As Casas de Colmo de Santana: Um Guia Completo
História & património

As Casas de Colmo de Santana: Um Guia Completo

Resposta rápida

Pode-se visitar as casas de colmo em Santana?

Sim. Três casas de colmo encontram-se no centro da vila de Santana e estão abertas aos visitantes. São reconstruções mantidas em vez de casas habitadas, construídas para preservar o estilo e não para alojar uma família hoje em dia.

O que são realmente as casas de colmo

Todas as fotografias da costa norte da Madeira acabam por incluí-las: um conjunto de pequenas casas triangulares com telhados de colmo íngremes que descem quase até ao chão, com as estruturas de madeira pintadas de vermelho, branco e azul. Ficam no centro de Santana, uma vila agrícola na costa nordeste, e são a peça de arquitetura vernacular mais fotografada da ilha. Três delas estão abertas aos visitantes, e este guia é sobre essas três especificamente — o que são, o que não são, e como as ver sem perder uma manhã inteira.

Antes de chegar, é importante ter a perspetiva certa: são reconstruções mantidas como exposição patrimonial, não casas com alguém a viver lá dentro. Encare-as assim e a visita de quinze minutos faz todo o sentido. Encare-as como uma vila habitada e sairá confuso por não ver roupa estendida lá fora nem perceber porque as portas estão fechadas à noite.

As três casas que se podem visitar

As casas-modelo ficam juntas num pequeno relvado no meio de Santana, a curta distância da estrada principal que atravessa a vila e perto do posto de turismo. Cada uma é compacta — uma ou duas divisões, portas baixas, uma lareira ou uma mesa simples lá dentro — e cada uma está mobilada para sugerir como viveria uma família rural de Santana há mais de um século: bancos de madeira, cântaros de barro, uma roca de fiar numa delas, alfaias agrícolas noutra. Não precisa de guia nem de bilhete; simplesmente entra.

Como são apenas três, e cada uma leva poucos minutos, não planeie mais de vinte minutos para a visita em si. Quem chega à espera de um museu ao ar livre do tamanho de uma vila costuma ficar desiludido; quem chega à espera de três exemplos bem conservados de um estilo de construção em vias de desaparecer costuma gostar exatamente do que encontra. Se quiser a história completa de como a Madeira foi colonizada e cultivada desta forma, isso está coberto no guia de história da ilha e não repetido aqui — esta página fica-se pelas casas propriamente ditas.

Um zelador ou uma associação local trata da manutenção dos telhados e da pintura, o que vale a pena saber porque o colmo não dura para sempre: um telhado de palha bem mantido, neste clima, precisa de ser recolmado a cada poucos anos, e a frescura que se vê nas fotografias é o resultado de trabalho contínuo, não algo que sobreviveu séculos intacto.

Porque é que o telhado tem essa forma

O perfil triangular não é decorativo. Santana fica no lado húmido e enevoado da ilha, virado a norte, na zona mais chuvosa e ventosa da Madeira habitada, perto da orla da floresta Laurissilva. Um telhado que desce numa linha íngreme e reta quase até ao chão escoa a chuva forte rapidamente e apresenta muito pouca superfície plana para o vento agarrar, o que importa quando as tempestades chegam do Atlântico. O desenho também usa relativamente pouca madeira estrutural, uma vantagem numa época em que a boa madeira tinha de ser trazida dos vales ou da orla da floresta em vez de comprada.

As paredes por baixo do colmo são normalmente baixas, por vezes com pouco mais de cintura de altura, sendo o telhado a fazer a maior parte do trabalho de fechar o espaço. Os caixilhos de portas e janelas são pintados em cores fortes — vermelho, branco e azul sendo a combinação mais associada a Santana, embora se vejam variações locais — sobretudo para se destacarem contra as paredes de pedra clara e o colmo pálido. Não há um significado fixo por trás das cores específicas; tornou-se uma convenção local em vez de um código a decifrar.

Este é um estilo construtivo adaptado a um troço muito específico da costa, e vale a pena lembrar que nenhum outro ponto da ilha constrói assim — não encontrará casas de colmo no Funchal nem ao longo da costa sul, mais seca, apenas aqui a norte, em torno de Santana e das freguesias vizinhas.

O que não são

Esta é a parte que vale a pena dizer sem rodeios. As três casas de colmo no centro da vila não estão habitadas. Ninguém cozinha ali uma refeição à noite, ninguém dorme ali, e a mobília lá dentro é uma exposição de época, não os pertences de alguém. São mantidas especificamente para os visitantes terem algo de aspeto autêntico para ver, e essa manutenção é um trabalho de conservação deliberado e contínuo, não uma família a passar o seu dia-a-dia.

É verdade que um pequeno número de casas de colmo genuinamente antigas sobrevive disperso em terrenos agrícolas em torno de Santana e de vilas vizinhas como São Jorge e Arco de São Jorge, algumas ainda em mãos de famílias, outras usadas como arrecadação em vez de habitação. Estão em terrenos privados, sem sinalização para visitantes, e não fazem parte de nenhum percurso oficial — por isso não vale a pena procurar “as verdadeiras” à espera de um trilho público. O que se pode ver de forma fiável e respeitosa é o trio no centro da vila, e essa é a resposta honesta e completa a “posso visitar uma casa de colmo em Santana.”

Chegar a Santana e combinar a visita

Santana fica na costa norte, a cerca de quarenta e cinco minutos a uma hora de carro do Funchal, dependendo do percurso escolhido — o sistema de vias rápidas VE1/VR1 cobre parte do trajeto, com um troço final de estrada costeira ou de montanha mais lenta até à própria vila. Estacionar perto do centro da vila é fácil fora das horas de maior movimento ao meio-dia.

A maioria dos visitantes não vai a Santana apenas pelas casas. A vila funciona bem como uma paragem num roteiro mais amplo da costa norte, e fica perto de algumas das melhores caminhadas curtas da ilha. As Queimadas, a uma curta distância de carro acima de Santana, são o ponto de partida da Levada do Caldeirão Verde — uma das favoritas de sempre, coberta em detalhe no guia da levada do Caldeirão Verde — e a floresta em torno das Queimadas já dá uma verdadeira noção da Laurissilva antes mesmo de dar um passo nela.

Se um percurso completo de levada não estiver nos planos, mesmo os caminhos curtos em torno das próprias casas de colmo das Queimadas (também elas mantidas em vez de habitadas, pelas mesmas razões que as de Santana) já rendem uma meia hora agradável.

O Parque Temático da Madeira, a curta distância a pé do centro da vila, tem exposições vocacionadas para famílias sobre a cultura, agricultura e geologia da ilha, e combina bem com as casas se estiver a viajar com crianças. Para um olhar privado sobre a vila que vai além dos quinze minutos de visita, um passeio guiado pode enquadrar as casas junto com o parque:

um passeio privado que combina o parque temático de Santana com a vila e as suas casas de colmo

Integrar a visita num dia na costa norte

Santana raramente justifica um dia inteiro dedicado só a ela, mas encaixa naturalmente num roteiro mais longo da costa norte, passando por Porto da Cruz, Faial e Boaventura pelo caminho, ou uma caminhada nas Queimadas antes de regressar por cima da montanha. Se preferir não planear a condução, um passeio guiado pela zona leste cobre a maior parte deste percurso:

um passeio guiado pela costa leste, construído especificamente em torno de Santana e das suas casas de colmo

Vários operadores também integram Santana num itinerário mais amplo pela zona leste da ilha, junto com miradouros, vilas costeiras e uma condução panorâmica de regresso:

um passeio de meio-dia por Santana e pela zona rural mais alargada a leste

Se um ritmo mais lento e verde lhe convier melhor do que um lugar num autocarro, um percurso de 4x4 pela floresta acima de Santana em direção às cascatas da ilha vale a pena considerar:

um passeio de 4x4 pela floresta com paragem em cascatas perto de Santana

E para quem tiver um interesse mais agrícola do que arquitetónico na zona, Santana fica também na região vinícola da Madeira, com visitas na época das vindimas que combinam um ambiente de quinta com a mesma paisagem rural que moldou a tradição das casas de colmo:

uma prova de vinho e experiência de vindima com almoço perto de Santana

Santana num relance

O quêDetalhe
Número de casas de colmo visitáveisTrês, no centro da vila
Custo de entradaGratuito (horário limitado)
Tempo necessário15–20 minutos só para as casas
Estão habitadasNão — reconstruções mantidas
Ponto de partida de levada mais próximoQueimadas, a curta distância de carro acima da vila
Distância de condução desde o FunchalAproximadamente 45–60 minutos
Melhor combinaçãoParque Temático de Santana, Queimadas, um roteiro mais amplo pela costa norte

O que ver e comer nas proximidades

O outro grande atrativo de Santana é claramente rural: pequenas quintas, gado leiteiro em encostas verdes íngremes, e alguns dos produtos mais frescos da ilha, fora de uma banca de mercado. Se a comida fizer parte do plano, a cozinha ao estilo da costa norte assenta nos mesmos ingredientes abordados no guia gastronómico da ilha, e o guia da espetada e do bolo do caco vale a pena ler antes de se sentar em qualquer lugar na vila — ambos os pratos aparecem nas ementas por Santana tão frequentemente como no Funchal.

Para uma visão mais alargada do que a costa norte oferece para além de uma vila, o guia de um dia na Madeira norte apresenta um roteiro mais completo, e o guia dos melhores miradouros assinala algumas paragens que vale a pena acrescentar no caminho de ida ou de volta. Santana tem a sua própria lista de atividades dedicada, caso queira ver tudo o que há para fazer num só lugar: o que fazer em Santana.

As casas de colmo de Santana: as suas perguntas respondidas

As pessoas ainda vivem nas casas de colmo de Santana?

Não, pelo menos não as que os visitantes veem no centro da vila. O punhado de casas de colmo que continua habitado está disperso em terrenos privados fora da zona visitável, e não faz parte de nenhum percurso público.

Quantas casas de colmo se pode realmente visitar por dentro?

Três, no pequeno núcleo no centro de Santana. Estão mobiladas como uma exposição de época, e cada uma é pequena o suficiente para que a visita dure apenas alguns minutos.

Porque é que as casas têm forma triangular?

O telhado íngreme de duas águas, que desce quase até ao chão, escoa a chuva intensa de Santana e resiste ao vento forte, precisando de muito menos madeira estrutural do que uma casa com paredes verticais.

O que significam as cores vermelha, azul e branca da pintura?

Não há um simbolismo fixo. As cores destacam os caixilhos das portas e janelas contra as paredes claras e o colmo dourado, e a combinação tornou-se a imagem de marca da vila em vez de um código com significado.

Há taxa de entrada nas casas de colmo?

As três casas-modelo no centro da vila são gratuitas para visitar, embora o horário seja limitado e valha a pena confirmar localmente, já que por vezes um zelador as fecha fora das horas de maior afluência.

Quanto tempo é preciso para visitar Santana?

As casas em si levam entre quinze e vinte minutos. A maioria dos visitantes combina-as com o Parque Temático da Madeira em Santana ou uma paragem nas Queimadas a caminho da Levada do Caldeirão Verde, transformando a visita num dia inteiro em meio-dia.

Vale a pena visitar Santana mesmo sem ver as casas?

Sim. Santana fica na orla da floresta Laurissilva, com algumas das melhores caminhadas curtas da costa norte a começar perto dali, pelo que a vila funciona como base mesmo sem as casas de colmo como atração.

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