Levada do Caldeirão Verde: O Caminho Longo Pelos Túneis
Pico do Arieiro, Rabaçal & o interior montanhoso

Levada do Caldeirão Verde: O Caminho Longo Pelos Túneis

Levada do Caldeirão Verde: 13km a partir das Queimadas por quatro túneis escuros até uma poça de cascata. Licenças, tempos e o que levar.

Factos rápidos

Tempo de carro desde o Funchal
45–55 minutos até ao parque de estacionamento das Queimadas, via Santana
Orçamento para o dia
€40–€70 por pessoa (licença, parte do aluguer do carro, almoço)
Melhor época
Abril a junho e setembro a outubro, após um período seco
Duração recomendada
Um dia inteiro; 5 a 7 horas de caminhada
Licença do percurso
€3 por pessoa, por dia, reservada em simplifica.madeira.gov.pt
Ideal para
Caminhantes experientes, Caçadores de cascatas, Quem tem, e vai mesmo trazer, uma lanterna de cabeça, Fotógrafos à vontade a trabalhar com pouca luz
Melhor época para visitar
Abril a junho e setembro a outubro, depois de vários dias secos
Dias necessários
1
Resposta rápida

A caminhada da Levada do Caldeirão Verde é difícil?

São cerca de 13km ida e volta em terreno quase plano, mas quatro túneis escuros — um deles com mais de 200 metros — tornam obrigatória uma lanterna de cabeça e fazem a caminhada mais exigente do que o desnível suave sugere. Reserve entre cinco e sete horas, e note que o percurso exige uma licença paga desde agosto de 2021.

Porque Esta Levada Castiga Quem Não Se Prepara

Todas as listas das melhores caminhadas da Madeira colocam a Levada do Caldeirão Verde perto do topo, e todas essas listas a subestimam da mesma forma: começando pela palavra “plana”. A levada em si quase não sobe — é essa a razão de ser de um canal de irrigação, que tem de descer de forma suave e constante desde o norte húmido para manter a água a correr sem se acumular ou transbordar.

O que essas listas não dizem é que plano e fácil não são a mesma coisa quando o caminho estreita para uma cornija de um metro de largura acima de uma queda, quando a superfície fica escorregadia com o borrifo da água, e quando quatro túneis engolem o trilho em escuridão total ao longo de mais de meio quilómetro combinado. É esta a caminhada que apanha de surpresa pessoas em forma e sensatas que assumiram que uma levada sem subidas seria fácil.

É também, feita como deve ser, um dos melhores dias que se pode ter nas montanhas centrais: uma caminhada pela floresta que muda de carácter a cada vinte minutos, uma verdadeira sensação de isolamento assim que se deixa a multidão do parque de estacionamento para trás, e uma cascata com poça no final que recompensa o esforço de lá chegar.

Esta página cobre especificamente esse percurso — o trilho das Queimadas até ao Caldeirão Verde. Partilha a ideia base com a outra levada famosa da Madeira, a Levada das 25 Fontes, no Rabaçal, mas as duas são suficientemente diferentes em distância, dificuldade e carácter para merecerem tratamento separado — mais sobre essa comparação adiante.

Chegar ao Ponto de Partida das Queimadas

A caminhada começa no Parque Florestal das Queimadas, um pequeno parque de estacionamento e área de piquenique com um conjunto de casas de colmo, a curta distância de carro acima de Santana, na costa norte da Madeira. A partir do Funchal, reserve 45 a 55 minutos de carro, a maior parte pela rápida via rápida VE5 antes de a estrada estreitar e subir por terrenos agrícolas e depois pela floresta Laurissilva. O parque de estacionamento é pequeno e enche cedo em fins de semana de bom tempo — chegar antes das 9h dá a melhor hipótese de encontrar lugar e de apanhar a melhor luz na floresta.

Não há transporte público que deixe convenientemente no ponto de partida para um início cedo, o que é uma das razões por que muitos visitantes optam por uma opção guiada em vez de conduzir sozinhos. Se preferir não gerir o carro alugado, o estacionamento e a logística da viagem,

uma caminhada guiada de dia inteiro a partir do Ribeiro Frio pelo interior montanhoso

cobre um terreno semelhante com transporte e guia local incluídos, o que também resolve a reserva da licença por si.

O Percurso, Quilómetro a Quilómetro

O caminho sai das Queimadas por floresta gerida — eucaliptos e pinheiros que dão lugar, já no primeiro quilómetro, à Laurissilva mais antiga e densa que define este lado da ilha. A levada em si fica mesmo abaixo do caminho na maior parte do percurso, um canal estreito de betão ou pedra com um fio de água constante a descer em direção às terras agrícolas da costa norte, parte de uma rede que transporta água desta forma desde o século XV.

EtapaDistância aproximadaO que esperar
Parque das Queimadas ao primeiro túnel~1,5kmCaminho largo e sombreado; o troço mais suave
Túneis um a três~1km combinadoEscuros, húmidos, piso irregular; lanterna ligada
Túnel quatro~200m+O túnel mais longo do percurso
Aproximação final à poça~1,7kmAbre para floresta mais densa, troços de cornija mais estreitos
Caldeirão Verde — poça e cascataPonto de retorno; local de piquenique antes da volta
Regresso às Queimadas~6,5kmMesmo percurso, no sentido inverso

Somando tudo, são cerca de 13km de ida e volta, quase todos com o mesmo desnível suave, primeiro a descer e depois a subir, que uma levada exige. No papel, isso soa a um meio-dia fácil. Na prática, os túneis, a concentração exigida nos troços expostos e a distância em si levam a maioria dos caminhantes a demorar cinco, seis, por vezes sete horas com paragens — mais do que uma caminhada plana de 13km em qualquer outro ponto da ilha exigiria.

Os Quatro Túneis: O Que Esperar Realmente

Este é o pormenor que separa quem já fez a caminhada de quem só leu sobre ela. Os túneis não são um efeito de iluminação opcional — são troços de rocha maciça sem qualquer luz ambiente, com pisos molhados, por vezes com gravilha, por vezes escorregadios, e tetos suficientemente baixos em alguns pontos para obrigar a baixar a cabeça. O mais longo tem mais de 200 metros; caminhar por ele sem uma luz adequada significa tatear ao longo de uma parede molhada no escuro, com a própria levada a correr mesmo ao lado do caminho.

Uma lanterna de telemóvel serve talvez dez minutos antes de a ansiedade com a bateria se instalar, e deixa uma mão permanentemente ocupada num trilho onde por vezes são precisas as duas mãos para o equilíbrio. Uma lanterna de cabeça adequada — barata, compacta, e explicada em mais detalhe no nosso guia sobre segurança nos túneis das levadas — não é um extra neste percurso. Traga também uma luz suplente ou pilhas de reserva; ilhas com ar de floresta húmida não são gentis com pilhas de lanterna esquecidas numa gaveta durante um ano.

Nada disto torna a caminhada insegura se estiver bem equipado e atento. Significa, sim, que é uma má escolha para uma primeira caminhada de levada, para quem tem verdadeiro desconforto com espaços apertados e escuros, ou para um grupo que inclua alguém disposto a fazê-lo em chinelos com a lanterna do telemóvel. Se alguma dessas situações descrever a sua viagem, a Levada das 25 Fontes, mais curta e sem túneis, é a melhor introdução ao que é de facto uma caminhada de levada.

Licenças e a Regra dos €3 por Dia

Desde 1 de agosto de 2021, os trilhos PR oficiais da Madeira — este incluído — exigem uma licença paga, reservada com antecedência online e verificada, pelo menos ocasionalmente, por guardas florestais no terreno. É o pormenor que a maioria dos blogues mais antigos, e até alguns guias impressos, ainda não menciona, por ser posterior a eles.

Detalhe da licençaInformação
CustoCerca de €3 por pessoa, por trilho, por dia
Onde reservarsimplifica.madeira.gov.pt (portal oficial)
O que levarA confirmação da reserva — geralmente aceita-se uma captura de ecrã
Em vigor desde1 de agosto de 2021
CoberturaApenas este trilho; é necessária uma reserva separada para cada trilho PR diferente

Reserve com um ou dois dias de antecedência sempre que possível, especialmente na época alta de caminhadas — o sistema por vezes limita o número diário nos percursos mais concorridos. Todos os pormenores sobre o funcionamento do sistema de reservas, e sobre que trilhos abrange além deste, estão no nosso guia dedicado às licenças e taxas dos trilhos da Madeira.

O Que Levar Numa Levada Com Túneis

Além da já mencionada lanterna de cabeça, trate esta caminhada como um verdadeiro dia de trilho e não como um passeio. A aderência conta mais do que a impermeabilidade — botas ou sapatos de trilho com piso a sério vão servi-lo melhor nos troços molhados e por vezes musgosos do que ténis com sola lisa. Leve mais água e comida do que pensa precisar; não há onde comprar nenhuma das duas entre as Queimadas e a poça, e a caminhada demora com frequência mais do que o previsto.

As temperaturas dentro dos túneis descem de forma notória em relação à floresta lá fora, e a própria floresta fica em altitude suficiente para que o calor costeiro habitual da Madeira não se aplique — o nosso guia sobre tempo em altitude e o que vestir cobre em mais pormenor as camadas de roupa que este percurso exige. Vale a pena levar um impermeável leve mesmo com previsão de tempo seco; este é o lado húmido da ilha, junto à floresta Laurissilva, e as condições mudam depressa.

Caldeirão Verde Contra a Levada das 25 Fontes

Os visitantes que fazem apenas uma caminhada de levada na sua viagem quase sempre reduzem a escolha a estas duas, e vale a pena esclarecer as diferenças antes de dedicar um dia inteiro a qualquer uma delas.

Levada do Caldeirão VerdeLevada das 25 Fontes
Ponto de partidaQueimadas, acima de SantanaRabaçal, alcançado por shuttle a partir do parque de estacionamento
Distância ida e volta~13kmConsideravelmente mais curta
TúneisQuatro, sem luzNenhum
DificuldadeMais longa e exigente do que pareceMais suave, melhor primeira levada
RecompensaUma poça e uma cascata única no Caldeirão VerdeUma poça larga sob várias cascatas

Se está a escolher entre as duas, deixe que os túneis decidam: à vontade com um dia longo no escuro e atraído por algo com sensação mais selvagem, este percurso ganha. À procura da experiência clássica de levada em postal, sem a lanterna e os quilómetros extra, opte pelas 25 Fontes. Muitos visitantes numa viagem mais longa fazem as duas, em dias separados, e nenhuma parece repetitiva ao lado da outra.

Fazer um Dia Completo nas Montanhas Centrais

A área das Queimadas está a curta distância de vários outros destaques deste lado da ilha, o que facilita transformar a caminhada num dia mais amplo pelo interior montanhoso, em vez de uma excursão isolada de ida e volta. Santana e as suas casas triangulares de colmo ficam a curta distância de carro abaixo do ponto de partida — uma paragem natural para almoço ou café antes ou depois da caminhada. São Jorge, na costa, e o alto da Encumeada, ambos fazem sentido como desvios se estiver instalado por alguns dias na zona norte.

Quem quer ver mais do interior montanhoso sem se comprometer com um segundo dia de 13km pode combinar uma manhã no Caldeirão Verde com uma tarde a conduzir até ao Pico Ruivo ou à caminhada mais curta do Ribeiro Frio, que partilha a mesma floresta Laurissilva sem os túneis nem a distância. Para uma forma diferente de ver esta zona do interior da Madeira — de jipe em vez de a pé —

um tour de jipe de Santana ao Pico do Arieiro

cobre terreno semelhante a partir de um veículo, útil num dia em que as pernas precisam de descanso mas a paisagem não.

Para visitantes que constroem a viagem à volta dos picos altos da ilha em vez das levadas, as viagens de nascer ou pôr do sol ao Pico do Arieiro são o outro lado desta mesma cordilheira central.

uma visita ao pôr do sol no Pico do Arieiro e à Escadaria para o Céu

e, mais a oeste,

uma caminhada guiada pelo PR13 entre os til retorcidos do Fanal

ficam ambos dentro da mesma região das montanhas centrais coberta por esta página e combinam naturalmente com um dia no Caldeirão Verde mais cedo ou mais tarde na viagem.

Quando Ir

As melhores janelas são de abril a junho e de setembro a outubro, quando a costa norte já teve normalmente uma pausa da chuva mais intensa do inverno mas o trilho ainda não secou o suficiente para perder por completo a sua cobertura verde. Evite ir logo após um período de chuva forte, independentemente da estação — além do desconforto, os troços acima do desnível da levada tornam-se genuinamente mais perigosos quando molhados, e o risco de queda de pedras aumenta nos troços com túneis. Verifique o estado atual do trilho junto do IFCN, o instituto florestal e de conservação da natureza da Madeira, antes de sair de carro; troços deste percurso fecham, por vezes durante semanas, depois de tempestades.

Começar cedo compensa duas vezes aqui: temperaturas mais frescas no primeiro troço descoberto a sair das Queimadas, e uma boa hipótese de ter os túneis só para si, em vez de fazer fila atrás de um grupo com as lanternas a balançar à frente.

Caldeirão Verde: As Suas Perguntas Respondidas

Qual é a duração da caminhada da Levada do Caldeirão Verde?

Cerca de 13km ida e volta a partir do parque de estacionamento das Queimadas, com quase nenhum desnível ao longo do caminho. A maioria dos caminhantes precisa de cinco a sete horas, incluindo descanso e paragens para fotografias, o que é mais do que o perfil plano por si só sugere.

É preciso licença para este percurso?

Sim. Desde 1 de agosto de 2021, este percurso PR oficial exige uma licença paga — cerca de €3 por pessoa, por dia — reservada online em simplifica.madeira.gov.pt e apresentada caso seja pedida no local.

Os túneis são mesmo escuros?

Completamente. São quatro, o mais longo com mais de 200 metros através de rocha maciça, com piso irregular e frequentemente molhado. Uma lanterna de cabeça adequada, e não a luz do telemóvel, é a única forma sensata de os atravessar.

Esta caminhada é adequada para iniciantes ou famílias com crianças pequenas?

Não muito. A distância, os túneis sem luz e a queda sem proteção acima da levada em alguns troços tornam-na mais adequada a caminhantes com alguma experiência do que a uma primeira saída em família na ilha.

Qual é a diferença entre esta caminhada e a Levada das 25 Fontes?

Ambas são antigos canais de irrigação transformados em caminhadas emblemáticas, mas o percurso das 25 Fontes, no Rabaçal, é mais curto, não tem túneis e termina numa poça larga sob várias cascatas, enquanto o Caldeirão Verde é mais longo, tem túneis e termina numa única poça funda com cascata.

Posso nadar na poça no final?

Algumas pessoas fazem-no, mas a água mantém-se fria o ano todo, não há nadador-salvador nem balneário, e a floresta em volta raramente recebe sol direto por muito tempo — trate-a como um mergulho breve e revigorante, não como uma paragem de praia.

O que devo levar?

Uma lanterna de cabeça com pilhas suplentes ou uma luz de reserva, camadas quentes para os túneis, calçado com boa aderência, mais comida e água do que parece necessário, e a confirmação da licença guardada num sítio onde a possa mostrar sem precisar de rede.

O percurso alguma vez está fechado?

Sim. Chuva forte, risco de queda de pedras ou manutenção programada fecham troços deste percurso com pouco aviso, por isso vale a pena verificar o estado do trilho junto do IFCN antes de sair, o que demora apenas dois minutos.

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