Dois Dias na Madeira: Funchal e as Montanhas
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Dois Dias na Madeira: Funchal e as Montanhas

Porquê Este Roteiro Se Cinge a Um Só Eixo

Dois dias na Madeira não chegam para percorrer a ilha inteira, e tentar fazê-lo é o erro mais comum entre quem visita a ilha pela primeira vez. Este itinerário escolhe um eixo e cumpre-o bem: um dia inteiro a pé no Funchal, seguido de um único circuito montanha-costa sul que passa pelo Pico do Arieiro, pelo Curral das Freiras e por Câmara de Lobos.

A costa norte, as levadas do Rabaçal e o Porto Santo ficam de fora propositadamente — merecem uma viagem mais longa, e para os conhecer bem veja o nosso itinerário de uma semana na Madeira ou a semana de caminhadas dedicada. Se tiver um terceiro dia disponível, o nosso itinerário de três dias mostra como prolongar a partir daqui.

Um carro de aluguer pequeno torna o segundo dia possível. Reserve-o antes de aterrar — veja o nosso guia de aluguer de carro sobre o que esperar nas estradas estreitas e íngremes da Madeira.

Dia 1: Funchal a Pé

Passe o primeiro dia inteiro no próprio Funchal. A cidade recompensa quem anda a pé, e nada neste dia exige carro — comece sem ele e guarde o levantamento do aluguer para a manhã do segundo dia.

Comece na Zona Velha e no seu ponto central, a Rua de Santa Maria. Desde 2010 dezenas das suas portas foram pintadas por artistas locais e visitantes no âmbito do projeto Arte Portas Abertas, e a rua é hoje a maior concentração de restaurantes noturnos da cidade. Percorra-a devagar de manhã, enquanto está tranquila, e depois volte já de noite, quando ganha realmente vida.

Da zona velha, siga para o Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco dos anos 1940. O piso térreo está repleto de fruta tropical e flores; o mercado do peixe no andar de cima é onde se vê a espada preta, o peixe-espada capturado em águas profundas ao largo da ilha, exposto por inteiro. Uma coisa que vale a pena saber antes de entrar: alguns vendedores que oferecem provas gratuitas de fruta depois pesam e cobram o que foi provado. Prove com critério, e combine o preço antes de qualquer coisa ser cortada. O nosso guia do mercado explica o que vale mesmo a pena comprar.

A meio da manhã, suba a pé (ou de teleférico) até ao Monte. O teleférico do Monte, em funcionamento desde 2000, sobe cerca de 560 metros a partir da zona velha em aproximadamente 15 minutos, com vistas sobre os telhados do Funchal e a baía durante todo o percurso. No topo, a igreja de Nossa Senhora do Monte guarda o túmulo de Carlos I da Áustria, que morreu ali exilado em 1922, e o Monte Palace Tropical Garden vale uma hora se gostar de jardins — é uma coleção diferente, mais selvagem, do que o Jardim Botânico mais abaixo, e os dois são fáceis de confundir ao planear.

É também aqui que se experimenta o carro de cesto do Monte, os trenós de vime empurrados por dois carreiros vestidos de branco com chapéu de palha, uma tradição que remonta a 1850. Vale a pena perceber bem o que é: um percurso de dois quilómetros a descer, com poucos minutos de duração, e não uma forma de voltar ao Funchal. O trajeto termina no Livramento, sensivelmente a meio da descida, sendo depois necessário táxi ou autocarro para completar o caminho.

De volta à cidade à tarde, um passeio guiado é a forma mais fácil de conhecer bem o centro sem repetir o mesmo caminho — um guia local também pode indicar onde estão as melhores provas ao longo do percurso.

um passeio guiado a pé pelo Funchal com provas de comida e vinho pelo caminho

Se preferir explorar sozinho, siga em direção à marina e à Sé Catedral, terminando na Blandy’s Wine Lodge para uma prova de vinho da Madeira antes do jantar. Vale a pena ler primeiro o nosso guia do vinho — os quatro estilos principais de casta vão do muito seco ao muito doce, e ajuda saber qual é qual antes de pedir.

Para jantar, volte à Zona Velha. A espetada — cubos de vaca grelhados num espeto de loureiro e servidos pendurados num suporte — e o bolo do caco, o pão achatado com manteiga de alho, são os dois pratos a pedir sem pensar muito. O nosso guia de gastronomia tem mais informação sobre ambos, além de sugestões para comer fora da zona mais turística.

Dia 2: Pico do Arieiro, Curral das Freiras e Câmara de Lobos

Este é o dia de montanha e costa sul, e exige carro e um início relativamente cedo — não para perseguir o nascer do sol, mas simplesmente para aproveitar a luz limpa da manhã antes de as nuvens tenderem a acumular-se sobre os picos à tarde.

Pico do Arieiro — como miradouro, não como travessia

A viagem de carro do Funchal até ao Pico do Arieiro demora bem menos de uma hora, subindo até aos 1.818 metros, o terceiro ponto mais alto da ilha e o único dos três grandes picos a que a estrada realmente chega. Este itinerário trata-o apenas como paragem de miradouro: estacionar, percorrer o pequeno troço pavimentado junto ao topo para apreciar a vista, e regressar. É uma escolha deliberada.

A versão mais famosa disto — uma subida antes do amanhecer para ver o nascer do sol acima do mar de nuvens — é a experiência mais reservada de toda a Madeira, e é genuinamente espetacular quando resulta. Mas depende inteiramente do tempo em altitude, que pode fechar-se em minutos e deixar apenas névoa cinzenta, sem devolução pelo sono perdido.

Encaixada numa viagem de dois dias sem manhã de reserva, apostar a única janela de nascer do sol no tempo da montanha é uma má troca. Se um nascer do sol em altitude lhe interessar o suficiente para aceitar esse risco, faça-o numa viagem mais longa em que uma segunda tentativa seja possível — veja o nosso guia do nascer do sol no Arieiro para planear bem as probabilidades.

O que este itinerário faz em vez disso: chegar ao Arieiro a meio da manhã, quando o pior das nuvens do amanhecer já costuma ter dissipado, apenas pela vista. Leve sempre uma camada extra, seja qual for a estação — as temperaturas no cume aproximam-se de zero nas manhãs de inverno mesmo quando o Funchal está entre os 18 e os 20 graus, e o vento no miradouro faz sentir ainda mais frio. Todos os detalhes sobre o que vestir estão no nosso guia do clima na montanha.

A travessia completa PR1 daqui até ao Pico Ruivo — cerca de 7 quilómetros num só sentido, três túneis, três a quatro horas de caminhada com necessidade de transporte de apoio no extremo — não cabe de todo neste plano. É um dia sério por si só e pertence a uma viagem de caminhadas dedicada; veja o nosso guia do percurso PR1 e o guia de licenças e trilhos se uma visita mais longa lhe permitir enfrentá-la. Se preferir deixar a logística do pico e da descida a cargo de um guia, existe um passeio privado que liga o miradouro do nascer do sol ao vale que se visita a seguir.

um passeio guiado que combina o Pico do Arieiro e o Curral das Freiras

Curral das Freiras — o vale das freiras

A partir do Arieiro, desça em direção ao Curral das Freiras, o “vale das freiras”, situado na base de um dramático anfiteatro vulcânico. Pare primeiro no miradouro da Eira do Serrado, logo acima — toda a aldeia e o anel de picos à sua volta abrem-se a partir da estrada aqui, e é a melhor paragem fotográfica do dia.

Lá em baixo, na própria aldeia, esta é terra de castanhas: castanhas assadas, sopa de castanha e o licor de castanha local são o que procurar numa paragem para café, sem pressa em percorrer a praça.

uma excursão de meio dia ao miradouro da Eira do Serrado, acima do Curral das Freiras

Câmara de Lobos — de volta à costa

Desça de volta em direção à costa sul e termine em Câmara de Lobos, a vila piscatória onde Winston Churchill pintou em 1950. O porto é pequeno e percorre-se a pé em meia hora, mas o verdadeiro motivo para parar é a poncha — a aguardente de cana-de-açúcar da Madeira, batida com mel e limão num caralhinho de madeira — que aqui se bebe mais do que em quase qualquer outro ponto da ilha. O nosso guia da poncha explica a versão clássica de pescador e em que difere das versões mais doces, com fruta, pensadas para visitantes.

De Câmara de Lobos é uma viagem curta de regresso ao Funchal para jantar, fechando o ciclo onde o primeiro dia começou.

Dois Dias, de Relance

DiaFocoTempo de conduçãoCarro necessário
Dia 1Zona Velha do Funchal, Mercado dos Lavradores, MonteNenhumNão
Dia 2Pico do Arieiro, Curral das Freiras, Câmara de LobosCerca de 1,5–2 horas no totalSim

O Que Este Itinerário Deixa de Fora

Ser claro sobre o que não cabe importa tanto quanto o próprio plano. Este roteiro deixa de fora toda a costa norte — Porto Moniz e as suas piscinas naturais de lava, Santana e as suas casas de colmo, São Vicente — porque chegar ao norte e fazer-lhe justiça precisa de um dia só para isso; o nosso guia norte versus sul mostra o que ficaria de fora.

Deixa também de fora as levadas do Rabaçal e das 25 Fontes, os trilhos clássicos sinalizados que exigem licença de trilho reservada e várias horas dedicadas, e o Porto Santo, a ilha irmã a que se chega de ferry, sem garantia fixa de horário em caso de mau tempo. Todas estas são extensões naturais se conseguir alargar esta viagem a uma semana — o nosso guia dos melhores miradouros e o itinerário completo de uma semana retomam precisamente onde este termina.

Para uma alternativa com menos esforço ao circuito Arieiro-e-vale, há excursões guiadas de meio dia que combinam caminhada ligeira com um percurso todo-o-terreno em 4x4 pela mesma zona geral, úteis para quem preferir não conduzir pelas estradas de montanha.

um passeio privado de meio dia a pé e em 4x4 pelas montanhas

E se dois dias lhe deixarem vontade de uma caminhada a sério em vez de uma simples paragem de miradouro, uma excursão de caminhada vulcânica mais longa a partir do Funchal vai mais fundo no terreno do que o horário deste itinerário permite.

uma excursão de caminhada vulcânica de dia inteiro a partir do Funchal

Notas Práticas

O Funchal é a base óbvia para as duas noites: tudo no primeiro dia é acessível a pé a partir da Zona Velha, e a viagem do segundo dia até ao Arieiro começa no mesmo ponto. Levante o carro de aluguer na manhã do segundo dia em vez de no aeroporto à chegada — não há necessidade de pagar estacionamento na cidade no primeiro dia, quando se anda a pé de qualquer forma.

O orçamento para este itinerário situa-se na faixa média: dois dias de aluguer de carro, dois jantares com vinho, uma prova de vinho e paragens para café somam cerca de 150 a 200 euros por pessoa e por dia, em linha com os custos típicos em toda a ilha. Veja o nosso guia de orçamento para uma análise mais completa, e confirme as condições atuais no nosso guia da melhor altura para visitar antes de fixar datas — as nuvens no Arieiro são bastante mais comuns em certos meses do que noutros.

Dois Dias na Madeira: As Suas Perguntas Respondidas

Dois dias chegam para conhecer a Madeira?

Chegam para uma boa primeira impressão, não para a ilha inteira. Este roteiro cobre bem o Funchal e um eixo montanha-costa sul; a costa norte, o Porto Santo e a rede de trilhos completa ficam para uma visita mais longa.

Preciso de carro para este itinerário?

Sim. O Pico do Arieiro, o Curral das Freiras e Câmara de Lobos não estão realisticamente ligados por autocarro público num único dia. Um carro de aluguer pequeno é a forma mais simples de fazer este roteiro ao seu próprio ritmo.

E se o nascer do sol no Pico do Arieiro estiver encoberto?

Acontece com frequência suficiente para nunca se apostar nisso na única manhã disponível. Este itinerário trata o Arieiro como uma paragem de miradouro a meio da manhã, com a possibilidade real de nuvens de qualquer forma, sem despertador cedo dependente de uma previsão que pode mudar em minutos.

É preciso pagar para fazer trilhos neste itinerário?

Este roteiro não inclui nenhuma levada nem trilho PR oficial, por isso não se aplica taxa de trilho. Se acrescentar qualquer percurso PR sinalizado, incluindo troços curtos perto do Arieiro, conte com uma pequena taxa por pessoa e por dia, a reservar com antecedência.

Consigo fazer a travessia completa do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo em dois dias?

Não a par de tudo o resto deste plano. Só a travessia PR1 precisa de três a quatro horas em cada sentido, com túneis e degraus íngremes, além de um transporte de apoio no carro. Pertence a uma semana de caminhadas dedicada, não a uma viagem de dois dias entre o Funchal e as montanhas.

O que devo vestir no Pico do Arieiro?

Camadas de roupa, mesmo que o Funchal esteja quente. A 1.818 metros a temperatura pode aproximar-se de zero no início da manhã enquanto a costa está entre os 18 e os 20 graus, e o vento no miradouro faz sentir ainda mais frio.

Vale a pena o desvio até ao Curral das Freiras?

Sim, sobretudo combinado com o miradouro da Eira do Serrado, logo acima. O vale é uma das paragens curtas mais dramáticas da ilha, e fica convenientemente no caminho de regresso do Arieiro em direção à costa sul.

Onde devo ficar hospedado para este itinerário?

No Funchal, idealmente num local com acesso a pé à Zona Velha, já que os dois dias começam e terminam ali. Isso também mantém a viagem até ao Pico do Arieiro no segundo dia com bem menos de uma hora.

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