Funchal: Guia da Capital da Madeira
Funchal & Monte

Funchal: Guia da Capital da Madeira

Guia do Funchal: as portas pintadas da Zona Velha, o Mercado dos Lavradores e o teleférico para o Monte — a cidade que ancora qualquer viagem à Madeira.

Factos rápidos

Teleférico para o Monte
Cerca de 15 minutos, subida de 560 m
Orçamento diário na cidade
€40–90 por pessoa
Melhor época para visitar
Todo o ano; mais calmo em maio–junho
Tempo necessário
Meio dia no mínimo, um dia inteiro com o Monte
Ideal para
Visitantes de primeira viagem que usam o Funchal como base, Amantes de gastronomia e mercados, Quem quer combinar a cidade com um dia nas montanhas, Passageiros de cruzeiro com um único dia em terra, Jantares ao fim do dia e provadores de vinho
Melhor época para visitar
Todo o ano. Dezembro é espetacular pelo fogo de artifício da passagem de ano, mas os preços dos hotéis duplicam; maio e junho são mais calmos e mais verdes.
Dias necessários
1–2 dias, mais tempo se o Funchal for a sua base para toda a viagem
Resposta rápida

O que se deve realmente fazer no Funchal?

Percorra a Zona Velha e a Rua de Santa Maria para ver as portas pintadas, passe uma manhã no Mercado dos Lavradores entre flores e o piso do peixe, e suba de teleférico até ao Monte pela vista e pelos jardins. Todo o resto — o carro de cesto, a Sé, o Museu CR7 — fica a um curto passeio destes três pontos.

A cidade por onde todos passam

O Funchal é onde quase todas as viagens à Madeira começam e, para muitos visitantes, onde permanecem. É a capital da região autónoma, lar de cerca de 105 000 dos 250 000 residentes do arquipélago, construída num anfiteatro natural que sobe de um pequeno porto por encostas vulcânicas íngremes em direção às montanhas. O nome vem de funcho, o feto silvestre que outrora cobria a baía quando o capitão português João Gonçalves Zarco aqui aportou em 1419 — um ano depois de Bartolomeu Perestrelo e Tristão Vaz Teixeira já terem chegado ao Porto Santo.

O Funchal não é um único ponto turístico a assinalar. É uma base: um lugar com uma verdadeira zona velha, um mercado a funcionar, bons restaurantes e — através de uma curta viagem de teleférico — acesso direto às colinas frescas e verdes acima da costa. Esta página aborda a cidade em si como ponto de ancoragem. O carro de cesto no Monte, o Museu CR7, o passeio do Lido e a Praia Formosa, a Sé e os jardins da Quinta do Palheiro têm as suas próprias páginas de detalhe, ligadas mais abaixo em vez de repetidas aqui.

Zona Velha: a cidade velha e as suas portas pintadas

A Zona Velha — o antigo bairro piscatório do Funchal, entre a marina e o centro da cidade — é a parte do Funchal que fica melhor em fotografia e que recompensa uma caminhada sem pressa. As suas ruelas estreitas descem até uma pequena praia de seixos e um porto em atividade, ainda dominados pelas muralhas quinhentistas da Fortaleza de São Tiago.

A rua que os visitantes recordam é a Rua de Santa Maria. Desde 2010, um projeto chamado Arte Portas Abertas transformou dezenas de portas de lojas e casas da rua em pinturas individuais — algumas divertidas, outras políticas, outras simplesmente belas, repintadas e renovadas ao longo dos anos à medida que os artistas se sucedem.

É gratuito percorrê-la, fica melhor na luz suave do final da tarde, e é também a concentração mais densa de restaurantes para jantar na cidade velha, pelo que passear aqui de dia e sentar-se à mesa depois de escurecer é a forma natural de a conhecer. Para uma versão mais pausada e guiada do bairro, com provas incluídas, uma

visita guiada a pé pelo Funchal com provas

é uma forma simples de obter contexto sobre ruas que, vistas de fora, parecem apenas mais um beco bonito.

Para além da Rua de Santa Maria, vale a pena percorrer a Zona Velha sem grande plano: barcos de pesca puxados para o cascalho, pequenas capelas e vistas de volta sobre o anfiteatro da cidade em direção às colinas. A cidade velha é compacta o suficiente para se ver com calma em duas ou três horas, mais se parar para comer.

Mercado dos Lavradores: flores, fruta e o piso do peixe

A dez minutos a pé da Zona Velha, o Mercado dos Lavradores é a outra paragem imperdível do Funchal, e aquela que os visitantes mais frequentemente erram ao aparecer à tarde, quando as melhores bancas já esvaziaram. Vá de manhã.

Construído em 1940 em estilo Art Déco — azulejos geométricos, linhas municipais depuradas, um pátio central — o mercado tem três níveis distintos. O pátio de entrada é ocupado por floristas em trajes tradicionais, com bancas cheias de estrelícias e orquídeas. O piso térreo é de fruta e legumes, repleto de produtos tropicais que não crescem no continente: anona, maracujá, bananas cultivadas a poucos quilómetros da banca.

O piso superior é o mercado do peixe, e é a parte que mais surpreende os visitantes: peixe-espada preto inteiro, trazido de várias centenas de metros de profundidade em canhões de águas profundas ao largo da costa, exposto com o seu corpo em forma de enguia, olhos desproporcionados e fileiras de dentes. É um dos ingredientes emblemáticos da Madeira, geralmente servido frito com banana — uma combinação que soa estranha e resulta muito bem.

Uma coisa a saber antes de ir com fome: alguns vendedores de fruta oferecem uma prova grátis e depois pesam e cobram um saco inteiro antes de combinar o preço. É um truque menor e bem conhecido, não uma burla, mas vale a pena combinar o preço — ou deixar claro que não vai comprar — antes de aceitar a amostra. Para um percurso mais longo pelo edifício, banca a banca, consulte o guia dedicado ao mercado.

Do porto às colinas: o teleférico para o Monte

A outra infraestrutura marcante do Funchal é o teleférico, inaugurado em 2000, que liga um terminal perto da Zona Velha até à aldeia do Monte. A viagem demora cerca de 15 minutos em cada sentido e sobe aproximadamente 560 metros, sobrevoando telhados, jardins em socalcos e encostas cada vez mais íngremes à medida que a cidade se afasta lá em baixo.

Vale a pena tratá-lo como um destino em si, não apenas como transporte. O Monte tem a sua própria igreja, Nossa Senhora do Monte, onde está sepultado o imperador austríaco exilado Carlos I, o Monte Palace Tropical Garden, e — a curta distância a pé do terminal do teleférico — o início do famoso carro de cesto de vime que desce até ao Livramento, com página própria porque não é uma forma de voltar ao centro do Funchal: a descida termina a meio da encosta, e o regresso a partir daí é de táxi ou autocarro.

O teleférico é também, na prática, a forma mais fácil de um visitante sem carro provar as colinas da Madeira numa tarde: fresco, enevoado, densamente arborizado, um clima completamente diferente do porto ensolarado quinze minutos abaixo. Para quem quer avançar mais para dentro das montanhas em vez de subir apenas até ao Monte, um passeio privado de tuk-tuk é uma forma de conhecer mais terreno sem conduzir; veja o

tour privado de tuk-tuk Funchal–Pico do Arieiro

para uma versão que segue até aos picos mais altos da ilha. Para a versão mais famosa — e consideravelmente mais matinal — dessa mesma estrada, veja o nascer do sol no Pico do Arieiro.

O resto da cidade, em breve resumo

O Funchal tem mais do que a cidade velha e o mercado, e a maior parte fica a uma distância fácil a pé ou de um curto trajeto de táxi do centro:

  • A Sé (catedral), o Museu CR7 e o passeio marítimo do Lido e a Praia Formosa têm cada um a sua própria página de detalhe — vale a pena ler antes de ir, já que nenhum dos três se aprecia bem visitado sem preparação.
  • O Blandy’s Wine Lodge, no centro da cidade, é o lugar para provar e compreender o vinho da Madeira sem sair da cidade, e combina bem com uma noite na Zona Velha.
  • O Jardim Botânico do Funchal e a Quinta do Palheiro são dois jardins genuinamente diferentes que os visitantes frequentemente confundem; a Quinta fica mais afastada e merece meio dia dedicado.
  • A marina e o porto de cruzeiros situam-se no extremo leste do porto — pontos de referência úteis para quem chega de navio para um único dia, caso em que um dia no Funchal é o roteiro a seguir.

Como circular na cidade — e a armadilha do estacionamento

É tentador assumir que, por ser a maior cidade da Madeira, o Funchal será o local mais fácil da ilha para conduzir. Não é. A cidade velha e as ruas que sobem a partir do porto são íngremes, estreitas e maioritariamente de sentido único, várias são calcetadas, e o estacionamento na rua no centro é limitado e pago, sendo a Zona Velha em particular melhor evitada de carro. A maioria dos visitantes que aluga um carro — uma escolha sensata para chegar à costa norte ou às montanhas — estaciona uma vez, num hotel ou num parque pago, e percorre o centro da cidade a pé ou de táxi.

Dentro do Funchal, andar a pé cobre quase tudo o que aqui se descreve: da Zona Velha ao mercado são cerca de quinze minutos, e o terminal do teleférico fica a uma distância semelhante mais adiante. Os autocarros dos Horários do Funchal circulam com frequência dentro da cidade e ao longo da costa próxima, e os táxis amarelos são fáceis de encontrar junto à marina e ao mercado para quem preferir não subir a pé desde o porto. Para ir mais além — Câmara de Lobos, o Cabo Girão, os pontos de partida de trilhos nas colinas — consulte o guia geral sobre conduzir na Madeira ou aluguer de carro antes de decidir se vale a pena alugar.

Um dia e uma noite no Funchal

HoraO quêOnde
ManhãFlores, fruta, piso do peixeMercado dos Lavradores
Meio-diaPasseio pela cidade velha, almoçoZona Velha
Início da tardeSubida de teleférico, jardim ou igrejaMonte
Fim da tardeProva de vinhoBlandy’s Wine Lodge
NoitePortas pintadas, jantarRua de Santa Maria

Para quem preferir ter o dia todo narrado e organizado, uma

visita guiada a pé pelo Funchal com provas

cobre a Zona Velha e o mercado com um guia local que preenche a história que as portas e as bancas não contam por si.

Para uma noite diferente, na água, um

passeio de catamarã do pôr ao nascer do sol a partir do Funchal

transforma o mesmo porto no ponto de partida para uma vista da ilha muito diferente. E como a costa junto ao Funchal é um dos locais mais fiáveis da Europa para avistar cetáceos, um passeio com avistamento garantido de golfinhos e baleias em RIB vale a pena incluir num segundo dia se as montanhas não forem prioridade.

O Funchal como base para o resto da Madeira

A grande vantagem do Funchal é a sua posição: na estrada costeira que segue eficientemente para leste, em túnel, até Machico e ao aeroporto, e a trinta a sessenta minutos de carro da maioria dos pontos altos e miradouros da ilha, incluindo o Pico do Arieiro, Câmara de Lobos e o Cabo Girão. Ficar hospedado aqui em vez de perto de um único ponto de partida significa viagens mais longas em alguns dias, mas também significa restaurantes, um transfer do aeroporto que não depende de carro alugado e — num dia de chuva nas colinas — uma cidade com atividades cobertas suficientes para preencher uma tarde.

Para uma primeira visita, tratar o Funchal como ponto fixo e construir excursões de um dia a partir daí, em vez de tentar ficar hospedado nas montanhas ou no norte, é a abordagem que resulta na maioria dos roteiros; veja uma semana na Madeira para perceber como isso normalmente se organiza dia a dia.

Perguntas frequentes sobre o Funchal

Quantos dias são precisos no Funchal?

Um único dia cobre a Zona Velha, o mercado e o teleférico até ao Monte, mas a maioria dos visitantes gosta de ter o Funchal como base durante três ou quatro noites, usando-o como ponto de partida para as montanhas e a costa norte.

É fácil conduzir e estacionar no Funchal?

Não. O centro histórico é uma malha de ruas estreitas, íngremes e de sentido único, várias empresas de aluguer de carros desaconselham levar um carro até à Zona Velha, e o estacionamento na rua no centro é escasso e pago. A maioria dos visitantes estaciona uma vez, num hotel ou num parque pago, e anda a pé.

O que são as portas pintadas do Funchal?

Ficam na Rua de Santa Maria, na Zona Velha, e fazem parte de um projeto chamado Arte Portas Abertas, em curso desde 2010: dezenas de portas de lojas e casas transformadas em pequenas pinturas por artistas locais e visitantes. A rua é também a concentração mais densa de restaurantes para jantar na zona velha.

O que é o Mercado dos Lavradores?

O principal mercado do Funchal, construído em 1940 em estilo Art Déco, com visita mais indicada de manhã. As floristas ocupam o pátio de entrada, as bancas de fruta tropical ocupam o piso térreo, e o piso superior é o mercado do peixe, onde o peixe-espada preto (espada preta), trazido dos canhões de águas profundas da Madeira, é exposto inteiro.

Quanto tempo demora o teleférico até ao Monte?

Cerca de 15 minutos em cada sentido, subindo aproximadamente 560 m desde o terminal da Zona Velha até ao Monte. Foi inaugurado em 2000 e é a forma mais fácil de subir às colinas acima da cidade sem carro.

O teleférico liga ao carro de cesto de vime?

Liga ao Monte, onde começa o percurso do carro de cesto, mas este é uma atividade paga à parte, com a sua própria história e as suas particularidades, tratada numa página própria em vez de aqui.

Deve-se comer fruta fresca das bancas do mercado?

Tenha cuidado com vendedores que oferecem uma amostra e depois pesam e cobram uma porção inteira antes de combinar o preço. É um truque conhecido no Mercado dos Lavradores; combine o preço primeiro, ou compre numa banca com preços fixos visíveis.

O Funchal é uma boa base para caminhar pelas levadas e pelas montanhas?

Sim — a maioria dos trilhos de caminhada da Madeira, incluindo o Pico do Arieiro e as levadas do Rabaçal, são acessíveis a partir do Funchal de carro alugado, táxi ou excursão organizada em 30–60 minutos, razão pela qual tantos visitantes ficam alojados na cidade em vez de perto dos trilhos.

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