Dez Dias na Madeira e Porto Santo
O Que Dez Dias Trazem a Mais do que Uma Semana
Uma semana na Madeira já chega para ver o essencial e ficar com vontade de mais. Dez dias mudam a forma da viagem, em vez de apenas acrescentar pontos de interesse: dão duas noites tranquilas em Porto Santo, uma paragem a sério na Calheta, na costa sudoeste, em vez de uma simples passagem de carro, e folga suficiente para que um ferry cancelado ou um trilho fechado não deite por terra o plano todo. Este itinerário sacrifica duas coisas de propósito.
Não tenta a travessia completa do PR1, do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo, que precisa do seu próprio início cedo e de uma tarde livre a seguir, em vez de uma condução de ligação — esse percurso pertence a uma semana de caminhadas dedicada. E não chega às Ilhas Desertas, que são uma reserva natural estrita a que só se acede por passeio de catamarã licenciado, não uma paragem que se encaixe num roteiro de estrada.
Vai precisar de um carro alugado para os trechos deste percurso na Madeira — reserve um modelo pequeno de caixa manual, não o maior disponível, já que várias estradas têm rampas acima dos 20% e o estacionamento no Funchal é apertado. Consulte os nossos guias de aluguer de carro e de condução na Madeira antes de aterrar.
| Dia | Base | Foco |
|---|---|---|
| 1–2 | Funchal | Chegada, centro histórico, pontos turísticos da cidade |
| 3 | Funchal | Nascer do sol no Pico do Arieiro |
| 4 | Funchal | Rabaçal e 25 Fontes |
| 5 | Funchal | Porto Moniz e a costa norte |
| 6 | Funchal | Santana e as casas de colmo |
| 7 | Funchal → Porto Santo | Ponta de São Lourenço, depois transferência |
| 8–9 | Porto Santo | Praia, Vila Baleira, transferência de regresso |
| 9–10 | Calheta | Costa sudoeste, final tranquilo |
Dia 1: Chegada e o Centro Histórico
Aterre no Aeroporto da Madeira, em Santa Cruz, levante o carro alugado — o guia do aeroporto vale cinco minutos antes de aterrar, já que a pista assenta numa plataforma sobre o mar e os desvios para Porto Santo acontecem em vento forte, sobretudo no inverno.
Instale-se no Funchal e passe a tarde no centro histórico, a Zona Velha, onde as portas ao longo da Rua de Santa Maria têm sido pintadas por artistas locais e visitantes desde 2010. Jante no centro histórico; é a maior concentração de restaurantes para uma noite que não precisa de planeamento. Se apetecer uma caminhada curta, a marina do Funchal e o passeio do Lido são um percurso fácil e plano para descontrair depois do voo.
Dia 2: O Funchal Como Deve Ser
Dedique um dia inteiro ao Funchal. Comece no Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco dos anos 1940 — vá pelas bancas de flores e pela zona do peixe, onde vai ver o espada preta, o peixe-espada da Madeira, mas tenha cuidado com vendedores de fruta que oferecem amostras antes de indicar o preço ao peso. Suba de teleférico até ao Monte, cerca de quinze minutos sobre telhados e ravinas, e visite a igreja de peregrinação onde está sepultado o imperador Carlos I da Áustria.
Se lhe apetecer o famoso carro de cesto de vime, é uma descida divertida de poucos minutos do Monte até ao Livramento — apenas saiba que não é transporte de regresso à cidade, e vai precisar de táxi ou autocarro a partir de baixo. Termine o dia no Monte Palace Tropical Garden ou, se preferir jardins a multidões, na mais tranquila Quinta do Palheiro.
Dia 3: Nascer do Sol no Pico do Arieiro
Este dia começa cedo. Saia do Funchal por volta das 4h30 para chegar ao Pico do Arieiro, a 1.818 metros, antes da primeira luz — está muitas vezes acima de um mar de nuvens, e muitas vezes perto do zero mesmo quando o Funchal tem uns amenos 18°C, por isso leve uma camada quente a sério, seja qual for a época do ano. Um passeio guiado ao nascer do sol tira-lhe a logística das mãos: a
caminhada privada ao nascer do sol no Pico do Arieiro
leva-o lá para a luz certa, com alguém que conhece bem os trechos expostos. Leia o guia do nascer do sol no Pico do Arieiro antes, para saber o que envolve realmente a caminhada até aos primeiros miradouros. Passe o resto da manhã em altitude, depois desça para uma tarde mais calma de volta ao Funchal — vai precisar dela depois do despertar tão cedo.
Dia 4: Rabaçal e a Levada das 25 Fontes
Suba até ao Rabaçal — note que o acesso está fechado a carros particulares, por isso vai estacionar em cima e descer de shuttle, ou juntar-se a um passeio que trata disso por si, como a
caminhada às 25 Fontes e Rabaçal com transferência flexível
. O percurso até às 25 Fontes e à Levada do Risco é o trilho de levada mais fotografado da ilha, e não é gratuito: é um dos trilhos PR oficiais, que exigem reserva online e uma taxa de cerca de três euros por pessoa desde agosto de 2021. Reserve através do simplifica.madeira.gov.pt no dia anterior e traga a confirmação consigo. O nosso guia das 25 Fontes e o guia geral de licenças e taxas de caminhada explicam todo o processo de reserva — não salte esse passo a pensar que pode pagar no local.
Dia 5: Porto Moniz e a Costa Norte
Siga para a costa norte, até às piscinas naturais de lava do Porto Moniz, piscinas de maré talhadas em rocha vulcânica antiga. Há dois conjuntos distintos: as piscinas geridas, com balneários, que são pagas, e as piscinas naturais mais selvagens ali perto, que são gratuitas mas fecham sempre que a ondulação de norte aperta — verifique as condições antes de dedicar a manhã a elas. Um circuito guiado como o
tour 4x4 da costa norte a partir do Porto Moniz
passa também pelo Seixal, com a sua praia de areia negra e cascatas junto à estrada, sendo talvez a vila mais fotografada da costa norte. Se o percurso seguir para o interior, em direção ao Fanal, saiba que as til centenárias e retorcidas só ganham fama envoltas em nevoeiro — sem bruma, é apenas um planalto exposto e batido pelo vento, por isso não construa o dia à volta de uma fotografia garantida.
Dia 6: Santana e as Casas de Colmo
Siga para leste, ao longo da costa norte, até Santana, conhecida pelas suas triangulares casas de colmo, pintadas de vermelho, branco e azul. Três, no centro da vila, estão abertas a visitas — são reconstruções conservadas, não casas habitadas, o que vale a pena saber antes de andar à procura de mais. O nosso guia das casas de colmo de Santana tem os detalhes práticos. À tarde, passe pelo Ribeiro Frio para a caminhada curta e fácil até ao miradouro dos Balcões, que oferece um dos melhores panoramas de montanha da ilha com muito pouco esforço. Um passeio combinado como o
tour de um dia ao Pico do Arieiro, Levada dos Balcões e Santana
cobre este trajeto para quem prefira não conduzir duas vezes pelas estradas de montanha na mesma semana.
Dia 7: Ponta de São Lourenço e Depois a Travessia para Porto Santo
Passe a manhã na Ponta de São Lourenço, a península vulcânica nua, vermelha e ocre, na ponta oriental da Madeira — não há sombra no percurso de ida e volta de cerca de oito quilómetros, por isso comece cedo e leve água. No caminho de volta, pare em Machico, local do primeiro desembarque português em 1419; a sua praia dourada parece natural, mas a areia foi importada em 2008 sobre a linha costeira original. No início da tarde, siga para o porto ou o aeroporto, para a travessia até Porto Santo.
Este é o ponto da viagem em que o plano precisa mesmo de um plano B: o ferry para Porto Santo demora cerca de duas horas e quinze minutos, mas é frequentemente cancelado ou atrasado pela ondulação atlântica, sobretudo do outono ao inverno. Verifique o estado da viagem antes de fazer dela a sua única opção, e encare o voo de quinze minutos como uma alternativa real e igualmente válida — não um plano de recurso que espera não precisar de usar. O nosso guia do ferry para Porto Santo cobre as duas opções e como planear em torno de um cancelamento.
Dias 8–9: Porto Santo
Dê à ilha dois dias inteiros, em vez do habitual aperto de uma escapadinha de um dia. Porto Santo organiza-se em torno de nove quilómetros ininterruptos de areia dourada — a única praia naturalmente formada deste tipo em todo o arquipélago — por isso reserve manhãs calmas na praia de Porto Santo e almoços sem pressa em Vila Baleira, a pequena capital da ilha.
Visite a Casa Colombo, onde Cristóvão Colombo viveu depois de casar com a filha do primeiro governador da ilha, por volta de 1479, e suba a pé ou de carro até ao Pico do Facho para uma vista sobre toda a ilha. Compare-a honestamente com a Madeira no nosso guia Porto Santo versus Madeira — as duas ilhas parecem países diferentes, e esse contraste é precisamente o motivo de aqui se vir. Na segunda tarde, faça a travessia de regresso à Madeira, verificando de novo o estado do ferry e mantendo o voo de reserva se o mar estiver agitado.
Dia 10: Calheta e o Sudoeste
Siga pela costa sul até à Calheta, para um último dia deliberadamente tranquilo. A praia da Calheta é outro trecho de areia importada, mas é abrigada e calma, um bom sítio para nadar antes de um voo. Se tiver a tarde livre, avance mais para oeste, até às vilas piscatórias de Jardim do Mar e Paul do Mar, ambas bem mais tranquilas que o Funchal e a valer uma hora cada.
O nosso guia de um dia pelo oeste da Madeira traça o circuito, caso prefira cobrir mais terreno em vez de ficar parado. Devolva o carro alugado perto do Funchal ou no aeroporto com antecedência suficiente, já que o trânsito ao final do dia em direção à zona do aeroporto pode ser mais lento do que o mapa sugere.
Ferry vs. Voo para Porto Santo
| Opção | Duração | Fiabilidade | Notas |
|---|---|---|---|
| Ferry (Porto Santo Line) | Cerca de 2h15 | Cancelado ou atrasado pela ondulação, sobretudo entre novembro e março | Pode transportar um carro alugado; reserve as duas travessias com antecedência |
| Voo | Cerca de 15 minutos | A alternativa fiável | Mais rápido mas com frequência diária limitada; reserve os dois trajetos |
Perguntas Sobre uma Viagem de Dez Dias à Madeira e Porto Santo
Dez dias chegam para a Madeira e Porto Santo?
Sim. Dez dias cobrem o Funchal, as montanhas, a costa norte, Santana, dois dias inteiros em Porto Santo e um final tranquilo na Calheta, sem empilhar dois grandes passeios no mesmo dia. Ainda assim, fica de fora a travessia completa do PR1 e as Ilhas Desertas, que ficam para uma viagem dedicada.
O ferry para Porto Santo é fiável?
Não, no inverno não. A travessia da Porto Santo Line é regularmente cancelada ou atrasada pela ondulação atlântica entre, aproximadamente, novembro e março, e mesmo no verão um período de mau tempo pode cancelar uma viagem com pouco aviso. Encare o voo de 15 minutos como uma alternativa a sério, não como um plano de recurso de última hora, e mantenha as datas de Porto Santo flexíveis se depender só do ferry.
Preciso de carro para este itinerário?
Sim, para os trechos na Madeira. A costa norte, o Rabaçal, Santana e a Calheta são pouco práticos de autocarro com este ritmo. Um carro pequeno de caixa manual alugado é a melhor opção nas estradas estreitas e íngremes da Madeira; em Porto Santo, a ilha é plana e pequena o suficiente para se resolver de scooter, táxi ou a pé.
As levadas deste itinerário exigem licença paga?
O percurso das 25 Fontes, no Rabaçal, segue um trilho PR oficial que, desde agosto de 2021, exige reserva online e uma taxa de cerca de três euros por pessoa, por trilho, por dia, através do simplifica.madeira.gov.pt. Reserve com um dia de antecedência, se possível, e leve consigo o comprovativo da reserva para mostrar no início do trilho.
Porque é que este itinerário não inclui a travessia completa do Arieiro ao Pico Ruivo?
Dez dias repartidos entre a Madeira e Porto Santo não são o ritmo certo para os três túneis e o cume exposto do PR1, que merecem cabeça descansada, um início cedo e nenhuma condução planeada para o final do dia. Este roteiro mantém o nascer do sol no Pico do Arieiro e remete quem quiser a travessia completa para um itinerário de caminhadas dedicado.
A praia de Machico ou da Calheta tem areia natural?
Não. Ambas têm areia dourada importada, colocada sobre a linha costeira vulcânica original, tendo a de Machico chegado em 2008. São locais de banhos agradáveis e abrigados, mas não são praias naturalmente formadas como os nove quilómetros de areia de Porto Santo.
As casas de colmo de Santana são habitadas?
As três casas de colmo abertas a visitantes no centro da vila são reconstruções conservadas, não habitações privadas, mobiladas para mostrar como as casas triangulares de colmo eram usadas antigamente. Um punhado de casas semelhantes sobrevive em propriedade privada no resto do concelho, mas as que se visitam estão preparadas para os visitantes.
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