A vila que todos os postais da Madeira tentam retratar
Se já viu uma fotografia da Madeira com uma casa triangular de brinquedo, telhado vermelho a descer quase até ao chão, pintada em faixas de branco e azul — foi muito provavelmente tirada em Santana. A vila fica na costa norte, entre Faial e São Jorge, um centro agrícola ativo, com supermercado, escola e trânsito normal, à volta de um pequeno conjunto de edifícios que se tornou a peça de arquitetura vernacular mais fotografada da ilha.
Esses edifícios são as casas de colmo, e é exatamente disso que trata esta página: o que são, quais se podem realmente visitar por dentro, como lá chegar, e a única coisa que quase todos os artigos rápidos sobre o tema erram. Não abrange o parque florestal das Queimadas nem a Levada do Caldeirão Verde, que começam a uma curta distância de carro de Santana e têm página própria — veja o guia da levada do Caldeirão Verde se foi essa caminhada até à cascata que o trouxe aqui.
O que é realmente uma casa de colmo
Uma casa de colmo é uma pequena casa retangular com um telhado muito inclinado, coberto com uma erva local chamada colmo, que desce baixo para os dois lados — vista de longe, a linha do telhado parece quase uma tenda montada sobre paredes de pedra. O desenho é antigo e prático: a costa norte da Madeira recebe a chuva mais intensa da ilha, e um telhado de colmo muito inclinado escoa a água depressa e isola muito melhor da humidade do que os telhados planos ou pouco inclinados de telha, comuns no sul mais soalheiro.
O estilo nunca foi exclusivo de Santana. Havia versões dele em toda a freguesias do norte, onde as famílias cultivavam pequenos socalcos e precisavam de abrigo barato e à prova de intempéries, perto dos campos. O que tornou Santana especial foi ter-se tornado o lugar onde o estilo foi preservado e posto em exibição, em vez de deixado a cair aos pedaços à medida que as famílias se mudavam para casas de betão com canalização como deve ser — o que aconteceu em quase todo o resto da ilha ao longo da segunda metade do século XX.
O facto mais importante a reter: as casas que se fotografam no centro de Santana são reconstruções mantidas para os visitantes, não são originais sobreviventes nem são a casa de ninguém. Três delas ficam juntas num pequeno relvado no meio da vila, pintadas nas cores tradicionais vermelho, branco e azul, mobiladas por dentro com utensílios e objetos domésticos de época, e existem precisamente para que o estilo não desapareça de vista.
Um punhado de casas de colmo genuínas e mais antigas ainda sobrevive espalhado pela zona rural envolvente e nas freguesias vizinhas, ainda usadas como arrecadações ou, ocasionalmente, como alojamento de férias, mas são propriedade privada, não fazem parte de nenhuma visita organizada, e não deve esperar encontrar ou entrar numa delas numa paragem casual.
As três casas no centro da vila
O trio visitável fica junto, a uma curta caminhada do principal parque de estacionamento de Santana, e a visita é descontraída e gratuita. Cada casa é pequena, pelo que se passam apenas alguns minutos lá dentro — há uma sala de estar com mesa, cadeiras e uma lareira a lenha, e uma zona de dormir mobilada para sugerir como uma família agrícola teria usado o espaço. Nada está vedado nem tem muito acompanhamento por parte de funcionários; simplesmente entra-se, observa-se e sai-se de novo para o jardim entre elas.
Por serem reconstruções e não originais frágeis, não há bilhete, nem hora marcada, nem é preciso guia, o que faz delas uma das paragens de “coisa grátis para fazer” mais fáceis de toda a ilha. A contrapartida é estar a ver uma versão cuidada e arranjada do estilo, em vez de um edifício habitado com décadas de desgaste genuíno — vale a pena saber isto antes de chegar, para julgar a visita pelo que realmente é.
| O quê | Detalhe |
|---|---|
| Custo de entrada | Gratuito |
| Tempo necessário | 10-20 minutos para as três casas |
| Fotografia | Permitida, sem restrições assinaladas |
| Condição do interior | Mobilado, conservado, não é material original |
| Estacionamento próximo | Parque de estacionamento da vila a curta distância a pé |
Como chegar a Santana
Santana fica na estrada costeira ER101, a cerca de 45 km do Funchal, e a rota mais rápida é pelo interior, pela via rápida VE1, antes de descer até à costa — conte com cerca de uma hora com trânsito normal. É uma das viagens de carro mais confortáveis da costa norte da ilha: as vias de acesso são mais largas do que as estradas costeiras mais antigas, mais a oeste, embora continue a ser a Madeira, portanto conte com curvas apertadas e declives acentuados assim que sair da via rápida. Veja conduzir na Madeira e aluguer de carro na Madeira se ainda não reservou um carro — um pequeno automóvel manual continua a ser a opção mais fácil para este tipo de percurso.
Há autocarros públicos que ligam o Funchal a Santana, operados pelas transportadoras que servem a costa norte, mas com frequência suficientemente reduzida para que um dia de condução independente ou um passeio organizado sejam a opção mais realista para a maioria dos visitantes, sobretudo se quiser combinar a vila com outras paragens da costa norte no mesmo dia. Se preferir não conduzir pelas estradas de montanha, um
passeio guiado de 4x4 pela floresta esmeralda e cascatas do norte
costuma passar por Santana ou perto dela como parte de um circuito mais amplo, o que elimina a condução sem perder a paisagem.
Fazer disto um dia completo
Sozinha, Santana é uma paragem curta — a maioria dos visitantes está de volta ao carro em uma ou duas horas. Ganha valor quando combinada com o resto da costa norte, e a vila funciona bem como ponto intermédio, não como destino final.
A oeste, São Vicente e o Porto Moniz acrescentam grutas vulcânicas e piscinas naturais ao mesmo circuito; a leste, Porto da Cruz e Faial ficam perto, com o perfil dramático da Penha de Águia visível da estrada costeira.
Para o interior e ligeiramente a sul, São Jorge, Arco de São Jorge e Boaventura são freguesias agrícolas mais tranquilas na mesma zona, e valem uma passagem de carro devagar se gostar do lado rural e menos polido do norte, em vez das atrações mais conhecidas. Para uma sugestão de percurso completo, o guia de um dia pelo norte da Madeira apresenta uma ordem sensata para encadear estas paragens, e a comparação mais ampla norte versus sul da Madeira explica porque esta costa parece e sente-se tão diferente do lado do Funchal.
Um
passeio privado de 4x4 pela costa norte e este
é uma forma prática de ver várias destas aldeias numa só saída sem ter de refazer o próprio percurso de carro, e tira a pressão do planeamento da rota numa costa onde a sinalização entre pequenas freguesias nem sempre é generosa.
Comer e beber em Santana e arredores
Santana fica em zona genuína de produção de vinho e sidra, e a freguesia é conhecida localmente por uma vinificação tradicional em pequena escala, distinta do vinho da Madeira fortificado produzido em torno do Funchal e de Câmara de Lobos. Se uma visita a uma vinha lhe interessa, uma
experiência de prova de vinho e vindima com almoço em Santana
junta a visita a uma vinha em atividade a uma refeição sentada, e é um bom ponto de referência para o meio do dia se não estiver com pressa entre as casas de colmo e a paragem seguinte na costa.
Para contexto sobre as tradições vinícolas da ilha em geral — incluindo em que diferem do que vai provar aqui — os guias vinho da Madeira explicado e guia da poncha tratam das duas bebidas que os visitantes mais perguntam.
Quanto a comida, a vila tem restaurantes locais diretos, servindo pratos madeirenses típicos, mais do que uma oferta gastronómica densa, por isso não espere a variedade do Funchal. O guia gastronómico da Madeira e a página sobre espetada e bolo do caco valem a leitura antes de partir, se quiser reconhecer o que vem na ementa; uma paragem em Santana é um bom sítio para experimentar os dois, longe dos restaurantes mais virados para turistas da zona velha do Funchal.
Fotografar bem as casas
Como as três casas visitáveis ficam juntas em espaço aberto, a melhor luz é de manhã cedo ou ao fim do dia, quando o sol está suficientemente baixo para realçar a textura do colmo e da pintura sem achatar tudo sob o brilho do meio-dia. A vila também está sujeita a um risco real de nebulosidade da costa norte, por isso um plano que trate Santana como uma paragem flexível, em vez de um compromisso fixo — visitada sempre que o tempo nesta zona da costa estiver limpo — tende a produzir melhores fotografias do que um itinerário rígido.
Vale a pena notar para quem procura uma fotografia específica: por serem uma exibição mantida e não uma rua habitada, costuma ter o pequeno jardim entre elas praticamente só para si fora das chegadas de autocarros turísticos, que se concentram por volta do meio-dia. Chegar na primeira ou última hora de abertura costuma evitar a janela mais movimentada.
Uma breve história
O próprio estilo de telhado de colmo é antigo, ligado ao microclima particularmente húmido de Santana e a uma economia agrícola de pequenos socalcos que precisavam de abrigo barato e rápido de construir, perto da terra trabalhada. À medida que a construção em betão se espalhou pela Madeira ao longo do século XX, o estilo desapareceu do uso quotidiano em quase todo o lado, incluindo nas próprias quintas de Santana.
Os exemplares mantidos no centro da vila foram criados especificamente para manter o aspeto visível para residentes e visitantes depois de ter deixado de ser a forma como alguém realmente construía casas novas — uma amostra preservada de uma tradição construtiva, não uma aldeia sobrevivente delas. Para a história mais ampla da ilha, desde a sua descoberta pelos navegadores portugueses em 1419, veja história da Madeira.
Santana e as casas de colmo: as suas perguntas respondidas
As casas de colmo de Santana são edifícios verdadeiros e originais?
Não. As três casas de colmo no centro da vila são reconstruções mantidas, construídas e conservadas para preservar o estilo construtivo local para os visitantes. Estão mobiladas e cuidadas, mas ninguém vive nelas, e não são estruturas originais que tenham sobrevivido inalteradas desde que foram construídas.
É grátis visitar as casas de colmo?
Sim, não há bilhete nem taxa de entrada para percorrer e entrar nas três casas no centro da vila. A visita é rápida, informal e sem acompanhamento notório de funcionários, o que a torna uma paragem fácil de encaixar num percurso mais longo pela costa norte.
Quanto tempo devo prever para uma visita a Santana?
A maioria dos visitantes precisa de 10 a 20 minutos para as três casas em si, e de uma a duas horas para a vila em geral, se acrescentar um café, um passeio pelas ruas ou uma prova de vinho. Santana funciona melhor como uma paragem dentro de um dia mais longo pela costa norte do que como um dia completo à parte.
Como se vai do Funchal a Santana?
A rota mais direta é de carro, pela via rápida VE1 até à estrada costeira ER101, demorando cerca de uma hora para os aproximadamente 45 km. Há autocarros que partem do Funchal, mas com frequência limitada, por isso a maioria dos visitantes independentes prefere conduzir por conta própria ou juntar-se a um passeio organizado que inclua Santana como parte de um circuito mais amplo pela costa norte.
Santana inclui a Levada do Caldeirão Verde ou o parque florestal das Queimadas?
Não. Esta página trata apenas da vila e das suas casas de colmo. O parque florestal das Queimadas e a caminhada da Levada do Caldeirão Verde que começa a partir dele ficam a uma curta distância de carro de Santana e têm a sua própria página dedicada, ligada acima, por serem uma caminhada de meio dia à parte, e não parte de uma paragem na vila.
Posso passar a noite numa casa de colmo em Santana?
Não nas três casas mantidas no centro da vila — essas são uma exibição para visitantes, não alojamento. Existe um pequeno número de propriedades genuínas ou de estilo reproduzido, com telhado de colmo, disponíveis como alojamento de férias privado noutros pontos da freguesia, mas reservam-se como um alojamento de autogestão normal, e não através de qualquer visita à exibição da vila.
Vale a pena visitar Santana se já vi fotografias das casas online?
A maioria dos visitantes continua a achar que vale a pena, sobretudo porque Santana funciona bem como paragem dentro de um dia mais longo pela costa norte, em vez de ser um destino autónomo — a própria viagem, por encostas em socalcos e junto à costa perto de Faial e Porto da Cruz, é grande parte do interesse. Trate as casas como um ponto de referência curto e gratuito para um circuito mais longo, e não como toda a razão da viagem.
O que mais há por perto se tiver um dia inteiro?
O Porto Moniz e as suas piscinas naturais, as grutas vulcânicas de São Vicente, e as freguesias mais pequenas de São Jorge e Arco de São Jorge ficam todas a uma distância confortável de carro de Santana, ao longo do mesmo troço de costa. Um
passeio privado de 4x4 ao nascer do sol pelas maravilhas do lado este da ilha
ou uma rota a partir do Porto Moniz ao longo da costa norte em 4x4 são duas formas de ver vários destes lugares sem ter de planear a rota sozinho.


