Uma freguesia de encosta construída sobre um bispo, um imperador e um trenó
O Monte situa-se cerca de 560 metros acima do Funchal, próximo o suficiente para parecer um subúrbio e alto o suficiente para parecer outro clima por completo. Os habitantes locais têm-se retirado para aqui desde o século XVIII para escapar ao calor do verão junto ao porto, e a freguesia mantém ainda esse ar de retiro: largos sombreados, uma igreja de peregrinação no topo de uma escadaria, e um percurso de carreiros de vime que desliza pela mesma calçada desde 1850.
A maioria dos visitantes chega de teleférico a partir do centro histórico do Funchal, passa uma ou duas horas junto à igreja e ao início dos carreiros, e depois segue a pé até ao Monte Palace Tropical Garden, ao lado, ou regressa. Esta página cobre as três coisas que realmente definem uma visita ao Monte — o teleférico, a igreja e os carreiros — e deixa o jardim, que merece o seu próprio guia, para um artigo à parte.
O Monte recompensa um meio-dia tranquilo em vez de uma hora apressada. Só a viagem de teleférico já é um dos melhores quinze minutos da ilha para um primeiro olhar sobre o Funchal: os telhados de telha do centro histórico dão lugar ao porto, ao terminal de cruzeiros e, em dia limpo, a toda a baía até ao Cabo Girão, a oeste. Chegue com este ritmo em mente e o Monte torna-se um dos meios-dias mais fáceis e gratificantes da ilha.
A subida: o teleférico a partir da Zona Velha
O Teleférico do Funchal abriu em 2000 e continua a ser a forma habitual de subir ao Monte. As cabines partem de uma estação na Zona Velha, o centro histórico do Funchal, e sobem cerca de 560 metros em aproximadamente 15 minutos, deslizando sobre jardins em socalcos, hortas domésticas e telhados de zonas residenciais do Funchal, antes de o terreno se tornar mais íngreme, entre pinheiros e eucaliptos, perto do topo. As cabines são pequenas, fechadas, e circulam continuamente em vez de terem horário fixo, pelo que raramente há uma longa espera assim que se chega à frente da fila — a fila em si é que é a variável, e alonga-se muito sempre que há um navio de cruzeiro atracado.
Um bilhete de ida e volta é a compra mais sensata para a maioria das pessoas, já que a alternativa para a descida é uma longa caminhada ou um táxi, abordados abaixo. Compre os bilhetes na estação inferior; aceitam-se cartão e dinheiro, e não há reserva online antecipada que compense verdadeiramente chegar cedo. A primeira hora após a abertura, geralmente por volta das 9h, é sempre a janela mais calma, bem antes da vaga de passageiros de cruzeiro a meio da manhã.
Alguns visitantes optam por subir a pé: um caminho sinalizado sobe do centro histórico pelas ruas residenciais íngremes do Funchal até ao Monte em cerca de uma hora a hora e meia, vencendo os mesmos 560 metros a pé em vez de cabine. É uma forma legítima de ver uma parte do quotidiano do Funchal longe da orla marítima, mas é uma subida verdadeiramente exigente no ar quente e húmido da ilha, e poucos visitantes a fazem como única forma de subir.
| Opção | Tempo | Custo aproximado | Notas |
|---|---|---|---|
| Teleférico (Zona Velha até ao Monte) | ~15 min | €13–16 ida, menos na volta | Partidas contínuas, filas nos horários de maior procura |
| Caminho a pé | 60–90 min | Grátis | Íngreme, com troços sombreados, sem infraestruturas no percurso |
| Táxi a partir do centro do Funchal | 15–20 min | €15–25 ida | Mais rápido, útil se a fila do teleférico estiver longa |
| Autocarro (Horários do Funchal) | 20–30 min | Tarifa urbana normal | Menos frequente do que o teleférico |
A igreja e o túmulo do imperador
No topo de uma longa escadaria, no centro da freguesia, ergue-se a Igreja de Nossa Senhora do Monte, a igreja paroquial do Monte e um dos locais de peregrinação mais visitados da Madeira. As suas duas torres brancas e o adro de calçada em preto e branco são uma imagem de postal familiar da ilha, mas o verdadeiro atrativo do edifício para muitos visitantes é quem ali está sepultado: Carlos I da Áustria, o último imperador da Áustria-Hungria, que morreu no exílio na Madeira em 1922, aos 34 anos. O seu túmulo encontra-se dentro da igreja, e atrai um fluxo constante de visitantes austríacos e húngaros que fazem uma peregrinação específica, e não uma simples paragem turística.
A igreja em si é modesta e não grandiosa, e a visita é breve — a maioria das pessoas passa quinze a vinte minutos lá dentro e nas escadas exteriores. Vista-se com discrição, como em qualquer local de culto em funcionamento, e conte com o facto de a igreja poder fechar ocasionalmente aos visitantes durante os serviços religiosos. A escadaria até à entrada, e o pequeno largo à sua frente, é também onde costumam reunir-se os vendedores ambulantes e os angariadores dos carreiros, funcionando como o centro informal da freguesia tanto quanto a própria igreja.
Os carreiros do Monte: o trenó de vime da Madeira
A pouca distância a pé da igreja, numa rua de calçada íngreme, dois homens vestidos de branco e com chapéu de palha esperam junto a um cesto de vime montado sobre patins de madeira. É o carro de cesto, o trenó do Monte, e os homens que o empurram e conduzem são os carreiros — uma tradição que se mantém, praticamente inalterada, desde 1850, quando começou como uma forma genuinamente prática de os residentes mais abastados do Monte descerem a encosta rapidamente.
Dois carreiros empurram o cesto por trás e guiam-no com cordas, usando as solas das botas com sola de borracha como travões sobre a calçada gasta. O percurso tem cerca de dois quilómetros e dura poucos minutos, atingindo uma velocidade considerável nos troços mais inclinados antes de estabilizar. Hoje é sem dúvida uma experiência turística e não um meio de transporte diário, mas continua a ser impressionante, e a perícia dos dois carreiros a conduzir um cesto sem travões independentes por uma via pública, entre carros estacionados e algum peão ocasional, vale a pena observar mesmo que não se ande no trenó.
Eis o pormenor que apanha desprevenida quase toda a gente que visita o Monte pela primeira vez: os carreiros não vão sequer perto do centro do Funchal. O percurso desce apenas até ao Livramento, uma zona residencial cerca de dois quilómetros abaixo da igreja — uma fração dos aproximadamente 560 metros de desnível até à orla marítima. A partir do Livramento, é preciso arranjar um táxi ou um autocarro para o centro do Funchal; a organização dos carreiros não inclui um serviço de regresso, nem há qualquer ligação de trenó a partir do Livramento. Encare o passeio como uma atividade curta e autónoma, adicionada a uma visita ao Monte, e nunca como uma forma de voltar ao hotel.
O preço é combinado no local e não fixado por bilheteira, rondando habitualmente entre 25 e 30 euros para duas pessoas no percurso curto normal; percursos mais longos ou privados custam mais. O dinheiro continua a ser a forma de pagamento mais segura, embora os leitores de cartão sejam cada vez mais comuns. Vale a pena combinar o preço e o trajeto exato antes de entrar no cesto, e a gorjeta é habitual, ainda que não obrigatória.
Combinar o Monte com o resto do Funchal
O Monte encaixa bem como primeira paragem de um dia no Funchal, já que o teleférico deixa novamente no centro histórico, perto do Mercado dos Lavradores e da orla marítima. Um esquema habitual é subir de teleférico, visitar a igreja e fazer os carreiros no Monte, descer de teleférico (ou de carreiros mais táxi), e depois almoçar e passar a tarde pelas portas pintadas da Rua de Santa Maria e pelo mercado.
Encaixa naturalmente em quem está a planear um dia num único dia na Madeira ou um plano de dois dias ligeiramente mais completo, que combine o Monte com o jardim botânico ou com a Quinta do Palheiro numa segunda manhã.
Para quem quer ver mais do interior alto da ilha no mesmo dia, em vez de regressar diretamente à costa, um passeio privado é a opção mais eficiente. O
passeio privado em 4x4 que combina os carreiros do Monte com uma subida ao Pico do Arieiro
tira o passeio de trenó da equação da adivinhação, integrando-o num dia mais amplo pelos picos altos da ilha, em vez de deixar por conta própria o regresso de táxi a partir do Livramento. Quem madruga à procura da vista mais emblemática da ilha costuma reservar antes o
passeio de jipe ao nascer do sol até ao Pico do Arieiro
e guarda o Monte para uma tarde mais calma.
Quem prefere o seu meio-dia a pé, em vez de teleférico ou jipe, pode considerar uma
caminhada guiada na Madeira
que percorre alguns dos trilhos de encosta em torno do Monte e das cumeeiras arborizadas acima do Funchal, com um guia local a tratar da navegação e do ritmo. E para quem quer terminar uma manhã no Monte com algo completamente diferente à tarde, o
passeio de catamarã de observação de golfinhos e baleias a partir do Funchal
parte da marina, a um curto trajeto de táxi da estação do teleférico no centro histórico, criando uma divisão clara entre turismo de encosta e tempo no mar.
Notas práticas para uma visita ao Monte
O calçado confortável importa mais no Monte do que as curtas distâncias fazem supor: a calçada em torno da igreja e do início dos carreiros é lisa, inclinada e pode ficar escorregadia depois da chuva. A freguesia é sensivelmente mais fresca e frequentemente mais nublada do que a orla marítima no Funchal — leve uma camada leve mesmo num dia quente junto ao porto, já que a altitude do Monte o coloca mais perto da base das nuvens com frequência.
As infraestruturas resumem-se a um punhado de cafés e bancas de recordações junto ao largo da igreja e à estação superior do teleférico; não é preciso levar muito além de água e uma máquina fotográfica. Há casas de banho junto às duas estações do teleférico. A entrada do Monte Palace Tropical Garden fica mesmo ao lado do terminal superior do teleférico, razão pela qual tantos visitantes presumem que está incluído no bilhete do teleférico — não está, e cobra a sua própria entrada em separado.
Ajustar a visita à chegada dos navios de cruzeiro faz uma diferença real. O terminal de cruzeiros do Funchal fica perto da estação do teleférico no centro histórico, e quando há um navio grande atracado, tanto a fila do teleférico como a espera para os carreiros podem ultrapassar largamente meia hora. Consultar o horário de cruzeiros do dia, amplamente divulgado localmente, e planear uma visita de manhã cedo ou ao final da tarde evita a maior parte da afluência.
| Elemento | O que é | Tempo típico necessário |
|---|---|---|
| Viagem de teleférico (um sentido) | Zona Velha até ao Monte, subida de 560m | 15 minutos |
| Igreja de Nossa Senhora do Monte | Igreja de peregrinação, túmulo do imperador Carlos I | 15–20 minutos |
| Carreiros do Monte | Passeio de cesto de vime até ao Livramento | 10 minutos, mais táxi a seguir |
| Monte Palace Tropical Garden | Jardim pago à parte, com guia próprio | 1,5–2 horas (não abordado aqui) |
Perguntas frequentes sobre a visita ao Monte
Os carreiros de vime levam-me de volta até ao Funchal?
Não. Os carreiros do Monte deslizam cerca de dois quilómetros encosta abaixo até ao Livramento, não até ao centro do Funchal. A partir do Livramento é preciso um táxi ou um autocarro para completar o regresso à cidade.
Quanto tempo demora o teleférico do Monte?
Cerca de 15 minutos em cada sentido, subindo aproximadamente 560 metros desde a Zona Velha, no centro histórico do Funchal, até ao terminal do Monte.
O imperador Carlos I está mesmo sepultado no Monte?
Sim. Carlos I da Áustria, o último imperador da casa de Habsburgo, morreu no exílio na Madeira em 1922 e está sepultado dentro da igreja de Nossa Senhora do Monte, que atrai um fluxo constante de visitantes austríacos e húngaros.
É preciso reservar o teleférico ou os carreiros com antecedência?
Normalmente nenhum dos dois exige reserva antecipada, embora ambos possam ter filas longas quando há navios de cruzeiro no porto; chegar antes do meio da manhã evita a maior parte da espera.
O Monte Palace Tropical Garden está incluído numa visita ao Monte?
Fica junto à estação superior do teleférico, mas é uma atração paga à parte, com horário próprio; não faz parte da igreja, dos carreiros nem do bilhete do teleférico.
Quanto custam os carreiros de vime?
O percurso curto clássico para duas pessoas custa geralmente entre 25 e 30 euros, pagos em dinheiro ou cartão diretamente aos carreiros no topo do percurso, no Monte.
É possível subir a pé do Funchal até ao Monte, em vez de ir de teleférico?
Sim, um caminho sinalizado sobe do centro histórico através de zonas residenciais do Funchal até ao Monte em cerca de uma hora a hora e meia, embora a maioria dos visitantes prefira o teleférico devido ao forte desnível.


