Boca da Encumeada, o Colo Entre o Norte e o Sul
Pico do Arieiro, Rabaçal & o interior montanhoso

Boca da Encumeada, o Colo Entre o Norte e o Sul

A Boca da Encumeada é o colo montanhoso central da Madeira, com vistas para as duas costas num dia claro — embora um dia claro dos dois lados nunca esteja

Factos rápidos

Tempo de condução desde o Funchal
45–55 minutos
Orçamento diário
€40–70 por pessoa (aluguer de carro, combustível, uma paragem para café)
Melhor época
Abril–junho e setembro–outubro
Tempo a reservar
20–40 minutos no miradouro, meio dia se combinado com uma caminhada curta
Ideal para
Condutores em viagem entre a costa norte e o Funchal, Fotógrafos à procura de uma janela de céu limpo sobre as duas costas, Caminhantes que ligam trilhos curtos em ambos os flancos do colo, Visitantes de primeira vez com pouco tempo que ainda assim querem vistas de montanha a sério
Melhor época para visitar
O colo tende a estar mais limpo a meio da manhã, antes de as nuvens da tarde se formarem a partir do sul. Abril a junho e setembro a outubro oferecem as melhores probabilidades de uma travessia calma e seca; dezembro a fevereiro traz mais nuvens e, ocasionalmente, estradas fechadas após tempestades.
Dias necessários
Meio dia no máximo, normalmente incluído numa condução mais longa
Resposta rápida

O que é a Boca da Encumeada e vale a pena o desvio?

A Boca da Encumeada é um colo montanhoso no centro da Madeira onde um único miradouro permite ver ao mesmo tempo a costa norte, verde, e a costa sul, mais seca. É uma paragem curta, não uma caminhada em si, e a dupla vista depende inteiramente das nuvens — muitos visitantes só conseguem ver um dos lados.

Onde o Norte Encontra o Sul

O interior da Madeira é uma muralha de montanhas que corre aproximadamente de leste a oeste, e durante séculos a única forma de a atravessar era a pé, por colos que ficavam cobertos de nuvens durante dias seguidos. A Boca da Encumeada é a mais baixa e mais fácil dessas travessias, uma sela na cordilheira onde a estrada sobe apenas o suficiente para colocar as duas costas à vista a partir do mesmo ponto.

Do lado norte, o terreno desce abruptamente em direção a Serra de Água e depois a São Vicente; do lado sul desce na direção oposta, para o mesmo sistema de vales que leva a estrada até Ribeira Brava. Fique junto ao gradeamento num dia claro e poderá, em princípio, observar as duas costas ao mesmo tempo — um arranjo suficientemente raro numa ilha tão vertical que se tornou uma das paragens clássicas em qualquer condução pelo centro da ilha.

Vale a pena ser preciso sobre que tipo de lugar é este, porque costuma ser sobrevalorizado. A Boca da Encumeada não é uma caminhada. Não é uma reserva natural, uma floresta, nem uma cascata. É um colo de estrada com um miradouro, um parque de estacionamento e um punhado de trilhos que partem para as colinas, para quem quiser transformar uma paragem fotográfica de cinco minutos em algo mais longo. A maioria dos visitantes trata-a exatamente assim: uma pausa numa condução mais longa entre a costa norte e o Funchal, não um destino que justifique um dia inteiro.

Como Chegar ao Colo

A abordagem mais comum é a partir do Funchal via Ribeira Brava e Serra de Água, seguindo a ER104 à medida que sobe do vale numa longa sucessão de curvas apertadas. Reserve 45 a 55 minutos a partir do centro do Funchal em tráfego normal, mais se parar em algum dos miradouros ao longo da subida, o que a maioria dos condutores faz. Vindo da costa norte, a mesma estrada desce do colo em direção a São Vicente, o que torna a Encumeada um ponto médio natural para quem faz um circuito que abrange os dois lados da ilha num único dia.

Um túnel rodoviário passa agora por baixo da cordilheira e absorve a maior parte do tráfego de passagem, o que sossegou consideravelmente a antiga estrada do colo — já não é a artéria principal que era, o que é uma boa notícia para quem quiser parar, estacionar e realmente contemplar a vista, em vez de encostar numa via de passagem.

Veja o guia da condução na Madeira para as regras gerais destas estradas de montanha, e o guia de aluguer de carro se ainda não tiver tratado do veículo — um carro de aluguer pequeno enfrenta este percurso sem dificuldade, mas as curvas apertadas premeiam um tamanho compacto em detrimento de algo volumoso. Não há transporte público que torne o colo uma paragem prática por si só; isto é uma condução, não um desvio de autocarro.

A Vista Que Não É Uma Promessa

Aqui está o facto que a maioria dos artigos informais omite, e o que esta página existe para corrigir: a dupla vista das duas costas ao mesmo tempo não é algo que se possa planear. O clima da Madeira é, na verdade, dois climas diferentes de cada lado da mesma cordilheira — o norte húmido e verde, o sul seco e ensolarado — e as nuvens que os separam tendem a acumular-se contra as montanhas e a transbordar sobre o colo numa direção ou noutra na maioria dos dias.

Chegue à Encumeada e pode encontrar uma vista nítida para sul, em direção a Ribeira Brava, e uma parede de nuvens cinzentas a norte, ou exatamente o contrário, ou, numa manhã de sorte, ambas. O que não deve fazer é planear um dia inteiro na promessa de ver as duas costas com nitidez, como alguns roteiros dão a entender. Trate-a como uma possibilidade genuína e não como uma garantia, e não ficará desiludido quando as nuvens fizerem o que costumam fazer.

O tempo do dia ajuda, ainda que não de forma perfeita. As nuvens tendem a acumular-se ao longo do dia, à medida que o sol aquece a costa sul e empurra ar quente e húmido pelos vales acima, pelo que as manhãs — em particular a meia manhã, depois de qualquer neblina noturna se ter dissipado mas antes da acumulação da tarde — oferecem as melhores probabilidades.

O guia do tempo em altitude e o que vestir aborda este padrão com mais profundidade, e aplica-se aqui tanto quanto mais acima, no Pico do Arieiro ou no Pico Ruivo. Se estiver a percorrer a ilha com alguma flexibilidade no horário, vale a pena verificar as condições antes de se comprometer com o desvio, e não depois.

Caminhadas Curtas a Partir do Colo

Para quem estiver disposto a passar mais do que uma paragem fotográfica aqui, há trilhos sinalizados que partem das imediações do colo em ambas as direções, seguindo o mesmo princípio da rede de levadas noutros pontos da ilha: um percurso de inclinação suave talhado na encosta, estreito, muitas vezes exposto de um dos lados, e que não deve ser tratado como plano e fácil só porque não é íngreme.

Estes ligam-se, eventualmente, à rede mais vasta de trilhos que atravessam as montanhas centrais em direção ao Paul da Serra e ao vale do Rabaçal, onde caminhadas como a 25 Fontes e a Levada do Risco atraem a maior parte dos caminhantes que vêm a esta zona da ilha especificamente para caminhar, e não apenas para atravessá-la de carro.

Se quiser um dia de caminhada a sério nesta zona das montanhas, em vez de um passeio curto a partir do parque de estacionamento, vale a pena procurar mais além, em rotas concebidas para isso. Uma caminhada guiada de dia inteiro como a

caminhada de dia inteiro Ribeiro Frio a Portela

cobre um terreno semelhante — trilhos estreitos de levada, túneis, vistas amplas — com um guia que conhece as condições atuais do trilho, o que importa mais aqui do que em quase qualquer outro tipo de percurso pedestre na ilha.

Para quem procura a travessia mais conhecida da ilha, e não esta, a

caminhada guiada do Pico Areeiro ao Pico Ruivo

é a página certa a consultar, e não a Encumeada — os dois colos são frequentemente confundidos por quem planeia a viagem pela primeira vez, e são, de facto, empreendimentos muito diferentes.

Boca da Encumeada Versus a Travessia do Pico do Arieiro

Vale a pena distinguir claramente este colo da outra travessia de montanha, muito mais famosa, da Madeira. A Vereda do Arieiro — o trilho PR1 que liga o Pico do Arieiro ao Pico Ruivo — é uma verdadeira caminhada de montanha de meio dia, com túneis abertos em rocha viva, escadarias de pedra e exposição real, e integra a rede oficial de trilhos pagos, com o seu próprio requisito de autorização. A Boca da Encumeada não é isso.

Fica mais a oeste, é atravessada por estrada e não apenas a pé, e a visita padrão é uma paragem de vinte minutos a uma hora, não uma caminhada exigente que precise de lanterna frontal e quatro horas de luz do dia. Se o que realmente quer é a travessia dramática ao longo da crista, com vistas de tirar o fôlego e uma verdadeira sensação de conquista, essa página — e esse trilho — é o que deve planear, não este. Se o que quer é uma paragem rápida e panorâmica num dia de condução, com a possibilidade de uma vista sobre as duas costas, a Encumeada é exatamente a paragem certa.

Combinar o Colo Com um Dia nas Montanhas

A maioria dos visitantes chega à Encumeada como uma paragem entre várias, num dia dedicado às montanhas centrais mais amplas, e encaixa-se naturalmente nesse tipo de roteiro. Um padrão comum sobe do Funchal por Curral das Freiras e o miradouro da Eira do Serrado, atravessa até ao colo, e segue até ao Paul da Serra ou ao Fanal, antes de voltar pela costa norte.

Fazer este percurso por conta própria dá controlo total sobre o tempo que se demora em cada paragem — útil dado o quanto a vista da Encumeada depende do tempo — enquanto um dia guiado retira a necessidade de navegação e permite que alguém que conhece as condições atuais da estrada e dos trilhos planeie em função das nuvens, e não de um horário fixo.

Para uma versão guiada deste tipo de dia nas montanhas centrais, um

passeio de jipe pela Madeira de meio dia com início ao nascer do sol

costuma ligar vários dos miradouros da região enquanto a luz está no seu melhor, antes de as nuvens terem tempo de se acumular sobre o colo.

Mais perto do Funchal, o

passeio de tuk-tuk à Eira do Serrado

cobre o miradouro do Curral das Freiras, que muitas pessoas combinam com uma ida à Encumeada no mesmo dia, sem precisar de conduzir as estradas de montanha por conta própria. Veja o roteiro de uma semana na Madeira ou o mais orientado para caminhadas semana de caminhadas na Madeira para saber onde uma paragem como esta costuma encaixar numa viagem mais longa.

Tempo, Timing e o Que Vestir

A coisa mais útil a saber antes de subir até aqui é que a temperatura e o vento no colo têm pouca relação com as condições no Funchal ou na praia do Porto Moniz. Em altitude, numa cordilheira exposta que canaliza o ar de ambas as costas, está rotineiramente dez graus mais fresco do que ao nível do mar, e consideravelmente mais ventoso, mesmo em dias que parecem quentes e estáveis junto à água. Vale a pena manter sempre uma camada corta-vento leve no carro, independentemente da época do ano, e no inverno vale a pena acrescentar algo ainda mais quente — este é um dos miradouros mais expostos da rede rodoviária da ilha, e o vento junto ao gradeamento pode ser cortante mesmo com sol.

As nuvens e a chuva são a outra variável. O colo pode ficar completamente encoberto durante horas, particularmente depois da passagem de uma frente, e as estradas de montanha em ambas as vertentes fecham ocasionalmente depois de chuva forte ou derrocada, tal como acontece com os trilhos das levadas noutros pontos da ilha. Se a previsão para o interior parecer má, vale a pena verificar as condições antes de fazer a viagem, e não depois — uma ida e volta desperdiçada em nevoeiro é uma das pequenas desilusões mais comuns relatadas por quem faz um circuito pelas montanhas centrais pela primeira vez.

Onde Parar Nas Proximidades

A Encumeada raramente é a única paragem de um roteiro, e não precisa de ser. Seguindo para norte a partir do colo, a estrada desce em direção a São Vicente e as suas grutas vulcânicas, com o Porto Moniz e as suas piscinas naturais mais meia hora além. Seguindo para sul, é um curto trajeto até Serra de Água e depois até Ribeira Brava, na estrada costeira de volta ao Funchal.

A oeste do colo, a estrada sobe até ao Paul da Serra, o único verdadeiro planalto da ilha, com o Rabaçal e as suas caminhadas de levada a um curto desvio dessa estrada, e o Fanal mais adiante para quem esperar apanhar a sua floresta de nuvens em boas condições. Mais perto do Funchal, o Curral das Freiras e o seu miradouro de crista na Eira do Serrado situam-se naturalmente no mesmo circuito.

Para uma perspetiva mais ampla de como as duas costas da ilha diferem — que é, afinal, exatamente o que este colo tenta mostrar de relance — o guia norte versus sul da Madeira apresenta o contraste com mais detalhe do que uma única paragem de miradouro consegue. E para um panorama mais amplo de onde mais na ilha vale a pena parar apenas pela vista, o guia dos melhores miradouros da Madeira coloca a Encumeada no contexto da dúzia ou mais de outros que vale a pena incluir num dia de condução.

Aspetos Práticos: Estacionamento, Instalações e Segurança

O estacionamento no colo é um espaço informal junto à berma, e não um parque de estacionamento gerido, e enche-se por volta do meio-dia na época alta, particularmente quando autocarros turísticos e comboios de jipes passam ao mesmo tempo. Chegar mais cedo pela manhã evita a maior parte dessa afluência e, como já referido, também oferece melhores probabilidades de uma vista limpa antes de as nuvens da tarde se acumularem. Há um pequeno café-restaurante no colo, mas os seus horários são irregulares fora da época principal e não deve ser considerado garantido para uma refeição — levar água e um snack é o plano mais seguro, como acontece na maioria das paragens no interior da Madeira, longe das povoações.

A principal preocupação de segurança é a própria estrada e não o miradouro: curvas apertadas, nevoeiro ocasional que reduz drasticamente a visibilidade, e gado ou tráfego turístico lento nas estradas de acesso. Conduza a um ritmo adequado às condições e não ao limite indicado, use os locais de cruzamento em vez de forçar uma passagem numa curva sem visibilidade, e trate qualquer nesga de nevoeiro como motivo para abrandar substancialmente, não apenas como um elemento cénico.

Nada disto é invulgar nas estradas de montanha da Madeira, mas a popularidade da Encumeada como paragem faz com que veja mais condutores de montanha ocasionais e de primeira vez do que algumas das rotas mais tranquilas nas proximidades, e isso justifica um pouco mais de cautela.

Boca da Encumeada: As Suas Perguntas Respondidas

É preciso reservar alguma coisa para visitar a Boca da Encumeada?

Não. O colo é um miradouro de acesso livre junto à estrada pública, sem bilhete, sem portão e sem horário marcado. Se seguir para um dos trilhos oficiais de levada nas proximidades, esse trilho tem a sua própria taxa, mas o colo em si não custa nada.

A dupla vista de norte e sul está garantida?

Não, e esta é a desilusão mais comum relatada pelos visitantes. As nuvens sobem a partir do norte ou do sul (ou de ambos) na maioria dos dias, e uma vista verdadeiramente limpa das duas costas ao mesmo tempo é mais a exceção do que a regra.

Quanto tempo demora a condução do Funchal até à Boca da Encumeada?

Cerca de 45 a 55 minutos num dia normal, sobretudo pela ER104 através de Serra de Água, mais o tempo que decidir passar a parar nos miradouros ao longo da subida.

É possível caminhar a partir do colo, ou é apenas um miradouro?

As duas coisas. A maioria dos visitantes limita-se a parar no miradouro para fotografias, mas há trilhos curtos e sinalizados que partem das imediações do colo em cada direção, e rotas mais longas ligam-no a caminhadas mais para dentro das montanhas, para quem tiver mais tempo e boas botas.

A Boca da Encumeada é o mesmo que a travessia do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo?

Não, e é fácil confundir os dois. A Boca da Encumeada é um colo de estrada com uma paragem curta de miradouro; a travessia do Pico do Arieiro ao Pico Ruivo (PR1) é uma caminhada de montanha exigente de meio dia, mais a leste, com os seus próprios túneis e a sua própria autorização.

O que se deve vestir no colo?

Mais do que sugere o tempo na costa. O colo situa-se em altitude e apanha vento de ambos os lados da ilha, por isso vale a pena levar uma camada corta-vento mesmo num dia quente no Funchal — veja o guia do tempo em altitude para o que costuma apanhar as pessoas desprevenidas.

Há estacionamento e algum sítio para comer na Boca da Encumeada?

Há estacionamento informal junto à berma perto do miradouro, e um pequeno café-restaurante no colo que mantém horários irregulares fora da época alta. É sensato tratá-lo como um extra e não como um plano, e levar sempre água e snacks.

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