Seis Dias na Madeira: Um Roteiro Fotográfico
6 days

Seis Dias na Madeira: Um Roteiro Fotográfico

A Planear em Torno da Luz, Não da Distância

A maioria dos roteiros na Madeira é construída em função de quanto se consegue percorrer de carro num dia. Este é construído em função de quando a luz está boa, o que é uma questão bem diferente. A Madeira é suficientemente pequena para se chegar a quase qualquer sítio a partir do Funchal em uma hora, por isso o fator limitante não é a distância — é estar no Pico do Arieiro antes de o sol romper o horizonte, ou na Ponta de São Lourenço quando este desce o suficiente para tingir as falésias de vermelho.

Isso significa despertadores muito cedo, algum tempo morto a meio do dia, e um trajeto que volta sobre si próprio mais do que um circuito convencional. Também significa que este roteiro quase não fala de restaurantes ou serões — para isso, veja o fim de semana gastronómico e de vinho dedicado. Este é, antes de mais, um plano de sessões fotográficas.

Um carro alugado não é opcional aqui. O nascer do sol nos picos e o pôr do sol na península ficam a cerca de uma hora de distância por estrada, em lados opostos da ilha, e nenhum autocarro circula às 5h da manhã. Consulte aluguer de carro na Madeira antes de reservar.

Visão Geral

DiaFocoLuz
1Chegada, reconhecimento, aclimataçãoFinal da tarde, Funchal
2Nascer do sol no Pico do ArieiroMadrugada, acima das nuvens
3Fanal e Paul da SerraSempre que houver nevoeiro
4Seixal e a costa norteBoa com céu nublado, o dia todo
5Ponta de São LourençoPôr do sol, luz rasante
6Curral das FreirasMeio da manhã, descida ao vale

Dia 1: Chegada e Reconhecimento

Aterre, levante o carro e resista à tentação de encher a tarde com passeios turísticos. As estradas de montanha da Madeira são estreitas e sem iluminação, e conduzi-las pela primeira vez depois de um voo longo é como o equipamento se esquece e os ânimos se alteram. Instale-se no Funchal, verifique a hora do nascer do sol para a manhã seguinte e deite-se cedo — o Dia 2 começa antes das 4h.

Se sobrar energia, uma caminhada curta pela zona velha do Funchal na última hora de luz do dia vale a pena pelas portas pintadas na Rua de Santa Maria, mas mantenha-a breve. Os verdadeiros protagonistas deste roteiro estão todos fora da cidade.

Dia 2: Pico do Arieiro ao Nascer do Sol

Esta é a fotografia pela qual mais gente vem à Madeira, e também a mais fácil de estragar. A viagem do Funchal até ao Pico do Arieiro demora cerca de 45 minutos, e convém chegar com tempo de sobra — o que significa sair por volta das 4h30 no verão, mais tarde no inverno, mas sempre no escuro.

A 1.818 metros, o Arieiro é o único pico com estrada até ao cume, o que é exatamente a razão pela qual fica cheio: um punhado de tripés numa boa manhã, bastante mais se uma previsão de céu limpo se tiver espalhado nas redes sociais na noite anterior. Chegue cedo o suficiente e conseguirá o seu lugar na plataforma antes da confusão.

A recompensa, quando tudo se conjuga, é um mar de nuvens abaixo do cume com a linha de cumeada do Pico Ruivo e do Pico das Torres a romper por entre elas, iluminada a laranja antes de os vales verem o sol. Nem sempre se conjuga. O nível das nuvens é imprevisível, e um dia limpo ao nível do mar pode ainda assim significar nevoeiro a 1.800 metros, ou a inversão térmica situar-se demasiado baixa ou demasiado alta para caber no enquadramento.

Verifique uma previsão específica para a montanha na véspera à noite, não uma previsão do Funchal — veja o tempo na montanha e o que vestir — e leve camadas adequadas de qualquer forma. É frequente estar perto de zero graus no cume ao amanhecer enquanto o Funchal está a uns amenos 18°C.

Para fotógrafos que preferem o nascer do sol tratado em vez de navegado sozinhos no escuro, uma

caminhada privada guiada ao nascer do sol no Pico do Arieiro

trata da logística e da condução, o que importa mais aqui do que em quase qualquer outra paragem deste roteiro — perder a janela por quinze minutos significa perder a fotografia por completo.

Assim que a luz achatar, a meio da manhã, caminhe um pequeno troço do trilho PR1 em direção ao Pico Ruivo se tiver pernas para isso — mesmo o primeiro quilómetro, com os seus túneis e escadarias talhadas em basalto, fotografa bem com luz mais suave. Depois volte e descanse. Ganhou uma tarde tranquila antes do Dia 3.

Dia 3: Fanal — Se o Nevoeiro Aparecer

Fanal é a maior aposta deste roteiro, e tem de ser tratado como tal desde o início. O local em si é um bosque de til centenários — Ocotea foetens — na orla do planalto do Paul da Serra, retorcidos e curvados em formas que parecem esculpidas. Fotografado com nevoeiro, com as árvores a emergir do cinzento em camadas, é a imagem que surge em mais postais e feeds de Instagram da Madeira do que qualquer outra. Fotografado sob um céu azul liso, é uma pastagem de gado batida pelo vento com algumas árvores velhas, e nada mais.

Ninguém pode prometer-lhe o nevoeiro. Ele forma-se e dissipa-se segundo o seu próprio horário, mais frequentemente nos meses mais frescos e mais frequentemente de manhã cedo ou ao fim da tarde, mas nunca é garantido num dia específico. Construa flexibilidade em vez de um horário fixo: verifique as condições nessa manhã, e se Fanal estiver limpo, aguarde e tente de novo à tarde, ou no dia seguinte se o seu calendário permitir. Não planeie a sua única oportunidade em Fanal para um horário único e rígido — esse é o erro que deixa as pessoas com a pastagem, não com o postal.

Se o nevoeiro estiver presente, esta é uma sessão lenta e paciente — percorra o circuito, trabalhe as formas das árvores à medida que aparecem e desaparecem, e não se apresse. Uma

caminhada guiada pelo PR13 até Fanal com transporte incluído

retira a condução da equação, o que vale a pena considerar visto que a estrada de acesso pelo planalto do Paul da Serra é muitas vezes o troço mais nebuloso e desorientador de toda a ilha — plano, sem características e fácil de perder a margem da estrada com má visibilidade.

Se o nevoeiro nunca chegar, não force. Encurte a visita e use o tempo extra em Rabaçal ou na caminhada das 25 Fontes, onde a água da levada e o dossel da floresta laurissilva ainda fotografam bem com luz difusa. Também vale a pena verificar as licenças e taxas de trilhos antes de qualquer caminhada por levada — os trilhos PR oficiais exigem uma licença paga e reservada com antecedência desde agosto de 2021, e é o pormenor que a maioria dos guias omite.

Dia 4: Seixal e a Costa Norte

O Dia 4 troca fotografias isoladas e dramáticas por uma sequência constante delas ao longo da costa norte, e é deliberadamente o dia mais tolerante da viagem — a maior parte do que vai fotografar funciona com luz difusa e céu nublado, que a costa norte produz com frequência.

Conduza do Funchal via São Vicente em direção ao Seixal, e percorra a estrada costeira devagar. As cascatas caem diretamente sobre o asfalto em vários pontos deste troço depois da chuva, e a praia de areia negra e as piscinas naturais do Seixal são, pela maioria das medidas, a vista de aldeia mais fotografada da ilha — melhor a partir do miradouro do que ao nível do mar. Um

passeio guiado a pé pelo Seixal

é uma forma tranquila de trabalhar a aldeia e a costa sem se preocupar com estacionamento, que é apertado num bom dia.

Continue para oeste até Porto Moniz para as piscinas naturais vulcânicas — vá até às piscinas livres e mais selvagens em vez de apenas às pagas e fechadas se a ondulação permitir, já que são as mais fotogénicas das duas, embora uma ondulação forte de norte possa fechar ambas sem aviso. Se sobrar tempo e luz, as grutas de lava em São Vicente funcionam como plano de recurso interior numa tarde de chuva.

Este é um dia de menor pressão por conceção — sem uma única janela de nascer ou pôr do sol a cumprir — e é o momento certo do roteiro para recuperar um pouco antes dos dois dias exigentes seguintes.

Dia 5: Ponta de São Lourenço ao Pôr do Sol

A Ponta de São Lourenço é o caso estranho da Madeira: rocha vulcânica nua em vermelho, ocre e verde, quase sem sombra, na extremidade oriental extrema da ilha. Parece mais as Canárias do que a Madeira, e é exatamente esse contraste que a coloca neste roteiro. Fotografada ao meio-dia é plana e ofuscante. Fotografada com o sol baixo do fim da tarde, com as sombras a varrer as cumeadas, é a paisagem mais dramática da ilha.

O percurso completo de ida e volta cobre cerca de 8 quilómetros sem qualquer abrigo, por isso planeie o horário para estar na península nas últimas duas horas de luz do dia em vez de começar a caminhada nessa altura — chegue com margem suficiente para alcançar os miradouros mais distantes antes de a luz cair. Um

bilhete com o PR8 incluído até à Ponta de São Lourenço

trata da reserva da taxa de trilho, que de outra forma tem de ser feita antecipadamente online no portal oficial. Leve mais água do que parece necessária e uma lanterna de cabeça para o regresso depois de o sol se pôr — não há iluminação no trilho e o caminho segue por uma crista exposta em alguns troços.

O vento é a outra variável aqui: esta península apanha os ventos alísios mais do que quase qualquer outro ponto da ilha, por isso um tripé estável e uma mão na câmara nos troços com mais vento importam mais do que habitualmente.

Dia 6: Curral das Freiras a Partir da Eira do Serrado

O último dia completo é mais tranquilo. Suba de carro do Funchal até ao miradouro da Eira do Serrado, que olha diretamente para o anfiteatro vulcânico que guarda o Curral das Freiras — o “Vale das Freiras” — cerca de 1.000 metros mais abaixo. A manhã é a melhor janela aqui: as nuvens tendem a acumular-se no vale ao longo do dia, e a luz que desce até à caldeira é mais suave e uniforme antes do meio-dia do que na luz plana e forte da tarde.

Uma visita guiada ao miradouro da Eira do Serrado cobre isto e a subida de carro numa só paragem, caso prefira não navegar as curvas apertadas sozinho após cinco dias de madrugadas. A partir do miradouro, um caminho curto desce parcialmente para o vale, oferecendo um ângulo diferente, embora a descida completa até à aldeia demore várias horas de ida e volta e só valha a pena se o seu calendário tiver espaço.

Com o resto do dia livre, este é o momento natural para arrumar a bagagem, rever as imagens da semana, e seguir de volta para o aeroporto ou para o Funchal para a noite que saltou no Dia 1.

Perguntas Frequentes Sobre Este Roteiro Fotográfico na Madeira

Preciso de carro para este roteiro?

Sim. O Pico do Arieiro ao amanhecer e a Ponta de São Lourenço ao entardecer ficam em lados opostos da ilha, sem transporte público a circular suficientemente cedo ou tarde para viabilizar qualquer uma das fotografias. Veja aluguer de carro na Madeira para saber o que esperar nas estradas de montanha.

E se estiver limpo em Fanal em vez de haver nevoeiro?

Trate-o como uma paragem extra em vez do momento principal desse dia — as árvores continuam interessantes, apenas sem a cena etérea que talvez já tenha visto online. Encurte a visita e use o tempo livre em Rabaçal ou na caminhada das 25 Fontes, ambos os quais fotografam razoavelmente bem sem nevoeiro.

Preciso de reservar os trilhos com antecedência?

Sim, para os trilhos PR oficiais, incluindo o PR8 até à Ponta de São Lourenço e o PR13 em direção a Fanal. Desde agosto de 2021 estes exigem uma pequena licença paga reservada online com antecedência — veja licenças e taxas de trilhos.

Seis dias chegam, ou devo prolongar a estadia?

Seis dias cobrem os cinco locais deste roteiro com um dia extra de reserva para o tempo, mas deixam de fora quase por completo a gastronomia da Madeira e não dão qualquer tempo ao Porto Santo. Se puder prolongar para oito ou nove dias, acrescente um dia em Porto Santo e uma passagem mais lenta pelo Funchal.

Que equipamento fotográfico devo trazer?

Uma lente grande-angular cobre a maior parte desta viagem — Fanal, a Ponta de São Lourenço e o miradouro da Eira do Serrado beneficiam todos de um campo de visão amplo. Uma teleobjetiva média ajuda no Pico do Arieiro para comprimir a linha de cumeada contra o mar de nuvens. Um tripé robusto importa mais aqui do que na maioria dos destinos, dado o vento na Ponta de São Lourenço e a pouca luz antes do nascer do sol no Arieiro.

Consigo fazer as sessões de nascer e pôr do sol sem guia?

Sim, se se sentir confortável a conduzir estradas de montanha sem iluminação antes do amanhecer e a percorrer trilhos costeiros expostos depois do anoitecer com lanterna de cabeça. Existem opções guiadas para ambas e eliminam a navegação e a burocracia das reservas de licenças, o que vale a pena numa viagem já construída em torno de horários apertados.

Qual é o maior risco de calendário neste roteiro?

O tempo nos dois extremos: as nuvens a situarem-se na altitude errada para o nascer do sol no Arieiro, e o nevoeiro simplesmente não se formar em Fanal. Construir um dia de reserva numa estadia mais longa, ou aceitar que um dos dois possa não resultar, é mais realista do que esperar que ambos funcionem numa viagem fixa de seis dias.

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