenhuma fonte ao longo da crista, camadas de roupa para uma variação de temperatura que pode exceder os 15°C entre o cume exposto e os vales abrigados, calçado resistente com boa aderência em vez de sapatilhas, e um telemóvel totalmente carregado guardado para emergências e não para fotografia.

Como o Pico do Arieiro se situa acima dos 1.800m, as manhãs podem ficar próximas do gelo mesmo quando o Funchal está agradavelmente ameno; consulte o que levar na mala para a Madeira para uma lista mais completa, adaptada à amplitude térmica da ilha entre a montanha e a costa.

Clima e melhor altura para ir

As nuvens sobre as montanhas centrais acumulam-se ao longo da manhã na maioria dos dias, o que é uma das razões pelas quais as saídas ao nascer do sol no Pico do Arieiro são populares para fotografia, mas não tanto para o PR1 em si; este guia não aborda deliberadamente essa experiência de nascer do sol em separado, que tem o seu próprio guia dedicado. Para a travessia completa, um início cedo mas não antes do amanhecer, com o objetivo de estar a caminhar a meio da manhã, tende a oferecer o melhor equilíbrio entre luz e visibilidade antes de a nuvem da tarde se instalar na crista.

Nunca planeie o PR1 com base numa única previsão para toda a ilha. O Funchal, na costa, pode marcar 24°C enquanto os cumes estão próximos do gelo e envoltos em nuvem, e as duas situações existem no mesmo dia sem contradição. Verifique as condições especificamente para o maciço Arieiro-Ruivo, e não a previsão geral do Funchal, e esteja preparado para adiar se a previsão para a montanha parecer má mesmo que a da costa pareça boa.

Como chegar e voltar

O PR1 é um trilho linear entre dois parques de estacionamento diferentes, não um circuito, o que constitui a principal dificuldade logística. A maioria dos caminhantes organiza um táxi para os apanhar na Achada do Teixeira (se continuarem para além do Pico Ruivo) ou no próprio parque de estacionamento do Pico Ruivo, ou junta-se a uma caminhada organizada que trata dos transfers em ambas as pontas. Conduzir por conta própria é possível se conseguir coordenar um segundo veículo ou uma recolha, embora um carro alugado sozinho o deixe a precisar de voltar a pé pelo mesmo caminho, a menos que o transporte esteja pré-organizado.

Para quem preferir não gerir licenças, túneis e transfers sozinho, uma opção guiada elimina a maior parte do planeamento:

uma caminhada guiada pelas escadarias do Arieiro até aos miradouros escondidos ao longo desta crista

, ou

uma combinação guiada mais longa que liga Santana aos trilhos PR1 e PR12 em torno do Ruivo e do Arieiro

para quem quiser conhecer mais do maciço envolvente num único dia.

Se a altitude, a exposição ou os túneis do PR1 forem mais do que aquilo que pretende enfrentar, mas ainda assim quiser experimentar um pouco das montanhas altas da Madeira, o Ribeiro Frio e o curto passeio até ao miradouro dos Balcões oferecem uma introdução bem mais suave ao mesmo maciço, ou considere

uma caminhada guiada de dia inteiro a partir do Ribeiro Frio em direção à Portela

como alternativa a uma altitude mais baixa mas com uma sensação de escala semelhante.

Planear a sua viagem em torno do PR1

Se o PR1 for o ponto alto de uma estadia mais longa, encaixa naturalmente num itinerário dedicado a caminhadas, como a semana de caminhadas na Madeira, programado com um dia de reserva de cada lado, caso seja necessário adiar por causa do tempo. Vale também a pena ler erros a evitar numa viagem à Madeira antes de partir, já que subestimar trilhos de montanha é um dos erros mais comuns e mais fáceis de evitar.

Para quem está a ponderar caminhar com um guia ou gerir sozinho o sistema de licenças e os transfers, ambas as opções são tratadas com honestidade nos guias de planeamento do site, e qualquer uma delas é uma escolha razoável depois de contabilizada a taxa do trilho, os túneis e a logística dos transfers.

PR1 Arieiro a Ruivo: perguntas frequentes

O PR1 é o mesmo trilho do passeio ao nascer do sol no Pico do Arieiro?

Partilham o mesmo ponto de partida, mas são experiências diferentes. O passeio ao nascer do sol é normalmente um curto percurso de ida e volta junto aos miradouros perto do parque de estacionamento, ao amanhecer, enquanto o PR1 é a travessia completa de 7km até ao Pico Ruivo, feita de dia por questões de segurança e de vista.

Preciso de reservar algo antes de fazer o PR1?

Sim. Desde agosto de 2021, os trilhos PR oficiais, incluindo o PR1, exigem reserva online e o pagamento de uma pequena taxa por pessoa, verificada num posto de controlo perto do início. Reservar um horário com um ou dois dias de antecedência é prática normal na época alta.

Posso fazer o PR1 de sapatilhas?

Não é recomendado. O percurso inclui degraus de basalto molhados e irregulares, pisos de túnel e troços expostos sem corrimão, e uma boa aderência e apoio de tornozelo importam muito mais aqui do que numa levada plana.

Quanto tempo demora, na prática, a travessia do PR1?

A maioria dos caminhantes em boa forma e sem entraves demora entre 3 a 4 horas num só sentido, mais paragens para fotografias. Acrescente tempo se estiver a caminhar com crianças, a transportar mochilas pesadas ou a continuar para além do Pico Ruivo até à Achada do Teixeira.

O PR1 é de ida e volta ou circular?

É um trilho linear, entre dois pontos, com parques de estacionamento diferentes em cada extremo, pelo que a maioria das pessoas organiza um transfer de táxi entre as duas pontas ou junta-se a um tour que trata da logística.

O que acontece se o trilho estiver fechado?

O serviço florestal da Madeira fecha os trilhos PR após chuva forte, deslizamentos de terras ou vento forte, e os troços de crista mais expostos do PR1 são os primeiros a fechar. Verifique sempre o estado atual antes de subir de carro, já que um trilho fechado não pode ser contornado no posto de controlo.

Os túneis do PR1 são perigosos?

Não são tecnicamente difíceis, mas não têm iluminação, têm piso irregular e são desorientadores sem lanterna. Uma lanterna de cabeça, e não a luz do telemóvel, é a recomendação padrão de quem já os percorreu sem uma e se arrependeu.

tours.mountain-peaks

Tours GetYourGuide verificados e com ligação direta. Reserve através destes links e ganhamos uma pequena comissão sem custo para si.

A GetYourGuide não fornece uma fotografia do produto para esta atividade — a imagem mostra o ponto de encontro, fotografado por nós.