Quatro Dias na Madeira: Funchal, Levadas e o Este Selvagem
4 days

Quatro Dias na Madeira: Funchal, Levadas e o Este Selvagem

Porque Quatro Dias Funcionam Para um Primeiro Olhar Sobre a Madeira

Quatro dias chegam para sentir a Madeira a sério sem tentar fazer tudo, que é o erro que a maioria dos visitantes de primeira viagem comete. Este roteiro mantém-se honesto: um dia no Funchal, um dia no passeio da levada só de shuttle no Rabaçal, um dia na península varrida pelo vento da Ponta de São Lourenço, e um dia a explorar a costa noroeste mais selvagem em torno do Seixal e do Porto Moniz.

Deixados de fora deliberadamente: os picos altos do Pico do Arieiro e do Pico Ruivo, e o Porto Santo. Ambos merecem um dia dedicado cada um, e tentar encaixá-los numa viagem de quatro dias costuma significar chegar exausto ou perder a janela de bom tempo que os torna especiais. Se tiveres uma semana em vez de quatro dias, o nosso roteiro de uma semana na Madeira reintegra os dois como deve ser.

Vais querer um carro de aluguer, pelo menos para o Dia 4 e para o regresso do Rabaçal. Reserva um carro pequeno: as estradas fora da VR1 principal são estreitas e íngremes, e um carro compacto é realmente mais fácil de manobrar nelas do que qualquer coisa maior.

Dia 1: Funchal

Começa na Zona Velha, onde as portas pintadas da Rua de Santa Maria marcam o ritmo de uma manhã tranquila. Desce até ao Mercado dos Lavradores para as bancas de flores e o piso do peixe lá em cima, onde vais ver a espada preta, o peixe-espada que aparece nos menus por toda a ilha. Tem cuidado com os vendedores de fruta que oferecem uma prova grátis e depois pesam um saco que não pediste — é um truque conhecido, e uma recusa educada basta.

À tarde, sobe de teleférico até ao Monte: o teleférico do Monte sobe cerca de 560 metros desde a Zona Velha em cerca de quinze minutos, com vista sobre o anfiteatro de socalcos do Funchal durante todo o percurso. No topo, o Monte Palace Tropical Garden e a igreja de Nossa Senhora do Monte valem, entre os dois, cerca de uma hora. Se quiseres experimentar o carro de cesto de vime na descida, sabe de antemão que não é transporte — os carreiros empurram-te cerca de dois quilómetros até ao Livramento e ainda vais precisar de um táxi para voltar à cidade.

Ao fim da tarde, um passeio guiado pelo Funchal com algumas paragens para provas locais é uma boa forma de obter contexto que dificilmente terias sozinho — um pouco de poncha, uma dentada de bolo do caco, uma noção de que ruas ganham vida depois de escurecer.

um passeio guiado ao fim da tarde pelo Funchal com provas locais de comida e bebida

Se preferires trocar o teleférico por algo mais ativo, uma caminhada guiada de dia inteiro a partir do Funchal até às colinas acima da cidade é a alternativa a considerar, sobretudo se o Dia 1 for a tua única oportunidade de esticar as pernas antes do passeio da levada de amanhã.

uma caminhada vulcânica de dia inteiro pelas colinas acima do Funchal

Dia 2: Rabaçal e a Levada das 25 Fontes (Só de Shuttle)

Este é o dia à volta do qual as pessoas costumam construir toda a viagem, e vale a pena planeá-lo com cuidado. A estrada de acesso ao vale do Rabaçal está fechada a carros particulares — estaciona-se no topo, perto do fim da estrada, e apanha-se o shuttle oficial até ao início do trilho. Não há forma de percorrer o percurso todo de carro próprio, e chegar à espera de estacionar lá em baixo é o erro mais comum dos visitantes aqui.

A partir do início do trilho, o caminho até às 25 Fontes — o anfiteatro de cascatas das “25 nascentes” — é um passeio tranquilo pela levada, de poucas horas ida e volta, na maior parte plano mas estreito em alguns troços, com uma pequena descida trepada no final até ao poço propriamente dito. Muitos visitantes combinam-no com o desvio mais curto até à Levada do Risco, que tem a sua própria cascata de queda única e acrescenta relativamente pouca caminhada extra.

Lembra-te de que este é um trilho PR pago: reserva o teu horário online com antecedência e tem-no pronto para mostrar à entrada. É um custo pequeno, mas apanha muita gente que lê guias mais antigos que não o mencionam. Verifica também as condições do trilho antes de saíres — a chuva forte fecha troços destas levadas sem grande aviso, e a fila do shuttle no topo pode encher-se nas manhãs mais movimentadas, por isso começar cedo compensa.

Se preferires ter o transporte, os horários e um guia já tratados, uma excursão de caminhada com transfer flexível a partir do Funchal tira-te da frente toda a logística do shuttle.

uma caminhada guiada às 25 Fontes e Rabaçal com transfer flexível a partir do Funchal

Leva calçado adequado com boa aderência — o caminho está muitas vezes húmido — e uma lanterna de cabeça se o teu percurso passar por algum dos túneis mais curtos das redondezas. Volta ao Funchal ou à tua base ao fim da tarde; este é um dia inteiro por si só.

Dia 3: Ponta de São Lourenço

Conduz para leste, passando por Machico e Canical, até ao início do trilho da Ponta de São Lourenço, a península vulcânica na ponta mais oriental da Madeira. É a paisagem mais diferente deste roteiro — rocha vermelha e ocre, quase sem vegetação, e sem sombra nenhuma, um contraste marcante com as levadas verdes do Dia 2. O percurso de ida e volta cobre cerca de oito quilómetros e demora entre três a quatro horas, consoante até onde avanças pela crista e a força do vento com que estás a lutar.

Este é outro trilho PR pago (PR8), por isso reserva com antecedência da mesma forma que fizeste para o Rabaçal. O vento aqui é um fator real mesmo num dia calmo no Funchal, por isso leva uma camada extra para vestir e tirar, e mais água do que pensas que vais precisar — não há onde reabastecer ao longo do caminho.

o trilho PR8 da Ponta de São Lourenço com o bilhete de entrada incluído

Se caminhar toda a crista não te atrair, ou se o vento estiver demasiado forte nesse dia, um passeio de catamarã ao longo desta linha de costa dá-te uma perspetiva muito diferente das mesmas falésias vistas do mar, e é uma boa alternativa se o trilho estiver fechado por causa do tempo.

um passeio privado de catamarã ao longo da costa da Ponta de São Lourenço

Regressa ao Funchal ou à tua base ao final da tarde; o Museu da Baleia em Canical é uma boa paragem se tiveres uma hora livre e quiseres um pouco de sombra depois de um dia ao sol.

Dia 4: Seixal e a Costa Noroeste

O teu último dia inteiro segue para o extremo oposto da ilha em relação ao Dia 3, ao longo da dramática costa noroeste. Conduz via Porto Moniz para as suas piscinas naturais de rocha vulcânica, alternando entre as piscinas mantidas e pagas com balneários e as mais selvagens e gratuitas nas proximidades — ambas fecham se a ondulação vinda do norte aumentar, por isso verifica as condições antes de planeares nadar.

Continua até ao próprio Seixal, uma aldeia de areia negra com as suas próprias piscinas naturais e cascatas que caem diretamente sobre a estrada costeira. É possivelmente o miradouro mais fotografado da costa norte, e bem mais tranquilo do que o Porto Moniz. Um passeio guiado pela aldeia, terminando com um pastel de nata, é uma forma descontraída de encerrar quatro dias de caminhadas mais exigentes.

um passeio guiado pelo Seixal, terminando com um pastel de nata

Aproveita bem o caminho de regresso — esta estrada acompanha a costa com o mar de um lado e a falésia do outro, e vale a pena parar nos miradouros em vez de correr para chegar a horas ao jantar. Se quatro dias te deixarem a querer mais, os próximos passos naturais são a caminhada ao nascer do sol até ao Pico do Arieiro, a travessia até ao Pico Ruivo, ou uma escapadinha de um dia ao Porto Santo — nenhum dos quais encaixa confortavelmente nesta viagem, mas todos abordados no nosso roteiro mais longo de uma semana de caminhadas.

Quatro Dias na Madeira de Relance

DiaFocoTaxa de trilhoCarro necessário
1Zona Velha do Funchal, mercado, MonteNãoOpcional
2Rabaçal e 25 Fontes (só shuttle)Sim (taxa PR)Sim, até ao parque do shuttle
3Ponta de São LourençoSim (taxa PR8)Sim
4Porto Moniz e SeixalNãoSim

Perguntas Sobre Este Roteiro de Quatro Dias na Madeira

Preciso de alugar um carro para este roteiro de quatro dias na Madeira?

Sim, sobretudo para o Dia 4. Um carro de aluguer pequeno torna simples a costa noroeste e o regresso do Rabaçal; os Dias 1 a 3 podem tecnicamente fazer-se de autocarro e táxi, mas um carro poupa horas.

Posso conduzir até ao início do trilho das 25 Fontes?

Não. A estrada de acesso ao vale do Rabaçal está fechada a carros particulares. Estaciona-se no topo e apanha-se o shuttle oficial até ao início do trilho, voltando depois a pé ou de novo de shuttle.

É preciso pagar para caminhar pelas levadas e pela Ponta de São Lourenço?

Sim. Desde agosto de 2021, os trilhos PR oficiais, incluindo o passeio das 25 Fontes e o PR8 na Ponta de São Lourenço, cobram uma pequena taxa por pessoa, por trilho e por dia, reservada online com antecedência e verificada à entrada.

Quatro dias chegam para ver também o Pico do Arieiro e o Porto Santo?

Não confortavelmente. Ambos merecem um dia inteiro só para eles, e tentar encaixá-los tende a transformar este roteiro numa lista de tarefas. Consulta o nosso roteiro de uma semana se quiseres incluir os picos altos e o Porto Santo.

O que devo vestir para os passeios da levada e da Ponta de São Lourenço?

Calçado robusto com boa aderência, uma lanterna de cabeça para os túneis do Rabaçal, e camadas de roupa para a Ponta de São Lourenço, que não tem sombra nenhuma e pode ter muito vento mesmo quando no Funchal está calmo e quente.

Este roteiro é adequado para pessoas com um nível de forma física moderado?

Sim. Nada aqui envolve altitude ou exposição sérias. O dia de caminhada mais longo é a Ponta de São Lourenço, com cerca de três a quatro horas, e o passeio das 25 Fontes é tranquilo assim que se sai da estrada de acesso.

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