Ponta de São Lourenço: a Caminhada Nua da Costa Leste
Machico, Caniçal & o leste

Ponta de São Lourenço: a Caminhada Nua da Costa Leste

A Ponta de São Lourenço é a caminhada pela península nua e vermelha da Madeira: exposta, batida pelo vento, com autorização obrigatória, e nada parecida

Factos rápidos

Do Funchal
45-55 minutos de carro até ao parque de estacionamento da Baía d'Abra
Orçamento diário
20-45 € por pessoa, com carro próprio, autorização e almoço
Melhor época
Primavera e outono, por causa do ar mais fresco e do vento mais fraco
Tempo necessário
3-4 horas para a caminhada completa de ida e volta
Autorização do trilho
Cerca de 3 € por pessoa, por dia, reservada online com antecedência
Ideal para
Caminhantes que procuram um percurso mais curto e fácil do que os trilhos de montanha, Fotógrafos em busca da luz sobre a rocha vermelha e das falésias sobre o mar, Casais ou famílias que procuram um passeio de meio dia sem ser numa levada, Visitantes já instalados perto de Machico ou do Caniçal
Melhor época para visitar
Manhãs de primavera e outono, quando o vento é mais fraco e o calor ainda não se instalou
Dias necessários
0.5
Resposta rápida

O que é a Ponta de São Lourenço e vale a pena visitar?

A Ponta de São Lourenço é uma península vulcânica nua na extremidade oriental da Madeira, percorrida pelo trilho oficial PR8 ao longo de cerca de 8 km, ida e volta. Não se parece em nada com o resto da ilha: rocha vermelha e ocre, quase sem vegetação, e sem qualquer sombra, por isso compensa mais num dia de céu limpo e com um início cedo do que como um passeio à sombra.

Uma ilha completamente diferente

Tudo o que a maioria dos visitantes imagina quando pensa na Madeira — o verde profundo da floresta Laurissilva, os caminhos estreitos e húmidos das levadas, a nuvem pousada sobre as montanhas — pertence ao centro e ao norte da ilha. A Ponta de São Lourenço não pertence a nada disso. É a extremidade seca e batida pelo vento do leste, uma península de rocha vulcânica nua, em tons de vermelho, ocre e cinzento, com quase nenhuma árvore de pé e o Atlântico em três lados. Parece mais um canto das Ilhas Canárias ou da costa de Cabo Verde do que o resto da Madeira, e é exatamente esse contraste que justifica a viagem.

A península percorre-se pelo trilho oficial numerado PR8, uma das cerca de trinta rotas PR (Pequena Rota) sinalizadas em todo o arquipélago. O trilho parte do parque de estacionamento da Baía d’Abra, mesmo no final da estrada a leste, seguindo por uma faixa de terra cada vez mais estreita até um miradouro sobre o último promontório, com uma extensão não oficial, muito mais exigente, que continua até ao farol. Não há aqui levada, nem túnel, nem copa de árvores — apenas rocha, mar, céu e vento, o que justifica precisamente uma página à parte das caminhadas de montanha e de floresta cobertas noutros pontos deste site.

Chegar ao início do trilho

A península fica para lá do Caniçal, depois do antigo porto baleeiro e do seu museu da baleia, no extremo oriental da estrada da ilha. A maioria dos visitantes organiza o dia à volta de Machico, a vila que assistiu ao primeiro desembarque português na Madeira em 1419 e que hoje tem uma praia turística e uma boa oferta de restaurantes — Machico funciona bem como base logística para esta caminhada precisamente por ficar dez a quinze minutos mais perto do início do trilho do que o Funchal, e tem praia e vida gastronómica próprias que merecem ser tratadas por si só, e não apenas incluídas num artigo sobre uma caminhada.

Partindo do Funchal, conte com 45 a 55 minutos pela via rápida VR1, que segue em túneis durante a maior parte do percurso para leste antes do troço final a céu aberto, passando por Santa Cruz e pelo Aeroporto da Madeira, continuando depois pelo Caniçal até ao parque de estacionamento da Baía d’Abra. A estrada estreita nos últimos quilómetros, e o parque enche a meio da manhã na época alta — chegar antes das 9h, ou depois das 16h para uma caminhada mais curta ao fim da tarde, evita tanto a multidão como o pior do calor.

Não existe uma opção de transporte público que leve ao início do trilho e traga de volta num horário útil, por isso esta é uma caminhada para quem tem carro alugado, um táxi combinado nos dois sentidos, ou um passeio guiado que inclua transferes. Para quem não conduz, vários operadores incluem a península num dia mais amplo pela zona leste da ilha, o que é abordado mais adiante.

A caminhada do trilho PR8

O percurso completo de ida e volta cobre cerca de 8 km e algumas centenas de metros de subida acumulada, distribuídos por uma série de subidas e descidas curtas ao longo do cume — nada tecnicamente difícil, mas o suficiente para que demore mais do que 8 km em terreno plano sugeririam. Conte com 3 a 4 horas, incluindo paragens, para a maioria dos caminhantes, mais tempo se for até ao final da extensão do farol.

O caminho começa largo e fácil a partir do parque de estacionamento, subindo suavemente para o cume da península, com o mar a afastar-se para ambos os lados. A meio do percurso, o trilho estreita e a exposição aumenta ao atravessar uma sela com quedas acentuadas de ambos os lados — não perigoso com tempo calmo para quem tem confiança razoável em terreno irregular, mas genuinamente desagradável com um vento lateral forte, o que é comum aqui. O trilho termina num miradouro com vista sobre o último promontório e sobre o pequeno ilhéu desabitado do Ilhéu do Farol.

SecçãoDistânciaTempo típicoCaracterísticas
Parque de estacionamento ao primeiro miradouro~1,5 km cada sentido30-40 minCaminho largo, desnível fácil, primeiras grandes vistas
Primeiro miradouro ao fim do trilho~2,5 km cada sentido1-1,5 hCume mais estreito, maior exposição ao vento
Fim do trilho ao farol (não oficial)~1,5 km cada sentido1-1,5 hEstreito, exposto, fora do percurso incluído no bilhete

Uma versão mais curta, até ao primeiro miradouro e de volta, é indicada para quem tem pouco tempo ou não se sente à vontade em cumes expostos — ainda assim proporciona as vistas sobre a rocha vermelha que tornam a península tão distinta, em menos de uma hora e meia.

A autorização, e porque também importa aqui

Todos os trilhos PR oficiais da Madeira, incluindo este, exigem uma autorização diária paga desde agosto de 2021. No caso do PR8, são cerca de 3 € por pessoa, reservados com antecedência através do sistema oficial de reservas da ilha e verificados pelos vigilantes no início do trilho. É fácil supor que um promontório nu e batido pelo vento como este seria gratuito, simplesmente por não parecer uma atração gerida — mas não é. Reserve com antecedência, sobretudo nos meses de maior procura, já que a capacidade diária é limitada e não há garantia de vaga sem reserva. Para perceber melhor como funciona o sistema de autorizações em toda a ilha, veja o guia de autorizações e taxas dos trilhos.

Encerramentos do trilho

Como qualquer trilho oficial da Madeira, o PR8 encerra após chuva forte, vento intenso ou danos por erosão, e este percurso em particular é mais sensível ao vento do que a maioria, dada a sua exposição ao longo do cume. Verifique o estado atual antes de sair de carro — uma viagem perdida até um parque de estacionamento fechado é uma queixa comum entre visitantes que ignoraram este passo.

Sem sombra, vento a sério: o que levar

Este é o ponto mais importante a acertar na Ponta de São Lourenço, e o mais fácil de errar depois de alguns dias a caminhar em levadas sob a copa da floresta a norte. Não há qualquer cobertura de árvores em nenhum ponto deste trilho. Nenhuma das habituais suposições sobre caminhadas na Madeira, em que se pode sempre entrar na sombra, se aplica aqui.

Leve mais água do que precisaria numa levada da mesma distância — pelo menos um litro por pessoa, mais no verão. Protetor solar, um chapéu e óculos de sol contam mais aqui do que em qualquer outra caminhada da ilha; reaplique o protetor se estiver ao ar livre depois do meio-dia. Vale a pena levar sempre uma camada corta-vento, mesmo num dia quente e de sol, já que o cume costuma canalizar um vento mais forte do que o parque de estacionamento faz supor, capaz de baixar vários graus a temperatura sentida.

Calçado de caminhada apropriado, com boa aderência, ajuda nos troços soltos e poeirentos junto às travessias do cume, e vale a pena consultar também as recomendações gerais sobre tempo em altitude e o que vestir se estiver a combinar esta caminhada com passeios em altitude mais elevada durante a viagem — os detalhes mudam, mas o hábito de verificar as condições antes de sair mantém-se.

Geologia e vida selvagem

A rocha por baixo dos pés é dos materiais vulcânicos expostos mais antigos da Madeira, depositada logo no início da formação da ilha, ao longo de cerca de cinco milhões de anos, e desde então erodida nos tons vermelhos, castanhos e ocre em camadas que dão cor à península. Ao contrário do basalto mais recente das montanhas centrais, esta rocha mais antiga e rica em minerais oxida de forma diferente, o que explica geologicamente porque todo o promontório apresenta tons quentes e enferrujados, em vez do cinzento escuro do interior.

A vegetação é escassa, sobretudo arbustos rasteiros tolerantes ao sal, com algumas plantas endémicas que resistem ao vento e à falta de água doce melhor do que quase tudo o resto na ilha. As aves marinhas nidificam nas falésias, e as águas junto ao último promontório são um ponto fiável para avistar golfinhos a partir do topo da falésia num dia calmo, embora um passeio de barco permita aproximar-se muito mais.

A península também está voltada para as Ilhas Desertas, do outro lado de mar aberto, a reserva estritamente protegida que abriga a colónia de lobos-marinhos-do-mediterrâneo da Madeira — visível como uma forma baixa no horizonte num dia limpo, embora desembarcar aí exija uma autorização separada, abordada na sua própria página.

Ver o local sem fazer a caminhada completa

Nem toda a gente quer, ou consegue fazer, uma caminhada exposta de 3 a 4 horas pelo cume, e há várias formas de ver a península sem precisar disso.

Um catamarã privado ao longo deste troço de costa

mostra as falésias, as grutas marinhas e a cor da rocha vistas a partir da água, muitas vezes com uma paragem para nadar, e funciona bem como alternativa para quem se sente desanimado com o vento no cume. Para uma visão mais ampla da costa da ilha, incluindo este troço, os passeios de barco a partir do Funchal e o catamarã ao pôr do sol, em geral, passam ou aproximam-se da zona em roteiros mais longos.

Vários passeios de jipe combinam uma paragem no miradouro junto à estrada, por cima da Baía d’Abra, com outros pontos de interesse do leste da ilha num único dia.

Um passeio de jipe que liga o Pico do Arieiro, Santana e esta península

cobre uma grande variedade de paisagens contrastantes — montanha, aldeia de casas de colmo, costa nua — sem exigir que conduza ou percorra o trilho PR8 completo por conta própria.

Um passeio privado guiado pelo leste da ilha

, que inclui também uma destilaria de rum, é uma boa opção para quem prefere ter a região explicada em vez de a explorar por conta própria.

Para quem quer fazer a caminhada a sério

Para caminhantes decididos a fazer a experiência completa do PR8,

o bilhete oficial do PR8 que inclui a autorização

é a forma mais direta de garantir o acesso ao trilho com antecedência, em vez de navegar o portal de reservas em separado, mais perto da data.

Melhor altura do dia e do ano

A manhã é a melhor altura para esta caminhada, tanto pela luz mais suave sobre a rocha vermelha — sendo, sem dúvida, um dos melhores pontos de fotografia da ilha por esse motivo, veja pontos de fotografia na Madeira e o guia mais amplo de melhores miradouros da Madeira para mais opções — como para evitar o vento, que tende a intensificar-se ao longo da tarde neste troço exposto.

A primavera e o outono trazem temperaturas mais amenas e, geralmente, condições mais calmas do que o pico do verão, quando a combinação de calor e falta de sombra é uma condição mais difícil de gerir. O inverno é viável num dia calmo e seco, mas esta é a caminhada mais dependente do vento em toda a ilha, mais até do que as levadas sombrias do norte, e um encerramento ou uma travessia genuinamente desagradável na sela exposta é mais provável entre novembro e março.

Combinar com o resto do leste

A Ponta de São Lourenço encaixa naturalmente no final de um dia mais amplo pelo leste da ilha, em vez de funcionar como um passeio isolado a partir do Funchal. Combinar a visita com o Caniçal e o seu museu da baleia, Machico para o almoço e a sua praia, e o miradouro da Camacha ou de Santo da Serra no caminho de volta faz um dia completo com um único depósito de combustível.

O guia dedicado ao dia de passeio pelo leste da Madeira apresenta uma versão mais completa desse roteiro, e o itinerário geral de uma semana na Madeira encaixa esta caminhada numa estadia mais longa. Para a página com atividades e operadores próximos especificamente deste local, veja o que fazer na Ponta de São Lourenço.

Em resumo

A Ponta de São Lourenço merece um lugar no itinerário precisamente por não se parecer com mais nenhum outro ponto da Madeira — trate-a como o contraponto seco e vermelho da ilha em relação às levadas verdes mais a oeste, e não como uma versão mais fácil delas. Reserve a autorização com antecedência, saia cedo, leve água e proteção solar em vez de um impermeável, e respeite o vento nas secções expostas do cume. Acertando nestes detalhes, é um dos melhores meios-dias da ilha; errando — chegar ao meio-dia sem água, à espera de uma sombra que não existe — é a caminhada que os visitantes mais frequentemente dizem ter subestimado.

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A GetYourGuide não fornece uma fotografia do produto para esta atividade — a imagem mostra o ponto de encontro, fotografado por nós.