Uma Semana na Madeira: O Roteiro Clássico de Carro
7 days

Uma Semana na Madeira: O Roteiro Clássico de Carro

O roteiro em traços gerais

Sete dias chegam para percorrer de carro todo o circuito da Madeira uma vez — os picos vulcânicos, o oeste de floresta laurissilva, a costa norte de lava negra, o leste solarengo — sem repetir caminho. Não chegam para o fazer devagar. Este roteiro sacrifica duas coisas de propósito: não tenta a longa travessia do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo, que exige uma viagem dedicada a caminhadas, e não atravessa até ao Porto Santo, que exige pelo menos mais uma noite. O que resta é o percurso clássico: base fixa no Funchal, carro alugado e um canto diferente da ilha a cada dia.

Espere que o tempo mude conforme a altitude e a costa na mesma tarde, mais do que de dia para dia. O sul, à volta do Funchal, mantém-se ameno e seco a maior parte do ano, o norte é mais verde e mais húmido, e qualquer ponto acima dos 1.500 metros — incluindo o Pico do Arieiro — pode estar em nuvem, vento ou frio quase gélido enquanto a costa lá em baixo está quente e de t-shirt. Leve roupa para as três situações, todos os dias, e consulte o guia de aluguer de carro e os conselhos sobre estradas de montanha antes de partir.

DayFocusOvernight
1Orientação no FunchalFunchal
2Nascer do sol no Pico do ArieiroFunchal
3Rabaçal e o oesteFunchal
4Porto Moniz e SantanaFunchal
5Ponta de São LourençoFunchal
6Curral das FreirasFunchal
7Dia livre no FunchalFunchal

Ter o Funchal como base todas as noites evita andar com bagagem de um lado para o outro e deixa-o perto de restaurantes todas as noites; cada excursão de um dia acima regressa em duas a três horas de carro, no máximo.

Dia 1: Funchal

Comece na capital antes de o carro entrar em cena para o resto do dia. Percorra a zona velha, onde as portas ao longo da Rua de Santa Maria têm sido pintadas por artistas locais e visitantes desde 2010, depois siga para o Mercado dos Lavradores para as bancas de flores no piso térreo e o pavilhão de peixe no andar de cima, onde o peixe-espada preto — espada — partilha espaço com atum e fruta tropical. Tenha cuidado com vendedores que oferecem amostras grátis de fruta e depois pesam e cobram pelo que provou; é uma prática conhecida, não um gesto generoso.

À tarde, suba de teleférico até ao Monte para a vista sobre a baía, visite a igreja onde está sepultado o Imperador exilado Carlos I da Áustria, e ou desça a pé pelos jardins do Monte Palace, ou desça parte do caminho num carro de cesto de vime — note que o percurso dos carros de cesto termina no Livramento, não no centro do Funchal, por isso conte com um táxi ou autocarro para o resto do trajeto. Termine com um jantar cedo na zona velha; esta é também uma boa noite para provar pela primeira vez a poncha, a bebida madeirense de rum, mel e limão, batida com um caralhinho de madeira.

Dia 2: Pico do Arieiro ao nascer do sol

Este é o dia com o madrugar mais cedo da semana e o único que vale a pena programar mais do que um alarme. Saia do Funchal por volta das 4h30 para chegar ao Pico do Arieiro — a 1.818 metros, o único dos três picos mais altos da Madeira com estrada até ao topo — antes do amanhecer. Numa manhã de céu limpo, ficará acima de um mar de nuvens com o sol a nascer sobre o Pico Ruivo; numa manhã de nuvens, ficará dentro delas, o que faz parte da aposta. Faz mesmo frio ali em cima, até no verão, por isso leve um casaco adequado, independentemente do calor que o Funchal fazia na noite anterior.

uma caminhada guiada ao nascer do sol no Pico do Arieiro

trata do estacionamento, dos horários e da curta caminhada até ao melhor miradouro por si, o que faz diferença quando se chega no escuro pela primeira vez. Para saber mais sobre o que torna este local tão fotografado, veja o nosso guia do nascer do sol.

Regresse a meio da manhã e passe o resto do dia na costa sul: pare em Câmara de Lobos, a vila piscatória que Winston Churchill pintou em 1950, para um pequeno-almoço tardio, e siga depois até ao Cabo Girão para o passadiço de piso de vidro, gratuito, sobre uma das falésias marítimas mais altas da Europa. Ambos ficam a vinte minutos do Funchal, por isso não há pressa depois de um madrugar tão cedo.

Dia 3: Rabaçal e o oeste

Suba até ao planalto do Paul da Serra e desça até ao Rabaçal, onde um shuttle a partir do parque de estacionamento (carros privados não são permitidos na estrada de acesso) o deixa no início dos percursos das 25 Fontes e da Levada do Risco. São dois dos percursos de levada mais fotografados da ilha — uma cascata atrás de um semicírculo de fetos nas 25 Fontes, uma queda de água única e mais alta no Risco — e ambos se percorrem numa manhã sem exigir um dia inteiro de caminhada.

uma caminhada guiada até às 25 Fontes com transfer incluído

trata do shuttle e da orientação no percurso, o que é útil se preferir não gerir a logística sozinho. Lembre-se de que ambos são trilhos PR oficiais, por isso a caminhada exige a pequena taxa de acesso reservada online com antecedência — veja o nosso guia sobre as taxas antes de ir, já que é o pormenor que a maioria dos roteiros deixa de fora e não pode ser comprado no local. Encontra mais informação sobre o percurso no nosso guia das 25 Fontes.

À tarde, se a luz e o tempo permitirem, siga em direção ao Fanal — as árvores til retorcidas na borda do planalto são uma das imagens mais conhecidas da Madeira, mas só quando o nevoeiro que lhes dá o ambiente característico realmente se instala; num dia limpo, é simplesmente um pasto batido pelo vento, por isso trate-o como uma paragem extra e não como o plano principal.

Dia 4: Porto Moniz e Santana

Duas costas muito diferentes num único dia. Comece na costa noroeste, em Porto Moniz, onde as piscinas naturais de rocha vulcânica se enchem e renovam com a maré; nade nas piscinas naturais se o mar estiver calmo, ou nas piscinas pagas adjacentes se o oceano estiver agitado, já que a ondulação atlântica fecha as piscinas naturais com regularidade. No caminho, a vila de areia negra do Seixal e as grutas de lava em São Vicente são acréscimos fáceis se tiver a manhã disponível.

um passeio guiado de 4x4 pela costa norte

é uma boa opção se preferir não conduzir sozinho pelos trechos mais estreitos deste percurso.

Atravesse a ilha pela Encumeada até Santana, na costa nordeste, terra das casas de colmo triangulares da Madeira — as poucas abertas a visitantes no centro da vila são reconstruções mantidas, não casas habitadas, e valem uma paragem curta e não longa. Regresse ao Funchal pela estrada da costa ou de novo pelas montanhas, consoante a luz o permitir.

Dia 5: Ponta de São Lourenço

Siga para leste através de Machico — o primeiro povoado português da Madeira, de 1419, cuja praia de areia dourada é importada, não natural — até à península vulcânica da Ponta de São Lourenço. Esta é a única caminhada a sério do roteiro: cerca de 8 km de ida e volta ao longo de uma crista nua, vermelha e ocre, sem qualquer sombra, por isso leve água, chapéu e protetor solar independentemente da época do ano, e verifique o vento antes de partir, já que as rajadas nos troços expostos podem ser fortes.

É também a paisagem menos tipicamente “Madeira verde” da ilha, mais próxima de um deserto vulcânico do que de uma floresta laurissilva, e é exatamente por isso que vale o desvio para leste. No regresso, pare no Caniçal, no antigo porto baleeiro — a Madeira caçou baleias até 1981 e o porto é hoje um pequeno museu e um santuário marinho — antes de voltar ao Funchal para a noite.

Dia 6: Curral das Freiras

Um dia mais curto e mais próximo, construído em torno de um vale espetacular. O Curral das Freiras — o “Vale das Freiras” — situa-se dentro de uma antiga cratera vulcânica cercada de picos, alcançado por uma estrada que desce em curvas apertadas a partir do miradouro da Eira do Serrado. Pare primeiro no miradouro para a panorâmica clássica sobre a aldeia, depois desça até ao vale para almoçar; a zona é conhecida pelas castanhas, e a sopa e o licor de castanha aparecem nos menus aqui de uma forma que não se encontra no resto da ilha.

Com a tarde livre, é um bom dia para juntar uma caminhada curta e fácil sem se comprometer com um dia inteiro de levada — uma

caminhada guiada pelo parque ecológico do Funchal

no regresso à cidade é uma forma fácil de esticar as pernas em plena floresta laurissilva sem a logística de um trilho mais longo, ou simplesmente passe o resto da tarde de volta ao Funchal.

Dia 7: Dia livre no Funchal

Deixe o último dia deliberadamente em aberto. O tempo, atrasos de voo e um nascer do sol nublado no Arieiro tendem a consumir uma semana apertada, por isso este é o dia que absorve o que correu mal — uma segunda tentativa aos picos se o dia dois ficou encoberto, uma manhã mais calma no teleférico e nos jardins do Monte se o apressou no dia um, ou simplesmente uma prova de vinho e um último passeio pela zona velha antes de um voo à noite.

Se tudo correu como planeado, passe-o nos clubes de praia ao longo da orla do Funchal ou num dos barcos de observação de baleias que partem da marina; de qualquer forma, não marque nada para a tarde antes de um voo tardio, já que o aeroporto fica suficientemente perto da cidade para os horários não serem apertados.

Notas de planeamento para uma semana na Madeira

Aluguer de carro. Um carro pequeno de caixa manual é mesmo a escolha certa — ruas estreitas, inclinações acentuadas e estacionamento apertado no Funchal favorecem-no em relação a qualquer carro maior. Veja o nosso guia de condução na Madeira antes de reservar.

Dinheiro. Uma semana a este ritmo, com carro alugado e refeições de gama média, custa cerca de 150 a 200 euros por pessoa e por dia, incluindo alojamento — mais barato em comida do que nas Ilhas Canárias, mais caro no aluguer de carro em época alta.

O que este roteiro deixa de fora. Deliberadamente: a travessia Arieiro-Ruivo, qualquer caminhada de levada com mais de cerca de duas horas, e o Porto Santo. As três merecem uma viagem dedicada em vez de um meio-dia apertado — veja o nosso roteiro de uma semana de caminhadas e o nosso roteiro de dez dias para conhecer as duas ilhas.

Perguntas sobre uma semana na Madeira

Uma semana chega para conhecer bem a Madeira?

Sim, para uma primeira visita. Sete dias com carro alugado permitem conhecer o Funchal, os picos altos, o oeste, a costa norte e a ponta leste sem pressa. Não sobra tempo para longas caminhadas de levada nem para o Porto Santo — isso fica para uma segunda viagem.

Preciso de um 4x4 para este roteiro?

Não. Um carro pequeno alugado percorre todas as estradas deste roteiro, incluindo a estrada de montanha até ao Pico do Arieiro. Um 4x4 só compensa em caminhos de terra batida, que este roteiro evita.

Devo reservar o Pico do Arieiro ao nascer do sol ou visitar mais tarde?

O nascer do sol é a razão de lá ir. O parque de estacionamento e o miradouro enchem-se a meio da manhã, e as nuvens tendem a formar-se sobre os picos à medida que o dia aquece, por isso vale a pena madrugar.

Vale a pena juntar o Porto Santo a esta viagem?

Vale a pena conhecer, mas não numa visita de uma semana. Encaixar o ferry ou o voo, uma noite fora e um dia de praia neste roteiro obriga a cortar noutra coisa — veja o nosso roteiro de dez dias se quiser conhecer bem as duas ilhas.

O que devo levar numa semana que cobre tanto a costa como as montanhas?

Camadas de roupa. O Funchal mantém-se em mangas curtas a maior parte do ano, enquanto o Pico do Arieiro pode estar perto de zero graus ao amanhecer, e a costa norte é mais húmida do que o sul na mesma tarde. Um corta-vento impermeável e calçado adequado para terreno irregular contam mais do que qualquer outra coisa.

As taxas de trilho aplicam-se a uma semana como esta?

Só se caminhar num trilho oficial com número PR. Este roteiro usa sobretudo miradouros, caminhos pavimentados curtos e uma caminhada de referência na Ponta de São Lourenço, todos gratuitos; apenas os trilhos PR numerados, como as levadas do Rabaçal, exigem reserva online e uma pequena taxa diária.

Qual é o dia mais exigente deste roteiro?

O dia 2, simplesmente pelo madrugar e pela altitude no Pico do Arieiro. As caminhadas ao longo da semana mantêm-se entre fáceis e moderadas — o percurso da Ponta de São Lourenço é o mais longo a pé, com cerca de três horas.

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