Um Fim de Semana Gastronómico na Madeira, Sem Caminhadas
3 days

Um Fim de Semana Gastronómico na Madeira, Sem Caminhadas

Porquê trocar a montanha por um fim de semana

A maioria dos visitantes de primeira viagem chega já com uma levada marcada para o primeiro dia, e a maior parte fica contente por o ter feito. Este roteiro não é essa viagem. Foi pensado para quem veio para comer e beber, para quem prefere demorar-se num copo de Malvasia a perseguir o nascer do sol no Pico do Arieiro, e que tem três dias, não uma semana. Tudo aqui fica na costa sul, entre o Funchal e o Estreito de Câmara de Lobos — um trajeto que se percorre devagar com um pequeno carro alugado e sem nunca calçar botas.

Se também quiser as montanhas e as caminhadas pelas levadas, este não é o roteiro certo para as forçar a caber. Dois ritmos muito diferentes — bancas de mercado e adegas de vinho versus túneis e caminhos de arriba — não se combinam bem em três dias. Guarde as caminhadas para uma viagem dedicada: o nosso roteiro semana de caminhadas na Madeira ou o guia mais curto das melhores caminhadas pelas levadas cobrem bem esse terreno. Este roteiro é inteiramente sobre a mesa.

Dia 1: Funchal, do mercado à zona velha

Manhã no Mercado dos Lavradores

Comece pelo Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco do Funchal dos anos 1940, antes de chegarem as multidões dos cruzeiros, se conseguir gerir o horário. O piso térreo é flores e fruta tropical — anona, maracujá, tamarilho, variedades de banana que não se veem em casa. O piso superior é peixe, e vale a pena subir só por isso: é aqui que se vê o espada preta, o peixe-espada pescado nas águas profundas ao largo da Madeira, exposto inteiro, com os olhos ainda vítreos.

Um aviso que vale a pena repetir, porque apanha visitantes em praticamente todas as visitas: alguns vendedores de fruta no piso térreo oferecem uma prova gratuita, cortam-na à sua frente e depois pesam e cobram a peça inteira a um preço elevado por quilo, antes de ter concordado em comprar seja o que for. É uma rotina conhecida, não um caso isolado. Combine o preço antes de qualquer coisa ser cortada, ou simplesmente recuse a amostra se não tenciona comprar. O nosso guia do mercado tem mais informação sobre quais as bancas de confiança e quais não são.

Zona velha e almoço

Do mercado, desça até à Zona Velha, o bairro histórico do Funchal, onde as ruas estreitas do antigo bairro piscatório se encheram de restaurantes na última década. A Rua de Santa Maria é a espinha dorsal disto — portas pintadas em quase todos os edifícios, herança de um projeto de arte comunitária de 2010, e a maior concentração de sítios para comer da cidade. Almoçar aqui significa espada fresco, lapas grelhadas com manteiga de alho, ou um primeiro bolo do caco, sem grandes riscos — o pão de batata-doce aberto e recheado com manteiga de alho que aparece em todas as refeições na Madeira a partir daqui.

Para uma introdução guiada em vez de andar às cegas, um passeio a pé que combina a história da zona velha com provas ao longo do caminho cobre este terreno de forma eficiente e coloca-o em frente a bancas e adegas que de outra forma poderia passar sem ver.

um passeio guiado a pé pelo Funchal construído à volta de provas, pelo mercado e pela zona velha numa só manhã

Tarde: vinho sem sair da cidade

O Funchal tem a sua própria adega de vinho no centro da cidade — vale a pena uma hora antes do jantar. É o primeiro contacto mais simples com as quatro castas nobres do vinho da Madeira, do seco ao doce, antes da visita completa a uma quinta amanhã. Termine o dia na Marina do Funchal com um passeio ao final da tarde ao longo da promenade do Lido, enquanto a luz cai sobre a baía.

Dia 2: Câmara de Lobos e a região vinícola

A vila piscatória que Churchill pintou

Conduza vinte minutos para oeste até Câmara de Lobos, a vila piscatória onde Winston Churchill montou o seu cavalete em 1950, tornando-se célebre por isso. É primeiro um porto de pesca em atividade, depois um destino turístico — pequenos barcos pintados, peixe a secar, e uma sucessão de bares de poncha ao longo da frente-mar onde os locais realmente bebem, não apenas os visitantes.

É também aqui que o aviso da introdução se aplica ao contrário: a poncha que deve pedir aqui é a poncha pescador, a versão tradicional feita com limão, mel e aguardente de cana, mexida com um caralhinho de madeira. As versões com sabores de fruta e xaropes coloridos vendidas noutros sítios são feitas para turistas; peça-a pelo nome aqui e receberá a verdadeira.

Se preferir ver este troço de costa de um ângulo diferente antes de se instalar para almoçar — as arribas acima da vila, o skywalk do Cabo Girão um pouco mais adiante — um passeio de cabriolet ao longo desta rota cobre a paisagem num carro descapotável e deixa-o de volta em Câmara de Lobos para a tarde.

um passeio de cabriolet descapotável ao longo das arribas e do skywalk acima de Câmara de Lobos

Estreito de Câmara de Lobos: as vinhas

Acima da vila, o Estreito de Câmara de Lobos situa-se nas encostas em socalcos onde se cultiva grande parte das uvas da ilha — íngremes, viradas a sul e ainda trabalhadas em grande parte à mão. É aqui que uma prova a sério ganha o seu lugar no roteiro, em vez da versão rápida do centro da cidade do primeiro dia.

Uma prova completa percorre as quatro castas nobres da Madeira por ordem, do seco ao doce: Sercial, a mais seca, muitas vezes tomada como aperitivo; Verdelho, meio-seco; Boal, meio-doce e mais redondo; e Malvasia (vendida como Malmsey), a mais escura e mais doce, geralmente servida por último, como vinho de sobremesa. A casta Tinta Negra representa a maior parte do volume do dia a dia, mas raramente faz parte de uma prova pensada para mostrar a gama completa.

Pergunte o que separa a estufagem — o método rápido, aquecido em tanque, usado nas garrafas do dia a dia — do canteiro, o envelhecimento tradicional lento sob um telhado quente pelo qual os melhores vinhos ainda passam. É essa a diferença que explica porque é que os preços variam tanto entre duas garrafas que dizem ambas “Madeira” no rótulo, e vale a pena saber isto antes de comprar algo para levar para casa. Uma vantagem prática deste vinho: depois de aberta, uma garrafa conserva-se por meses, não por dias, por isso comprar uma garrafa no segundo dia para beber devagar durante o resto da viagem é um plano razoável.

CastaEstiloForma de servir habitual
SercialMais secoFresco, como aperitivo
VerdelhoMeio-secoCom entradas ou queijo
BoalMeio-doceCom sobremesa ou sozinho
Malvasia (Malmsey)Mais doceDepois do jantar, à temperatura ambiente

Noite: regresso ao Funchal para a espetada

Regresse ao Funchal para jantar e peça espetada — cubos de vaca espetados num ramo de louro, temperados com sal grosso e alho, servidos ainda pendurados num pequeno suporte de ferro à mesa. Come-se tradicionalmente com bolo do caco ao lado e pouco mais; resista à tentação de pedir demasiados acompanhamentos à primeira, já que o pão e a carne são realmente o essencial.

Dia 3: manhã tranquila, segunda passagem pelo mercado, partida

Uma segunda passagem, mais calma, pelo mercado

Se a primeira visita ao mercado no primeiro dia lhe pareceu apressada, aproveite uma manhã mais calma no terceiro dia para voltar ao Mercado dos Lavradores sem horário marcado — compre um saco de maracujá ou bolo de mel da Madeira seco para levar para casa, e observe o leilão do peixe a chegar ao fim, em vez de tentar ver tudo de uma vez. É uma versão melhor da mesma visita, agora que já sabe em que bancas confiar.

Onde comer por zona, se ficar mais tempo

Se os três dias se estenderem para mais, o nosso guia onde comer por zona analisa separadamente a zona velha, a marina e Câmara de Lobos, e o guia gastronómico da Madeira cobre pratos que não cabem num único fim de semana — bolo de mel, queijadas, e a fruta sazonal que vale a pena procurar a partir do final do verão.

Opcional: um pequeno gosto das montanhas

Para quem tiver uma tarde livre antes de um voo e estiver genuinamente curioso sobre o interesse do interior da ilha, uma pequena saída guiada pelas colinas acima da costa — caminhada e 4x4 combinados, nada técnico — dá um gosto da paisagem sem exigir um dia inteiro de caminhada.

uma saída de meio-dia a pé e de 4x4 pelas colinas acima da costa sul

Mas se as montanhas e as levadas lhe despertarem interesse genuíno, encare este fim de semana como o aperitivo e volte para a semana de caminhadas na Madeira ou para os guias mais curtos sobre segurança nas levadas em túneis devidamente, em vez de espremer uma caminhada apressada numa viagem dedicada à gastronomia.

Como circular sem botas de caminhada

Um pequeno carro alugado é a forma mais fácil de ligar o Funchal, Câmara de Lobos e o Estreito de Câmara de Lobos ao longo de três dias — a estrada costeira entre eles demora vinte minutos e não exige qualquer condução de montanha. O estacionamento no centro do Funchal é apertado e pago, por isso a maioria dos visitantes estaciona uma vez perto da zona velha e percorre a pé o trajeto mercado–Zona Velha, conduzindo depois até Câmara de Lobos como etapa separada. Se preferir não conduzir de todo, os táxis entre o Funchal e Câmara de Lobos são curtos e económicos, e várias das provas e passeios acima incluem transporte a partir do hotel.

Perguntas frequentes sobre um fim de semana gastronómico na Madeira

Preciso de carro para este roteiro?

Ajuda, mas não é essencial. Câmara de Lobos e o Estreito de Câmara de Lobos ficam a uma curta viagem de táxi do Funchal, e várias provas de vinho e passeios incluem recolha no hotel. Um carro simplesmente permite-lhe mover-se entre paragens ao seu próprio ritmo.

Três dias são suficientes para provar devidamente o vinho da Madeira?

Sim, como introdução. Uma prova no centro do Funchal no primeiro dia e uma prova mais longa numa quinta no Estreito de Câmara de Lobos no segundo dia cobrem as quatro castas nobres — Sercial, Verdelho, Boal e Malvasia — sem apressar nenhuma das visitas.

Qual é o truque da prova de fruta no mercado a que devo estar atento?

Alguns vendedores no Mercado dos Lavradores oferecem uma prova gratuita de fruta, depois cortam e pesam a peça inteira antes de ter concordado em comprar, cobrando um preço elevado por quilo. Combine o preço primeiro, ou recuse a amostra se não quiser comprar.

Qual é a diferença entre a poncha pescador e as versões turísticas?

A poncha pescador é a receita tradicional: aguardente de cana, mel e limão, mexidos com um caralhinho de madeira. As versões com sabores de fruta e xaropes coloridos vendidas em muitos bares são uma variação pensada para turistas, não a original.

Posso levar vinho da Madeira para casa na bagagem?

Sim, e é uma lembrança natural desta viagem — uma garrafa aberta conserva-se por meses, por isso uma garrafa comprada no segundo dia ainda pode ser bebida semanas depois. Embale-a na bagagem de porão, bem protegida, se for viajar de avião.

Devo reservar a prova de vinho com antecedência?

Sim, especialmente nas quintas mais pequenas em torno do Estreito de Câmara de Lobos, que podem estar fechadas a visitantes sem marcação ou totalmente reservadas com pouca antecedência. Reserve com um ou dois dias de antecedência, sempre que possível.

Este roteiro inclui alguma caminhada?

Não, por conceção. Mantém-se na costa sul entre o Funchal e o Estreito de Câmara de Lobos. A saída opcional de meio-dia a pé e de 4x4 no terceiro dia é o que mais se aproxima disso, e é totalmente dispensável.

Para onde devo ir a seguir se também quiser as caminhadas pelas levadas?

Encare este fim de semana como algo separado das caminhadas. O nosso roteiro semana de caminhadas na Madeira e o guia das caminhadas pelas levadas foram feitos para isso, com o seu próprio ritmo, autorizações e notas de segurança.

faq:

  • question: “Preciso de carro para este roteiro?” answer: “Ajuda, mas não é essencial. Câmara de Lobos e o Estreito de Câmara de Lobos ficam a uma curta viagem de táxi do Funchal, e várias provas de vinho e passeios incluem recolha no hotel. Um carro simplesmente permite-lhe mover-se entre paragens ao seu próprio ritmo.”
  • question: “Três dias são suficientes para provar devidamente o vinho da Madeira?” answer: “Sim, como introdução.

Uma prova no centro do Funchal no primeiro dia e uma prova mais longa numa quinta no Estreito de Câmara de Lobos no segundo dia cobrem as quatro castas nobres — Sercial, Verdelho, Boal e Malvasia — sem apressar nenhuma das visitas.”

  • question: “Qual é o truque da prova de fruta no mercado a que devo estar atento?” answer: “Alguns vendedores no Mercado dos Lavradores oferecem uma prova gratuita de fruta, depois cortam e pesam a peça inteira antes de ter concordado em comprar, cobrando um preço elevado por quilo.

Combine o preço primeiro, ou recuse a amostra se não quiser comprar.”

  • question: “Qual é a diferença entre a poncha pescador e as versões turísticas?” answer: “A poncha pescador é a receita tradicional: aguardente de cana, mel e limão, mexidos com um caralhinho de madeira.

As versões com sabores de fruta e xaropes coloridos vendidas em muitos bares são uma variação pensada para turistas, não a original.”

  • question: “Posso levar vinho da Madeira para casa na bagagem?” answer: “Sim, e é uma lembrança natural desta viagem — uma garrafa aberta conserva-se por meses, por isso uma garrafa comprada no segundo dia ainda pode ser bebida semanas depois. Embale-a na bagagem de porão, bem protegida, se for viajar de avião.”
  • question: “Devo reservar a prova de vinho com antecedência?” answer: “Sim, especialmente nas quintas mais pequenas em torno do Estreito de Câmara de Lobos, que podem estar fechadas a visitantes sem marcação ou totalmente reservadas com pouca antecedência.

Reserve com um ou dois dias de antecedência, sempre que possível.”

  • question: “Este roteiro inclui alguma caminhada?” answer: “Não, por conceção. Mantém-se na costa sul entre o Funchal e o Estreito de Câmara de Lobos. A saída opcional de meio-dia a pé e de 4x4 no terceiro dia é o que mais se aproxima disso, e é totalmente dispensável.”
  • question: “Para onde devo ir a seguir se também quiser as caminhadas pelas levadas?” answer: “Encare este fim de semana como algo separado das caminhadas. O nosso roteiro semana de caminhadas na Madeira e o guia das caminhadas pelas levadas foram feitos para isso, com o seu próprio ritmo, autorizações e notas de segurança.”

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