Observação de Baleias e Golfinhos na Madeira
Observação de baleias & golfinhos

Observação de Baleias e Golfinhos na Madeira

Resposta rápida

É possível ver baleias e golfinhos na Madeira?

Sim. Já foram registadas cerca de vinte espécies de cetáceos nas águas ao largo da Madeira, incluindo golfinhos-pintados-do-Atlântico, golfinhos-roazes, cachalotes e baleias-de-Bryde. Os passeios de barco funcionam durante todo o ano a partir do Funchal, Calheta e Caniçal, com duração típica entre duas e três horas e meia.

Um cruzamento oceânico: o que vive junto à costa da Madeira

A Madeira tem a seu favor um acidente geográfico que a maioria dos destinos de observação de baleias invejaria: o fundo do mar desce abruptamente perto da costa, pelo que as águas profundas — e os animais que mergulham fundo e as utilizam — ficam muitas vezes a apenas alguns quilómetros da marina, em vez de uma travessia de meio dia. O arquipélago situa-se também num corredor migratório norte-sul usado pelos cetáceos que se deslocam entre zonas de alimentação e águas de reprodução mais quentes, o que ajuda a explicar por que os avistamentos acontecem em todos os meses do ano, e não apenas numa curta época.

Já foram registadas cerca de vinte espécies de baleias e golfinhos nas águas madeirenses ao longo dos anos, desde pequenos golfinhos sociáveis que surfam na onda de proa dos barcos até cachalotes capazes de mergulhar durante quase uma hora. Nem todas as vinte aparecem numa determinada tarde, e este guia não promete deliberadamente nenhuma delas em particular — a versão honesta desta atividade é que se sai com boas probabilidades de ver golfinhos e uma hipótese real, mas imprevisível, de algo maior.

As espécies que é mais provável ver

Duas espécies de golfinho fazem a maior parte do trabalho do dia a dia. O golfinho-pintado-do-Atlântico desloca-se em cardumes animados e frequentemente numerosos, e é um dos animais mais reportados nos passeios a partir do Funchal. O golfinho-roaz é o outro habitual, reconhecível pelo tamanho e pela clássica barbatana dorsal curva, sendo muitas vezes avistado mais perto da costa do que o golfinho-pintado.

Para além dos dois golfinhos, os avistamentos tornam-se menos certos, mas ainda assim significativamente comuns. O cachalote — a baleia mais procurada na Madeira, e o animal em torno do qual se construiu a antiga indústria baleeira — passa pelas águas profundas ao largo da costa sul na maioria dos meses do ano, embora nunca a pedido.

A baleia-de-Bryde, uma baleia de barbas que se alimenta de peixes pequenos, é a outra baleia mais associada a estas águas, sendo geralmente mais reportada na primavera e no início do verão do que no inverno, ainda que os padrões variem de ano para ano. As baleias-piloto-de-barbatana-curta e o golfinho-comum (uma espécie diferente e mais pequena do que o golfinho-roaz) completam a lista de animais que existe uma hipótese realista de encontrar.

EspécieTipoFrequência de avistamento
Golfinho-pintado-do-AtlânticoGolfinhoMuito comum, na maioria dos meses
Golfinho-roazGolfinhoMuito comum, na maioria dos meses
CachaloteBaleia dentadaRegular, mas não garantido
Baleia-piloto-de-barbatana-curtaBaleia dentadaOcasional
Baleia-de-BrydeBaleia de barbasOcasional, mais na primavera/verão
Golfinho-comumGolfinhoOcasional

Nenhum passeio de barco na Madeira, e nenhum operador honesto, lhe dirá qual destes animais vai ver antes de sair do porto. Essa incerteza é o preço a pagar por observar animais selvagens em mar aberto, em vez de num parque marinho.

De onde partem os passeios: Funchal, Calheta e Caniçal

O Funchal é onde acontece a grande maioria da observação de baleias e golfinhos. Os

barcos RIB rápidos que partem da marina

várias vezes por dia oferecem a maior escolha de horários de partida, e a grande frota do Funchal permite escolher entre pequenos botes insufláveis rígidos, catamarãs de tamanho médio e barcos à vela, consoante o conforto — ou a velocidade — que se pretende. A marina do Funchal é a base natural para esta atividade, a uma curta distância a pé da zona velha e da maioria dos hotéis ao longo do passeio do Lido.

Calheta, na costa oeste, mais soalheira e seca, tem a sua própria marina pequena e os seus próprios operadores, útil se estiver alojado em Calheta, no Jardim do Mar ou nessa zona da costa e preferir não conduzir de volta ao Funchal para um passeio ao final da tarde. Os passeios daqui chegam praticamente às mesmas águas profundas dos barcos do Funchal, apenas a partir de um ângulo diferente.

O Caniçal, na ponta este da ilha, perto da Ponta de São Lourenço, é o menor dos três pontos de partida e o mais carregado historicamente — foi o último porto baleeiro em atividade na Madeira antes de a caça terminar em 1981. É uma base útil para quem está alojado em Machico ou na zona este, e combina naturalmente com uma visita ao museu da baleia, abordado no seu próprio guia e não aqui.

Como é um passeio típico

Os passeios enquadram-se geralmente em dois formatos. Um passeio de RIB é rápido, próximo da água e transporta um grupo mais pequeno — muitas vezes uma dúzia de passageiros ou menos —, o que permite maior manobrabilidade se forem avistados golfinhos, ao custo de mais solavancos e salpicos no trajeto de ida. Um catamarã ou barco maior é mais lento, mais estável e transporta mais passageiros, o que convém a famílias, a quem seja propenso a enjoo, ou a quem prefira sentar-se e observar o horizonte com uma bebida na mão em vez de se agarrar a um corrimão.

A maioria dos passeios a partir do Funchal dura entre duas e três horas e meia, incluindo o trajeto de ida e volta até ao mar alto — os golfinhos e as baleias não estão mesmo à entrada do porto, pelo que o tempo de trajeto faz parte de qualquer passeio, seja qual for o tipo de barco. Um mestre ou guia marinho a bordo costuma explicar o que tem sido avistado recentemente e o que procurar, e os melhores operadores levam um hidrofone para que os passageiros possam ouvir os cliques e assobios dos golfinhos, ou ocasionalmente uma baleia distante, debaixo de água.

Para um primeiro passeio sem preferências específicas, um

passeio de barco partilhado normal a partir da marina

cobre bem o essencial. Se um grupo pequeno ou um horário de partida específico for mais importante, um

passeio privado só para o seu grupo

elimina as limitações de horário de um passeio partilhado, a um preço mais elevado.

E para quem prefere que a luz, e não a vida selvagem, seja o principal protagonista, um

passeio de lancha rápida ao pôr do sol

combina a possibilidade de ver golfinhos com a recompensa muito mais garantida de ver o sol a pôr-se sobre o Atlântico em mar aberto.

Preços e o que incluem

Tipo de passeioDuração típicaPreço típico (por adulto)Tipo de barco
Passeio partilhado de RIB1,5–2,5 horas€45–€60Bote insuflável rígido pequeno
Passeio partilhado de catamarã/barco2–3,5 horas€50–€75Barco maior e mais estável
Passeio ao pôr do sol1,5–2,5 horas€55–€75RIB ou lancha rápida
Passeio privado2–4 horasA partir de várias centenas de euros pelo barcoVaria

Os preços incluem geralmente coletes salva-vidas, uma explicação de segurança e os comentários da tripulação ou do guia; alguns passeios de catamarã acrescentam uma bebida ou um pequeno lanche. Os fatos de neoprene e o equipamento de snorkeling, quando é oferecida a possibilidade de nadar, são por vezes incluídos e por vezes um extra — vale a pena confirmar antes de reservar, em vez de presumir. Nenhum destes preços compra um avistamento garantido de qualquer espécie em particular; alguns operadores oferecem um passeio de regresso gratuito se não se vir absolutamente nada, o que vale a pena procurar como política de utilização justa, e não como uma promessa do que se vai encontrar.

Nadar com golfinhos e baleias

Um pequeno número de passeios é promovido em torno da ideia de nadar com golfinhos ou baleias, e vale a pena ser claro sobre como isso funciona na prática. Ninguém coloca os praticantes de snorkeling na água segundo um horário fixo; depende inteiramente de se encontrar, nesse dia, um grupo calmo, de movimentos lentos e confortável com a presença de pessoas por perto, o que está longe de acontecer em todos os passeios.

Quando as condições e os animais colaboram, pode ser uma das experiências mais memoráveis que a Madeira tem para oferecer. Quando não colaboram, o passeio continua a ser um passeio de barco com uma boa hipótese de ver golfinhos a partir do convés. Reserve este tipo de passeio com o espírito de “possível, não prometido”, e não ficará desiludido por causa de tempo comum ou de um grupo mais tímido.

Melhor época do ano para esta atividade

Ao contrário da observação de baleias em águas mais frias e sazonais, a Madeira mantém passeios todos os meses do ano, e os golfinhos são avistados com uma frequência aproximadamente semelhante ao longo das estações.

A principal diferença sazonal está no estado do mar, não na vida selvagem: o inverno pode trazer águas mais agitadas e uma maior probabilidade de um passeio ser cancelado ou adiado por razões de segurança, sobretudo nas partidas da costa norte, mais exposta, enquanto do final da primavera ao início do outono se registam geralmente condições mais calmas e uma viagem mais suave. Se as baleias-de-Bryde forem uma esperança específica e não apenas um bónus, a primavera e o início do verão têm historicamente produzido mais registos, ainda que isto seja um padrão, não uma regra.

Combinar um passeio de barco com o resto da costa

Um passeio de observação de baleias e golfinhos combina naturalmente com outras atividades na e junto à água da Madeira. Os mergulhadores e praticantes de snorkeling que exploram a reserva marinha do Garajau estão nas mesmas águas onde os golfinhos são muitas vezes avistados a partir do caminho pedonal junto à costa.

Quem for atraído pela ideia de um oceano aberto e vazio, em vez de um porto movimentado, pode alargar a experiência com um passeio até às Ilhas Desertas, a reserva desabitada a sudeste da Madeira que é também um refúgio para a foca-monge do Mediterrâneo. E para uma noite mais tranquila na água sem se comprometer a um passeio completo de observação de vida selvagem, um catamarã ao pôr do sol a partir da marina do Funchal cobre um terreno semelhante a um ritmo mais suave.

Vale também a pena lembrar que nem todos os operadores na marina tratam os animais, ou os restantes passageiros, da mesma forma — a diferença entre uma abordagem cuidadosa a uma distância respeitosa e um barco que persegue um grupo em busca de uma fotografia melhor é real, e está abordada em pormenor no guia dedicado à escolha de um operador responsável de observação de baleias, e não repetida aqui.

Perguntas frequentes sobre observação de baleias e golfinhos

Que espécies de baleias e golfinhos se podem ver ao largo da Madeira?

Já foram registadas cerca de vinte espécies de cetáceos nas águas madeirenses. Os habituais são o golfinho-pintado-do-Atlântico e o golfinho-roaz, ambos avistados perto da costa durante grande parte do ano. Os cachalotes passam pela zona na maioria dos meses, e as baleias-de-Bryde, as baleias-piloto-de-barbatana-curta e os golfinhos-comuns também são registados, embora de forma menos previsível do que os golfinhos.

A observação de baleias na Madeira é garantida?

Nenhum operador pode garantir uma espécie específica, e nenhum operador honesto o fará. Os golfinhos são vistos na grande maioria dos passeios, mas as baleias são animais selvagens num oceano aberto, não um espetáculo agendado, e um pequeno número de passeios termina sem qualquer avistamento de cetáceos.

Qual a melhor época do ano para observar baleias na Madeira?

Os passeios funcionam durante todo o ano, o que é invulgar para a observação de baleias no Atlântico. Os golfinhos são avistados em todas as estações. Os avistamentos de cachalotes são reportados na maioria dos meses, enquanto as baleias-de-Bryde tendem a estar mais associadas à primavera e ao início do verão, embora isto varie de ano para ano.

Quanto tempo duram os passeios de observação de baleias a partir do Funchal?

A maioria dos passeios normais dura entre duas e três horas e meia, incluindo o tempo de trajeto até ao mar alto e de regresso. Os passeios de RIB tendem a ser mais curtos e rápidos; os passeios de catamarã e à vela demoram mais tempo e são mais lentos, com mais conforto a bordo.

Quanto custa um passeio de observação de baleias na Madeira?

Conte com cerca de 45 a 75 euros por adulto num passeio partilhado de duas a três horas, com os RIBs habitualmente no limite inferior e os catamarãs maiores e os passeios ao pôr do sol no limite superior. Os passeios privados custam consideravelmente mais, geralmente a partir de várias centenas de euros pelo barco.

Há passeios que partem de outros locais além do Funchal?

A marina do Funchal tem, de longe, a maior frota e a maior escolha de horários, mas Calheta, na costa oeste, e Caniçal, na costa este, têm também os seus próprios passeios de observação de baleias e golfinhos, úteis se estiver alojado longe do Funchal ou preferir uma operação mais pequena.

É possível nadar com golfinhos na Madeira?

Alguns operadores promovem a possibilidade de nadar com golfinhos ou baleias, mas isso depende inteiramente de se encontrar, nesse dia, um grupo calmo e acessível, e nunca acontece em todos os passeios. Encare-o como uma possibilidade que um bom operador oferecerá se as condições o permitirem, não como uma atividade reservada.

A observação de baleias na Madeira é segura para crianças?

A maioria dos passeios normais de catamarã e de barcos maiores é adequada para crianças, com coletes salva-vidas fornecidos e uma explicação antes da partida. Os passeios rápidos de RIB envolvem mais solavancos sobre as ondas e mais salpicos, o que algumas crianças mais novas acham desconfortável ou assustador, pelo que um barco mais lento é geralmente a escolha mais segura para famílias.

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