Um Itinerário de 7 Dias de Caminhadas pelas Levadas e Picos da Madeira
Esta não é uma semana com espaço para o teleférico, o mercado ou um dia em Porto Santo. Foi pensada para quem veio à Madeira para caminhar, e mantém-se no trilho durante sete dias seguidos: a travessia pelos dois picos mais altos da ilha, a levada com túneis que termina num anfiteatro de cascatas, o percurso em socalcos até às 25 Fontes, o dedo vulcânico nu na ponta oriental, e um desvio dependente do tempo até à floresta de nevoeiro no Fanal. Se quiser incluir a Zona Velha do Funchal, o mercado e o teleférico devidamente, o itinerário uma semana na Madeira equilibra ambos; este não tenta fazê-lo.
Feito para caminhantes, não para turistas
Sete dias chegam para fazer os grandes trilhos da Madeira sem pressa, mas quase não deixam margem para um dia de mau tempo ou um tornozelo torcido. Antes de mais, leia sobre autorizações e taxas de trilhos e tempo na montanha e o que vestir — ambos alteram o que esta semana custa e o que deve levar, e são os detalhes que os visitantes de primeira viagem mais erram. Reserve um carro de aluguer pequeno para a semana toda; vários destes pontos de partida ficam bem fora do alcance dos autocarros.
Dia 1: Chegada e uma primeira caminhada fácil em Ribeiro Frio
Aterre, levante o carro de aluguer e resista à tentação de seguir logo para as montanhas. Instale-se na sua base, trate das reservas dos trilhos PR para a semana no portal do governo, e use a tarde para uma caminhada curta e fácil em Ribeiro Frio — o viveiro de trutas e a floresta de louro aqui são uma introdução suave ao interior fresco e húmido da ilha, depois de uma chegada quente ao nível do mar. Deite-se cedo; vários dias desta semana começam antes do amanhecer.
Dia 2: A travessia PR1 do Arieiro ao Ruivo
O dia principal. O percurso PR1 do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo cobre cerca de 7 km numa direção, subindo e descendo entre o Pico do Arieiro, a 1.818 m, e o Pico Ruivo, a 1.862 m, o ponto mais alto da ilha. Reserve entre três a quatro horas, mais se parar para fotografias, e conte com três túneis sem iluminação, escadarias de pedra íngremes talhadas no basalto e longos troços com uma queda a pique e sem qualquer proteção.
Leia segurança em levadas e trilhos: túneis e vertigens antes de partir — é o percurso a que mais se aplica diretamente. Alguns visitantes preferem começar o dia já no cume, com um
passeio guiado ao nascer do sol acima das nuvens no Pico do Arieiro
, antes de partirem para a travessia propriamente dita. Combine com antecedência um transporte ou táxi entre os dois pontos de partida, já que este é um percurso de um ponto a outro, não um circuito.
Dia 3: A Levada do Caldeirão Verde a partir das Queimadas
Um dia longo, de carácter bem diferente: caminhada plana ao longo de um canal de irrigação centenário, em vez de subida à montanha. A partir do parque de estacionamento das Queimadas, o percurso corre cerca de 13 km, ida e volta, por floresta de louro, atravessando quatro túneis a caminho do anfiteatro de cascatas do Caldeirão Verde.
Uma lanterna de cabeça não é opcional aqui — um dos túneis estende-se por várias centenas de metros, com piso irregular e sem qualquer iluminação. Detalhes completos, tempos e notas túnel a túnel estão no guia da Levada do Caldeirão Verde. É também o dia em que a taxa de 3€ por trilho apanha as pessoas desprevenidas, quando não a orçamentaram para uma semana inteira de trilhos PR.
Dia 4: Dia de recuperação na Levada dos Balcões
Depois de dois dias exigentes, este é propositadamente curto. A Levada dos Balcões parte novamente de Ribeiro Frio e cobre apenas cerca de dois quilómetros, ida e volta, quase plano, para uma das melhores vistas do maciço central de toda a ilha — o Pico do Arieiro e a crista que atravessou no Dia 2, vistos de baixo. É o passeio da Levada dos Balcões que a maioria dos guias descreve como fácil, e neste itinerário ganha o seu lugar como um verdadeiro dia de descanso, e não apenas de enchimento. Aproveite a tarde para a roupa, para tratar das pernas doridas e para um jantar cedo.
Dia 5: As 25 Fontes e a Levada do Risco no Rabaçal
De volta a um dia completo. O Rabaçal fica ao fundo de uma estrada de acesso estreita, fechada a carros privados, pelo que a caminhada começa com um transfer a partir do parque de estacionamento no topo. Dali, os caminhos até às 25 Fontes — um anfiteatro natural alimentado por dezenas de pequenas cascatas — e até à Levada do Risco, mais curta, são dois dos passeios mais fotografados da ilha, e com razão. Notas completas do percurso e a ligação para reservar a autorização estão no guia da Levada das 25 Fontes. Vá cedo: é o trilho mais concorrido da rede, e a fila para o transfer cresce depressa a partir de meia-manhã.
Dia 6: Ponta de São Lourenço, sem sombra
Uma mudança completa de paisagem. A península da Ponta de São Lourenço, na ponta oriental da ilha, é rocha vulcânica nua em tons vermelhos e ocres, quase sem nada verde e sem sombra ao longo dos cerca de 8 km, ida e volta. É a paisagem menos “Madeira” de todo o itinerário, e a mais exposta ao sol e ao vento — comece cedo, leve mais água do que a distância sugere que precisa, e verifique as condições antes de partir, já que o vento forte é comum aqui.
Quem preferir ter a logística do trilho já tratada pode reservar o
trilho PR8 da Ponta de São Lourenço com a autorização incluída
. Se o vento inviabilizar por completo a caminhada, um
passeio privado de catamarã ao longo desta mesma costa
é o plano alternativo.
Dia 7: Fanal, se o tempo ajudar, e partida
O dia mais imprevisível da semana, por isso trate-o como flexível, e não fixo. O Fanal é um planalto elevado de tis antigos e retorcidos pelo vento, e só é verdadeiramente atmosférico quando a nuvem desce — verifique a previsão na véspera e, se o itinerário o permitir, troque o Fanal com o dia de descanso do Dia 4, em vez de arriscar numa data fixa. Sem nevoeiro, é apenas um pasto com árvores antigas; com ele, é a floresta mais fotografada da ilha.
Uma
caminhada guiada PR13 ao Fanal com transfer incluído
elimina a incerteza de lá chegar e regressar num dia de partida apertado. Se sobrar energia e tempo antes do voo, uma caminhada mais curta pelo vale de Ribeiro Frio a Portela é uma boa alternativa de meio-dia, caso o Fanal esteja enevoado do lado errado — encoberto por baixo da nuvem, em vez de estar acima dela.
Autorizações, distâncias e dificuldade num relance
| Dia | Trilho | Distância aprox. | Autorização necessária | Dificuldade |
|---|---|---|---|---|
| 2 | PR1 Arieiro–Ruivo | 7 km numa direção | Sim, paga | Difícil, exposto |
| 3 | Levada do Caldeirão Verde | 13 km ida e volta | Sim, paga | Moderado, longo, túneis |
| 4 | Levada dos Balcões | 2 km ida e volta | Não | Fácil |
| 5 | Levada das 25 Fontes / Risco | 6–11 km ida e volta | Sim, paga | Moderado |
| 6 | Ponta de São Lourenço (PR8) | 8 km ida e volta | Sim, paga | Moderado, sem sombra |
| 7 | Fanal (PR13) | Variável | Sim, paga | Fácil–moderado |
A cerca de 3€ por pessoa, por trilho, por dia, os quatro dias de trilhos PR pagos deste itinerário somam cerca de 12€ por pessoa ao longo da semana — uma verba pequena, mas que apanha as pessoas de surpresa quando falta num orçamento baseado em guias mais antigos. Reserve cada autorização online com antecedência através do portal oficial; caminhar sem ela arrisca ser mandado voltar para trás no ponto de controlo.
Notas de bagagem e planeamento
- Uma lanterna de cabeça com pilhas suplentes é indispensável para os túneis do Dia 3, e um seguro útil também para os três túneis do Dia 2.
- Vista em camadas para uma variação de 15–20°C entre a costa e os 1.800 m; pode estar quase a chegar aos zero graus no ponto de partida do Pico do Arieiro antes do amanhecer, enquanto o Funchal está ameno.
- As condições dos trilhos mudam depressa depois de chuva forte — os percursos fecham após deslizamentos de terras, e uma autorização reservada não se sobrepõe a um trilho fechado. Consulte a página de estado do IFCN na véspera de cada caminhada.
- Um carro de aluguer pequeno compensa o seu custo nesta semana; veja aluguer de carro na Madeira antes de reservar, já que as estradas estreitas da montanha favorecem um modelo compacto em vez de algo maior.
- Se um acompanhante que não caminha se juntar a parte da viagem, encaminhe-o para uma semana na Madeira para os dias em que estiver no trilho, para que os dois itinerários corram lado a lado.
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