A sul dos túneis por onde passa a maioria dos condutores sem sequer reparar, um pequeno teleférico privado desce a partir da estrada da costa, na Quinta Grande, e leva os visitantes cerca de 300 metros até um terraço de bananeiras e vinhas quase ao nível do mar. Não há outra forma de descer por terra.
Um Terraço Que a Estrada Nunca Alcança
A Quinta Grande é uma pequena freguesia na estrada da costa entre Câmara de Lobos e Ribeira Brava, um trecho da costa oeste onde as arribas da Madeira mergulham a pique no Atlântico e onde os antigos túneis da VR1 deixam agora que a maior parte do trânsito de passagem contorne a vila por completo. Poucos visitantes param aqui a caminho entre o Cabo Girão e os resorts mais a oeste, o que é precisamente o que mantém o lugar tranquilo.
O que atrai as pessoas a saírem da estrada não é a freguesia em si, mas o que se encontra abaixo dela: a Fajã dos Padres, um terraço plano de terreno cultivado encaixado entre a base da arriba e o mar, invisível a partir da estrada acima e alcançável apenas por dois meios — um pequeno teleférico ou um barco. Não há uma terceira opção. Resultados de pesquisa e guias mais antigos por vezes mostram um parque de estacionamento junto à água; esse parque fica no alto, na Quinta Grande, e não na fajã propriamente dita. Ninguém desce de carro até ao terraço, e ninguém alguma vez o fará — a geografia não o permite.
O Teleférico: Quase a Única Forma de Descer
O teleférico é operado de forma privada pelo restaurante lá em baixo, suspenso num cabo que desce pela arriba cerca de 300 metros em poucos minutos. Funciona segundo o horário do próprio restaurante e não segundo uma tabela pública fixa, geralmente a meio do dia e até à noite nos meses mais quentes, e fecha quando o restaurante fecha. Este pormenor apanha muita gente desprevenida: aparecer fora do horário de funcionamento, sobretudo num dia útil calmo fora de época, pode significar que o teleférico simplesmente não esteja a funcionar.
Como o passeio e a refeição são geridos pelo mesmo operador, trate a visita como um pacote e não como dois assuntos separados. Confirme horários e preços no próprio dia, de preferência por telefone, antes de fazer a viagem desde o Funchal — uma viagem em vão até aqui custa a maior parte de uma hora, para cada lado. O próprio teleférico é pequeno, feito para poucos passageiros de cada vez, e a descida oferece uma vista a pique sobre a arriba que a estrada acima nunca proporciona, com os socalcos de bananeiras e o telhado do restaurante a surgirem gradualmente lá em baixo.
O Que Espera Lá em Baixo
Na base, o terraço está plantado quase de ponta a ponta com bananeiras, a cultura que discretamente tem vindo a suplantar a cana-de-açúcar em grande parte das encostas viradas a sul e mais quentes da Madeira. Entre as plantações, vinhas baixas são conduzidas ao longo dos socalcos, cultivadas para o vinho da própria quinta e não para exportação comercial, e algumas mangueiras e outras árvores de fruto subtropicais preenchem os espaços. O próprio nome vem dos frades franciscanos que cultivaram este mesmo terreno há séculos — uma fajã, no uso madeirense, é qualquer terraço plano isolado ao pé de uma arriba, e este manteve o nome dos seus antigos ocupantes muito depois de os frades terem partido.
Abaixo dos socalcos, uma pequena zona de banhos natural fica sobre as rochas, usada sobretudo por quem vem almoçar e não como destino de banho por si só, e depende inteiramente da calma do mar nesse dia. Não há praia de areia aqui, nem nadador-salvador — isto é uma pequena exploração agrícola com um restaurante anexo, não um resort.
Comer na Fajã
O único restaurante ao nível do mar serve peixe fresco e vinho feito com as uvas da própria quinta, e é a razão pela qual a maioria das pessoas faz a descida. Os lugares são limitados, o cenário é invulgar o suficiente para atrair reservas com bastante antecedência nos meses de verão, e, como os horários de funcionamento do teleférico acompanham o serviço da cozinha, ir comer é a forma mais simples de garantir que o teleférico está mesmo a funcionar quando pretende usá-lo.
Quem planeie uma prova mais alargada da gastronomia e das bebidas da região, antes ou depois, deve ver o que mais a costa oeste oferece — onde comer por zona cobre o trecho aqui perto, e o vinho da Madeira explicado esclarece em que é que vinhos de quinta como este diferem dos vinhos fortificados Sercial e Malvasia vendidos nas caves do Funchal.
Chegar de Barco
A segunda via de acesso é pelo mar. Pequenos barcos que partem de Câmara de Lobos e do Funchal conseguem atracar na fajã, uma opção que alguns viajantes usam em vez do teleférico, ou em conjunto com ele — chegando pela água e partindo pelo cabo, ou o inverso. Um
cruzeiro ao longo da costa sul
passa muitas vezes perto o suficiente para se ver os socalcos a partir da água, mesmo sem parar, e uma
saída num barco de pesca tradicional xávelha, a partir do Funchal
proporciona um olhar mais lento e mais local sobre esta mesma costa.
Quem alugue um barco em privado para uma tarde na costa oeste pode também considerar um
charter privado com partida da Calheta
, mais adiante na costa, que pode ser encaminhado a passar pela fajã na saída. Para uma visão mais ampla dos passeios de barco que cobrem a costa sul, o guia de passeios de barco a partir do Funchal é o local certo para comparar operadores e rotas.
A Vila de Quinta Grande
Acima da arriba, a Quinta Grande em si é uma modesta faixa de casas e campos em socalco ao longo da estrada da costa, fácil de atravessar de carro sem reparar, a menos que se esteja à procura do desvio para o teleférico. Não tem nada da animação portuária de Câmara de Lobos, poucos minutos a leste, nem do ambiente de vila comercial de Ribeira Brava, poucos minutos a oeste — o seu interesse para os visitantes está quase inteiramente na descida, e não na vila ao nível da estrada.
Quem conduza por aqui deve reparar que a estrada da costa ainda mantém as curvas apertadas e as bermas íngremes típicas das rotas anteriores aos túneis; o guia de condução na Madeira e o guia de aluguer de carro na Madeira valem a pena ler antes de uma primeira condução neste trecho, e um carro de aluguer pequeno torna o estacionamento na Quinta Grande consideravelmente menos stressante do que um carro grande, como se explica em porque é que um carro de aluguer pequeno faz diferença aqui.
Perto, na Mesma Estrada
A Quinta Grande fica entre duas das paragens mais conhecidas da costa oeste, e ambas são fáceis de encaixar no mesmo meio-dia sem grande desvio. Câmara de Lobos, a vila piscatória onde Winston Churchill outrora pintava, fica a pouca distância de carro para leste — a sua própria página cobre o porto, os bares de poncha e as vistas sobre a arriba em detalhe, e um périplo de poncha por Câmara de Lobos é uma forma natural de terminar o dia depois de subir de volta da fajã.
A oeste da Quinta Grande, o Cabo Girão e o seu miradouro de piso de vidro ficam a apenas alguns minutos mais adiante na estrada da costa, detalhado no guia do miradouro do Cabo Girão, e a estrada continua em direção ao Estreito de Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol e, por fim, Calheta e Paul do Mar.
Para quem queira encadear vários destes pontos, o guia de excursão de um dia pela Madeira ocidental e o guia dos melhores miradouros da Madeira usam ambos esta mesma estrada como espinha dorsal.
Os viajantes que queiram ver a costa oeste de jipe, em vez de carro alugado, também têm essa opção: um
passeio de jipe ao pôr do sol em direção a Paul do Mar
percorre grande parte desta costa mais tarde no dia, passando pelo desvio para a Quinta Grande, ajustado à luz e não a uma paragem na fajã. Quem se sinta mais atraído pela vida marinha do que pelos socalcos de bananeiras poderá preferir um passeio de catamarã de observação de golfinhos e baleias a partir do Funchal, que cobre águas mais abertas, longe deste trecho abrigado da costa.
Planear a Visita
| O quê | Detalhe |
|---|---|
| Como chegar | Conduzir até ao parque de estacionamento da Quinta Grande, na estrada da costa; não há estrada direta até à fajã |
| Descer até à fajã | Teleférico privado (gerido pelo restaurante) ou chegada de barco |
| Custo típico | €40–70 por pessoa pelo teleférico e uma refeição, ou o preço de um passeio de barco |
| Padrão de funcionamento | Ligado aos horários de serviço do restaurante — confirmar antes de fazer a viagem, sobretudo fora de época |
| No local | Um restaurante, socalcos de bananeiras e vinhas, uma pequena zona de banhos sobre rochas |
| Combinar bem com | Câmara de Lobos ou Cabo Girão, na mesma estrada da costa |
Quinta Grande e Fajã dos Padres: As Suas Perguntas Respondidas
Pode-se descer de carro até à Fajã dos Padres?
Não. Não existe estrada até ao terraço em si. Estaciona-se na Quinta Grande, na estrada principal da costa, e desce-se de teleférico privado ou chega-se de barco. Qualquer anúncio que mostre um parque de estacionamento junto à água está a descrever outro lugar.
Quanto custa o teleférico?
É gerido pelo restaurante lá em baixo e o preço está incluído numa visita, e não vendido como bilhete de teleférico autónomo, geralmente associado de forma pouco rígida a uma refeição ou bebida. As tarifas não têm uma tabela pública fixa, por isso confirme o preço e os horários atuais localmente antes de fazer a viagem de carro.
A Fajã dos Padres é o mesmo que Câmara de Lobos?
Não. Câmara de Lobos é a vila piscatória a poucos minutos de carro para leste, com o seu próprio porto, bares de poncha e vistas sobre as falésias. A Quinta Grande e a sua Fajã ficam num trecho separado da mesma estrada da costa, sem vila ao nível do mar, apenas o terraço cultivado e o restaurante.
O que significa “fajã”?
Uma fajã é uma pequena plataforma plana na base de uma arriba, normalmente formada por um deslizamento de terras ou por um fluxo de lava, isolada da rede de estradas acima. A Madeira tem várias; a Fajã dos Padres é uma das poucas preparadas para visitantes, com os frades franciscanos que outrora a cultivaram a dar o nome ao local — “a fajã dos padres”.
Pode-se nadar na Fajã dos Padres?
Existe uma pequena zona de banhos natural sobre as rochas, abaixo do restaurante, usada sobretudo por quem desce para almoçar. Não é uma praia de areia e depende inteiramente das condições do mar nesse dia.
Há restaurante lá em baixo?
Sim, um restaurante serve peixe fresco e vinho produzido nas próprias vinhas da quinta, cultivadas nos socalcos à sua volta. É a única opção de restauração na fajã, e vale a pena reservar com antecedência na época alta, já que os horários de funcionamento do teleférico estão ligados aos horários de serviço do restaurante.
Quanto tempo se deve reservar para a visita?
Conte com meio dia. A descida e a subida de teleférico demoram apenas minutos, cada uma, mas a maioria dos visitantes prolonga-se por um almoço de duas a três horas, e o local é pequeno o suficiente para não haver muito mais para preencher além disso.
O que se cultiva na Fajã?
As bananeiras cobrem a maior parte do terreno plano, ao lado de vinhas conduzidas baixas contra o sol e algumas mangueiras e outras árvores de fruto subtropicais, tudo irrigado a partir das arribas acima, e não a partir de uma levada ao nível do mar.


