Zona Velha do Funchal e Rua de Santa Maria
Funchal & Monte

Zona Velha do Funchal e Rua de Santa Maria

Portas pintadas da Zona Velha, esplanadas noturnas e o pavilhão de peixe Art Déco do Mercado dos Lavradores, na Zona Velha do Funchal.

Factos rápidos

A partir do Aeroporto do Funchal
25–35 minutos de táxi ou autocarro 78/113
Orçamento diário
25–55 € por pessoa
Melhor altura para visitar
O ano todo; as noites brilham de abril a outubro
Tempo necessário
Meio dia, mais se ficar para jantar
Ideal para
Apaixonados por gastronomia e mercados, Quem gosta de passear ao entardecer, Fotógrafos, Primeira visita ao Funchal, Curiosos por marisco e peixe
Melhor época para visitar
Do final da tarde ao jantar, em qualquer mês do ano
Dias necessários
0.5
Resposta rápida

O que é a Zona Velha do Funchal e vale a pena visitar?

A Zona Velha do Funchal é o antigo bairro piscatório em torno da Rua de Santa Maria, conhecido pelas suas portas pintadas à mão e pelas esplanadas de restaurantes ao anoitecer. Fica a curta distância a pé do Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco da cidade de 1940, e ambos combinam-se facilmente num meio dia.

Zona Velha: o Antigo Bairro Piscatório do Funchal

Muito antes de o Funchal crescer até à faixa hoteleira ao longo do passeio do Lido e à marina moderna que se abre logo abaixo, a cidade era um punhado de casas de pescadores agrupadas onde a Ribeira de Santa Luzia encontra o mar. Esse bairro original é a Zona Velha, a “cidade antiga”, e continua a ser as ruas mais cheias de atmosfera da cidade: estreitas, de calçada, a descer suavemente até à água, e em grande parte poupadas ao tipo de requalificação que suavizou outras zonas do centro do Funchal.

De dia a Zona Velha é tranquila, um pouco desalinhada em alguns pontos, e fácil de subestimar numa passagem rápida. Ao anoitecer transforma-se nas centenas de metros mais animadas da cidade, com as esplanadas dos restaurantes a espalharem-se pela calçada e o cheiro a peixe grelhado a percorrer os becos. Vale a pena ver ambos os ambientes, e nenhum deles demora mais de uma ou duas horas, razão pela qual a Zona Velha combina tão naturalmente com um passeio até ao Mercado dos Lavradores, a poucas ruas para o interior, ou com uma volta até à marina do Funchal e ao extremo portuário da orla marítima.

Se preferir ter a história e a disposição das ruas explicadas enquanto caminha, uma

visita guiada a pé pela Zona Velha

percorre as portas, os largos das igrejas e o mercado em cerca de duas horas com um guia local, o que é um atalho razoável numa primeira visita ou se o seu tempo no Funchal se limitar a uma única tarde.

A Rua de Santa Maria e as Portas Pintadas

A rua que define a Zona Velha é a Rua de Santa Maria, um beco estreito que corre quase paralelo ao mar pelo coração da Zona Velha. A sua marca distintiva, e o detalhe mais fotografado de toda a Zona Velha, é a sua sequência de portas pintadas. O projeto por trás delas, a Arte Portas Abertas, começou em 2010 como resposta às portas devolutas e fechadas que alinhavam a rua após décadas de declínio: artistas locais, e mais tarde também visitantes, foram convidados a repintar portas individuais, transformando uma rua de tinta a descascar numa galeria a céu aberto.

Os resultados vão de retratos minuciosos e cenas do folclore madeirense a trabalhos abstratos ousados, e, como o projeto se prolonga há mais de uma década, a coleção não é fixa. Há portas que são repintadas, novos edifícios que se juntam, e uma rua fotografada numa viagem pode parecer diferente na seguinte. Percorrer a Rua de Santa Maria devagar, porta a porta, em vez de correr até um punhado de portas famosas, é a forma como a maioria dos visitantes acaba por passar mais tempo aqui.

A rua é também a espinha dorsal da vida de restaurantes da Zona Velha. O peixe e o marisco dominam as ementas, o que não surpreende num antigo bairro piscatório, e as mesas são postas diretamente sobre a calçada ao longo de boa parte da rua assim que o sol começa a descer. Os preços tendem mais para o turístico do que para o barato, e a qualidade varia bastante de casa para casa, mais do que as esplanadas de aspeto idêntico sugerem, por isso vale a pena espreitar uma ementa ou duas em vez de se sentar na primeira mesa que vir.

Noites nas Esplanadas

A Zona Velha do Funchal é, acima de quase tudo o resto nesta costa, um lugar de noite. Os becos de calçada que ao meio-dia parecem um tanto rotineiros enchem-se de luz de vela e conversa depois de escurecer, e o pequeno troço da Rua de Santa Maria e as ruas que dela partem tornam-se genuinamente animados: empregados a convencer transeuntes a sentar-se, grelhas a fumegar à porta, música ao vivo a chegar de um ou outro restaurante mais antigo.

A espada preta aparece em quase todas as ementas por aqui, geralmente frita em sertã com banana, e vale a pena experimentar pelo menos uma vez, mesmo que a descrição pareça pouco habitual. A espetada, cubos de carne de vaca grelhados num espeto de louro e servidos suspensos de um pequeno suporte à mesa, é o outro prato que vai encontrar repetidamente.

Nenhum dos dois é exclusivo da Zona Velha, mas a concentração de restaurantes que fazem bem os dois pratos, num cenário genuinamente histórico, é o que torna uma noite aqui digna de organizar um dia inteiro no Funchal em torno dela. O nosso guia gastronómico mais alargado e a página dedicada à espetada e ao bolo do caco aprofundam ambos os pratos, e o guia onde comer por zona compara as opções da Zona Velha com as da marina e da faixa do Lido.

Para quem quiser prolongar a noite até à água em vez de ficar pela calçada, saem barcos do porto do Funchal ali perto para passeios ao pôr do sol que combinam naturalmente com um jantar na Zona Velha, antes ou depois. Um

passeio noturno a bordo de um barco tradicional Xavelha

ajusta o regresso ao porto de forma a coincidir com a hora do jantar na Zona Velha, e o mesmo operador oferece também uma

viagem diurna ao longo da costa no mesmo barco

, que resulta bem mais cedo no dia, caso prefira deixar a noite livre para os restaurantes.

Os preços nas esplanadas não são desmedidos para padrões da Europa Ocidental, mas vale a pena saber que ementas claramente dirigidas a turistas convivem com locais mais discretos frequentados por residentes, e a diferença nem sempre é óbvia vista da rua. Uma pequena caminhada uma rua para trás do troço mais movimentado da Rua de Santa Maria costuma revelar melhor relação qualidade-preço sem perder a atmosfera, e as ruas são curtas o suficiente para que comparar algumas seja um desvio de cinco minutos, não um projeto.

Mercado dos Lavradores: Flores, Fruta e o Pavilhão do Peixe

Uma curta caminhada para o interior e ligeiramente a oeste da Zona Velha leva-o ao Mercado dos Lavradores, o mercado coberto do Funchal e, a par da própria Zona Velha, a outra paragem essencial nesta parte da cidade. O edifício data de 1940 e é um exemplo notável, em grande parte intacto, de design Art Déco: uma fachada revestida a azulejo, um pátio central e dois pisos organizados por tipo de produto em vez de um único salão disperso.

O piso térreo é dedicado quase inteiramente a flores e fruta, e é ali que a maioria dos visitantes passa os primeiros minutos, atraídos por bancas cheias de estrelícias (aves-do-paraíso), maracujá, anonas e outros produtos que serão desconhecidos para a maioria dos compradores europeus. É fotogénico, e as bancas de flores em particular, atendidas em grande parte por mulheres em traje tradicional madeirense, são uma das imagens marcantes do Funchal.

É também ali que se encontra a única armadilha conhecida do mercado. Os vendedores no piso da fruta oferecem rotineiramente uma prova de algo exótico, uma fatia de maracujá ou um pedaço de anona, e pode parecer simples hospitalidade local. Não é: a fruta é depois pesada, e o preço cobrado pelo que provou, ou por um pedaço inteiro cortado para si, fica muitas vezes bem acima do que cobraria uma banca de preço fixo ali ao lado.

Trata-se de uma rotina conhecida, não de uma exceção rara, e a solução é simples: pergunte o preço antes de comer o que quer que lhe seja entregue, ou compre antes numa banca com preços claramente marcados e evite por completo as amostras não solicitadas. Trate qualquer prova gratuita como o primeiro passo de uma venda, não como um presente.

No primeiro andar, um pavilhão separado alberga o mercado do peixe, e vale a pena o curto lanço de escadas mesmo sem intenção de comprar nada. É ali que se vê a espada preta exposta sobre gelo em quantidade, o corpo negro e comprido e os olhos enormes inconfundíveis, ao lado do atum, das lapas e do que quer que os barcos tenham trazido nessa manhã. O cheiro é mais forte aqui do que no piso de baixo, como seria de esperar, mas o pavilhão em si, com as suas janelas altas e detalhes Art Déco, vale a pena ver só pelo edifício. O nosso guia dedicado ao mercado cobre o detalhe banca a banca, preços típicos e a melhor altura do dia para visitar, caso queira mais do que este resumo.

O mercado funciona como um pavilhão de produtos ao serviço da cidade, não sobretudo como atração turística, o que significa que está mais animado e fresco nas primeiras horas das manhãs de dia útil e de sábado; ao domingo está em grande parte fechado. Combinar uma visita ao mercado a meio da manhã com o almoço, seguida de uma tarde nas ruas da Zona Velha antes de um jantar nas esplanadas, é a ordem natural para uma primeira visita a esta zona do Funchal, e encaixa-se de perto na sequência sugerida no nosso guia um dia no Funchal e no itinerário de um dia na Madeira mais alargado, para quem combina esta visita com outras paragens.

Como Chegar e Orientar-se

Tanto a Zona Velha como o mercado ficam a uma distância confortável a pé do resto do centro do Funchal. A partir do terminal de cruzeiros ou da marina do Funchal, a Zona Velha fica a uma caminhada plana e cénica de 10 a 15 minutos ao longo da orla marítima, sendo o percurso escolhido pela maioria dos passageiros de cruzeiro e hóspedes de hotel, em vez de recorrer a um táxi. A partir da faixa hoteleira do Lido, mais a oeste, conte com cerca de 30 a 40 minutos a pé, ou um curto trajeto de autocarro ou táxi até ao centro.

Conduzir até à própria Zona Velha não é recomendável: as ruas são estreitas, em grande parte pedonais ou fortemente condicionadas, e o estacionamento é escasso e pago nas ruas circundantes. Se estiver a conduzir noutras zonas da ilha nesse dia, o estacionamento mais útil fica junto à marina ou ao centro moderno da cidade, deixando a Zona Velha e o mercado como um circuito a pé a partir dali.

Pontos de referência úteis para se orientar incluem a Sé do Funchal, cujo largo se situa entre o centro moderno e a Zona Velha, e a Fortaleza de São Tiago, no extremo leste da Zona Velha, virada para o mar; ambos são marcos úteis caso os becos da Zona Velha comecem a parecer um labirinto, o que por vezes acontece.

O Que Esta Zona do Funchal Não Cobre

Vale a pena deixar clara esta fronteira, porque as duas zonas são muitas vezes juntadas numa primeira visita. O Monte, a vila na encosta acima do Funchal alcançada de teleférico, e o próprio passeio de teleférico, não fazem parte deste guia: a estação inferior do teleférico fica perto da Zona Velha, mas o passeio, a igreja de peregrinação de Nossa Senhora do Monte, o carro de cesto que desce a partir dali e os jardins lá em cima chegam para o seu próprio meio dia, e estão cobertos na íntegra na nossa página do Monte e no guia do teleférico e do carro de cesto.

Se estiver a planear um dia completo que inclua a Zona Velha e o Monte, o nosso guia um dia no Funchal organiza os dois de forma sensata, em vez de os tentar espremer nas mesmas duas horas.

Para quem quiser ir mais longe depois da Zona Velha e do mercado, os passeios de jipe e buggy para as montanhas partem do centro do Funchal e podem ser reservados como continuação natural: um

tour 4x4 ao Pico do Arieiro e a Santana

cobre os picos altos da ilha e as casas de colmo num só dia, enquanto uma viagem mais curta ao miradouro da Eira do Serrado, acima do Curral das Freiras, cabe num meio dia e combina bem com uma manhã na Zona Velha.

Notas Práticas para a Sua Visita

A Zona Velha não tem horário de funcionamento propriamente dito; as suas ruas estão abertas a qualquer hora, embora a atmosfera descrita acima seja sobretudo um fenómeno noturno, sendo a versão diurna um lugar mais tranquilo e rotineiro. O mercado mantém horários de funcionamento convencionais, em geral das 7h às 20h nos dias úteis e ao sábado, com um encerramento mais curto ao domingo, e está mais calmo na primeira hora após a abertura.

Sapatos confortáveis e de sola rasa importam aqui mais do que a etiqueta de “cidade antiga” pode sugerir: a calçada da Rua de Santa Maria e dos becos circundantes é irregular e pode ficar escorregadia quando molhada, o que acontece com mais frequência do que a reputação soalheira da costa sul faz supor. O pagamento com cartão é amplamente aceite nos restaurantes, mas as bancas do mercado, particularmente no piso da fruta, esperam muitas vezes pagamento em dinheiro, mais uma razão para combinar um preço em voz alta antes de qualquer produto mudar de mãos.

Carteiras e telemóveis merecem a vigilância comum que teria em qualquer mercado movimentado e zona de restauração noturna; o Funchal é uma cidade de baixa criminalidade segundo a maioria das medidas, e o principal risco prático nesta zona continua a ser comercial em vez de criminal, nomeadamente a rotina da prova de fruta descrita acima, em vez de algo mais grave.

Para uma visão mais alargada dos erros comuns de primeira visita por toda a ilha, o nosso guia de erros a evitar na Madeira vale a pena folhear antes de aterrar, e quem quiser um relato em primeira pessoa sobre a espada preta e os encantos e armadilhas do mercado pode gostar do nosso artigo sobre experimentar espada preta pela primeira vez.

Perguntas Frequentes sobre a Zona Velha do Funchal: Portas Pintadas e Mercado

Qual é a diferença entre a Zona Velha e o resto do Funchal?

A Zona Velha é o compacto e antigo bairro piscatório situado no extremo leste do centro do Funchal, construído em torno do porto antes de a cidade crescer. É ali que se concentram as portas pintadas, os becos estreitos de calçada e a maior parte das esplanadas noturnas, distinguindo-se da marina mais recente e da faixa hoteleira a oeste.

As portas pintadas da Rua de Santa Maria continuam a ser acrescentadas?

Sim. O projeto Arte Portas Abertas começou em 2010 para dar cor a portas fechadas e devolutas ao longo da Rua de Santa Maria, tendo-se desde então espalhado a ruas vizinhas, com artistas locais e visitantes a repintar portas ao longo do tempo, pelo que a coleção muda de uma visita para a outra.

A prova de fruta no Mercado dos Lavradores é mesmo grátis?

Não. Os vendedores no piso da fruta oferecem muitas vezes fatias para provar, pesando depois e cobrando o que tocou ou provou a um preço elevado por quilo. Combine o preço antes de provar seja o que for, ou recuse educadamente e compre numa banca com preços fixos e visíveis.

O que é a espada preta e onde a vejo no mercado?

A espada preta é uma espécie de profundidade capturada em volume em praticamente nenhum outro lugar da Europa, e é um prato emblemático da Madeira. Está exposta sobre gelo no piso do peixe, no primeiro andar do Mercado dos Lavradores, com pele preta brilhante e olhos enormes, ao lado do atum e de outro pescado local.

Qual é a melhor altura do dia para visitar a Zona Velha do Funchal?

Do final da tarde ao anoitecer, quando o mercado já fechou mas as esplanadas da Rua de Santa Maria começam a encher e a luz é boa para fotografar as portas. Ao meio-dia o mercado em si funciona bem, mas as ruas de restaurantes da Zona Velha ficam mais sonolentas antes das 18h.

Esta zona inclui o Monte ou o teleférico?

Não. O Monte e o teleférico que sobe até lá perto da Zona Velha são um passeio de meio dia à parte, tratado na nossa página dedicada ao Monte, já que o carro de cesto, o passeio de teleférico e a igreja de peregrinação merecem o seu próprio planeamento em vez de serem espremidos numa visita à Zona Velha.

Consigo ir a pé até à Zona Velha a partir do porto de cruzeiros ou da marina?

Sim, facilmente. Tanto o terminal de cruzeiros como a marina do Funchal ficam a uma caminhada de 10 a 15 minutos da Zona Velha ao longo da orla marítima, que é o percurso escolhido pela maioria dos passageiros de cruzeiro e hóspedes de hotel, em vez de conduzir ou apanhar um táxi para uma distância tão curta.

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