Funchal num Dia: Um Itinerário Realista
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Funchal num Dia: Um Itinerário Realista

Resposta rápida

Dá para conhecer bem o Funchal num só dia?

Sim, se seguir um único percurso central: a zona velha e o mercado de manhã, o teleférico até ao Monte ao meio-dia, e a marginal à tarde. Tentar juntar o jardim botânico ou Câmara de Lobos torna o dia apressado em vez de agradável.

O que cabe mesmo num único dia no Funchal

O Funchal recompensa uma visita calma, mas a maioria das pessoas chega com apenas um dia inteiro reservado para a cidade, antes de seguir para as levadas, as montanhas ou a costa norte. Isso é tempo suficiente, desde que o dia tenha uma forma definida. O itinerário abaixo segue um único percurso viável pelo Funchal: primeiro o mercado, depois a zona velha, o teleférico até ao Monte ao meio-dia, e a marginal à tarde. Cada paragem abaixo é propositadamente breve, porque o objetivo desta página é a ordem e os tempos, não uma descrição completa de cada lugar — esse detalhe está nos guias ligados.

O erro mais importante a apontar logo de início, porque é o erro que quase toda a gente comete na primeira visita, é tentar encaixar demasiado. O Monte, o Jardim Botânico do Funchal e Câmara de Lobos parecem, no mapa, um trio natural, e os três valem genuinamente a pena. Juntos, num só dia, para além da zona velha e do mercado, não funcionam.

O jardim botânico fica no lado oposto da cidade em relação ao Monte, e Câmara de Lobos é uma saída à parte pela estrada da costa. Escolha o Monte para este dia e deixe os outros dois para mais tarde na sua estadia — há um itinerário de dois dias pelo Funchal se quiser planear isso com calma, e o guia Monte Palace versus jardim botânico se estiver a tentar escolher entre os dois jardins em vez de fazer ambos.

Manhã: o mercado e a zona velha (08h30–11h30)

Comece no Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco do Funchal, dos anos 1940. Vá cedo, antes de chegarem os autocarros de turistas e antes de as vendedoras de flores e as bancas de fruta começarem a trabalhar a multidão — o mercado do peixe no andar de cima, onde o peixe-espada preto chega fresco das águas profundas ao largo da ilha, vale a subida mesmo que não vá comprar nada. Duas coisas a que prestar atenção: vendedores de fruta que oferecem uma prova e depois pesam e cobram a preço elevado, e a confusão geral a partir das 10h00, quando chegam os grupos dos cruzeiros. O guia completo está no guia do mercado.

Do mercado, caminhe a curta distância até à Zona Velha, a zona velha do Funchal, e em particular à Rua de Santa Maria, a rua das portas pintadas. O projeto Arte Portas Abertas, em curso desde 2010, transformou dezenas de portas simples de lojas e casas em pequenas obras de arte, e a rua está no seu melhor na luz mais calma do meio da manhã, antes de a multidão dos restaurantes tomar conta dela à noite.

Este é também um bom ponto para parar para um café e um bolo do caco, o pão de batata com manteiga de alho que aparece em quase todas as esquinas por aqui — o detalhe completo sobre onde comer por zona está neste guia, e sobre o prato em si no guia da espetada e do bolo do caco.

Se preferir ter a zona velha e a cidade em geral explicadas por alguém que a conhece bem, um passeio guiado curto percorre o mesmo terreno com contexto que de outra forma lhe escaparia —

um tour de 90 minutos pela cidade do Funchal

encaixa bem antes de se formarem as filas do teleférico. Para uma alternativa mais leve e ao seu próprio ritmo, mas que ainda assim dá um percurso e comentário,

o passeio áudio Show Me Funchal

resulta bem se preferir andar ao seu próprio passo.

Meio-dia: o teleférico até ao Monte (11h30–14h00)

No final da manhã, siga para a estação inferior do Teleférico do Funchal, a curta distância a pé da zona velha, ao longo da marginal. A viagem de cabine até ao Monte demora cerca de quinze minutos e sobe uns 560 metros, e as vistas sobre a cidade e a baía já valem a pena mesmo antes de chegar ao topo. As filas aumentam de forma constante a partir do meio da manhã, sobretudo em dias de cruzeiro, por isso chegar perto da abertura ou logo depois do passeio pela zona velha mantém a espera controlada; o guia do teleférico e do carro de cesto tem informação atualizada sobre tempos de espera, se quiser verificar antes de ir.

No topo, reserve tempo para a igreja de Nossa Senhora do Monte, onde está sepultado o imperador austríaco exilado Carlos I, e um passeio por parte do Monte Palace Tropical Garden, se o lado botânico da Madeira lhe interessar — mas mantenha-o breve, porque é neste ponto do dia que um itinerário costuma atrasar-se sem se dar por isso. Se os jardins forem a prioridade da sua viagem, guarde uma visita a sério para outro dia em vez de a apressar aqui; o guia Monte Palace versus jardim botânico ajuda a decidir qual dos dois merece uma visita completa mais tarde.

Na descida, a opção famosa é o carro de cesto de vime, os carreiros do Monte, em funcionamento desde 1850: dois homens vestidos de branco com chapéus de palha guiam um cesto-trenó por cerca de dois quilómetros de estrada até ao Livramento. São uns minutos genuinamente divertidos, mas não é propriamente transporte de volta ao centro do Funchal — o percurso termina no ponto do carro de cesto do Monte, a meio caminho da descida, e ainda vai precisar de um táxi ou de um autocarro para o resto do trajeto, ou simplesmente do teleférico de volta pelo mesmo caminho. Qualquer uma das opções resulta para este itinerário; o teleférico é a mais simples se estiver atento ao relógio.

Tarde: a marginal (14h30–17h30)

De volta ao nível do mar, o almoço e a tarde pertencem à marginal do Funchal. A Marina do Funchal e a Promenade do Lido formam um passeio fácil e maioritariamente plano, com o Forte de São Tiago e o Parque de Santa Catarina como pontos naturais de paragem ao longo do caminho. Este troço é onde o lado mais descontraído e ribeirinho da cidade se revela, longe das multidões do mercado e do teleférico.

Se preferir passar parte da tarde na água em vez de à beira dela, este é o momento natural para isso. Uma prova de vinhos dentro do recinto do forte junta a história com um momento para se sentar —

um tour ao Forte de São Tiago com prova de vinhos

vale a pena considerar se estiver pronto para abrandar a meio da tarde.

Para algo mais ativo, a baía em frente ao Lido tem águas calmas durante boa parte do ano, e tanto

uma sessão de stand-up paddle ao largo do Funchal

como um circuito mais rápido de jet ski ocupam cerca de uma hora, que é praticamente todo o tempo livre que um itinerário de um dia tem para oferecer. Note que encaixar uma atividade aquática significa cortar tempo do passeio pela marginal, não acrescentá-lo — este dia já está cheio.

Os fãs de futebol que passem perto da zona da marina podem querer um pequeno desvio ao Museu CR7, dedicado a Cristiano Ronaldo, natural do Funchal; é uma paragem rápida, não algo à volta do qual construir o dia.

Noite: jantar de volta à Zona Velha (a partir das 19h00)

Termine o dia onde a manhã começou, de volta à Zona Velha, que ganha vida ao anoitecer de um modo que não acontece às 09h00. A espetada, cubos de vaca grelhados num espeto de louro e servidos suspensos sobre o prato, e um bolo do caco para acompanhar são os dois pratos a procurar em quase todos os menus por aqui. Um copo de poncha, a mistura local de rum, mel e limão, é a bebida a experimentar caso ainda não o tenha feito, embora os bares de poncha mais tradicionais estejam ao longo da costa, em Câmara de Lobos, e não propriamente na zona velha. O guia de restauração tem mais detalhe sobre onde comer nesta parte da cidade especificamente.

Um exemplo de cronograma

HoraParagemNotas
08h30–09h30Mercado dos LavradoresVá antes dos grupos de turismo; mercado do peixe no andar de cima
09h30–11h30Zona Velha / Rua de Santa MariaPortas pintadas, pausa para café, passeio
11h30–12h30Teleférico até ao Monte~15 minutos em cada sentido, reserve para evitar a fila se houver muita gente
12h30–13h30Igreja e jardins do Monte (breve)Não se demore — o dia ainda tem três paragens pela frente
13h30–14h00Carro de cesto ou teleférico de voltaO carro de cesto termina no Livramento, não no centro do Funchal
14h30–15h30Almoço perto da marginal
15h30–17h30Marina, Lido, Forte de São TiagoPasseio plano, ou uma atividade aquática neste horário em alternativa
A partir das 19h00Jantar na Zona VelhaEspetada, bolo do caco, poncha

Isto é um modelo, não um horário fixo — se o mercado estiver calmo quando chegar, ou se a fila do teleférico for curta, vai naturalmente ganhar tempo noutra parte do dia. O que importa é a ordem: mercado e zona velha antes de as multidões aumentarem, o Monte no momento do dia em que a fila do teleférico e a luz do meio-dia são ambas geríveis, e a marginal como a segunda metade sem pressa.

Como circular durante o seu dia

Tudo neste itinerário fica a uma distância percorrível a pé da marginal, exceto o próprio Monte, e é por isso que o teleférico é o único transporte de que o dia realmente precisa. Se decidir não fazer o carro de cesto de vime, ou se o fizer e precisar de voltar do Livramento, um táxi é a opção mais simples; os táxis amarelos do Funchal encontram-se facilmente perto da marina e das estações do teleférico.

Não há necessidade de alugar um carro para um dia construído inteiramente em torno do centro da cidade — guarde isso para os dias em que for até às levadas ou à costa norte, onde conduzir na Madeira se torna verdadeiramente útil. Para uma visão mais alargada de como toda a cidade se encaixa para além deste circuito de um dia, Funchal num dia como guia mais alargado e o guia de tuk-tuk e tours pela cidade cobrem outras formas de ver o mesmo terreno, caso caminhar e o teleférico não sejam a sua preferência.

Funchal num dia: perguntas frequentes

Um dia é mesmo suficiente para conhecer bem o Funchal?

É suficiente para conhecer bem o núcleo da cidade: a Zona Velha, o mercado, o Monte e a marginal. Não chega para fazer também um passeio numa levada, o jardim botânico ou uma escapadela a Câmara de Lobos sem que o dia pareça uma lista de tarefas.

Devo combinar o Monte e o jardim botânico no mesmo dia?

Não. Ficam em lados opostos do Funchal, e fazer os dois a par da zona velha e do mercado leva o dia além de um ritmo confortável. Escolha um e guarde o outro para um segundo dia na cidade.

Preciso de reservar o teleférico até ao Monte com antecedência?

Normalmente dá para comprar bilhetes no próprio dia, na estação inferior, mas formam-se filas rapidamente entre o meio da manhã e o início da tarde, sobretudo quando há um navio de cruzeiro no porto. Subir logo após a abertura evita o pior.

O carro de cesto é a única forma de descer do Monte?

Não, e nem sequer é propriamente uma forma de voltar ao Funchal. Os carreiros apenas empurram o cesto até ao Livramento, a uns dois quilómetros do centro da cidade, pelo que ainda vai precisar de um táxi ou do teleférico para o resto do caminho.

Dá para encaixar Câmara de Lobos num itinerário de um dia pelo Funchal?

Não confortavelmente, a par do Monte e da zona velha. Câmara de Lobos merece uma visita própria, mais calma, idealmente como parte de meio dia pela costa sul, em vez de espremida num dia dedicado à cidade do Funchal.

Em que ordem devo visitar a Zona Velha e o mercado?

Vá primeiro ao Mercado dos Lavradores, enquanto as bancas de flores e fruta estão mais frescas e antes de chegarem os grupos de turistas, e depois entre na Zona Velha para um passeio mais calmo e o almoço.

O Funchal é percorrível a pé, ou preciso de transporte para uma visita de um dia?

O núcleo do itinerário, do mercado à zona velha até à estação inferior do teleférico, é percorrível a pé e maioritariamente plano ao longo da marginal. O único transporte realmente útil é o próprio teleférico, e um táxi ou autocarro de volta do Livramento caso opte pelo carro de cesto.

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