O Erro que Quase Todo Visitante de Primeira Viagem Comete na Madeira
Não é culpa sua, é dos postais
Já perdi a conta de quantas pessoas conheci nas levadas que chegaram à espera de algo parecido com Gran Canaria. Palmeiras no folheto, água azul, uma semana preguiçosa de espreguiçadeira. Depois aterram, conduzem vinte minutos para fora do Funchal, e a estrada começa a subir para dentro das nuvens. Ninguém os avisou de que a Madeira é, geologicamente falando, uma montanha que por acaso tem litoral. Essa única suposição errada — ilha de praia em vez de ilha de montanha — está por trás de quase todos os arrependimentos que já ouvi de quem visita pela primeira vez, incluindo alguns meus.
Nada do que se segue é uma lista de verificação. São quatro momentos em que vi essa suposição apanhar alguém desprevenido, incluindo eu próprio, e o que diria a um amigo antes de fazer a mesma escolha.
A levada que não era um passeio
Um casal que conheci numa casa de hóspedes perto do Ribeiro Frio tinha lido que os passeios pelas levadas eram “planos e fáceis” e partiu para a Levada do Caldeirão Verde de ténis, sem lanterna, sem autorização e com uma única garrafa de água entre os dois. “Plano” é tecnicamente verdade — o canal de água segue uma curva de nível, por isso há muito pouca subida.
O que a palavra “plano” não diz é que o caminho tem muitas vezes um metro de largura, com uma queda de um lado e sem proteção, e que este trilho em particular passa por quatro túneis sem iluminação. Voltaram para trás no primeiro, com os telemóveis a servir de lanternas, a rir-se do episódio depois, mas podia facilmente ter corrido pior.
O sistema de autorizações apanha as pessoas desprevenidas com a mesma frequência. Desde agosto de 2021, os trilhos oficiais com numeração PR exigem uma reserva e uma pequena taxa diária, e continua a ser o pormenor que a maioria dos guias esquece. Se está a planear a levada das 25 Fontes ou qualquer ponto da rede oficial, consulte as licenças de caminhada e taxas dos trilhos antes de ir, não depois de ser barrado no ponto de controlo. Se a combinação de túneis com vertigem não é a sua ideia de passeio relaxante, uma saída guiada tira-lhe da mão a orientação no trilho e a logística das autorizações — nós fizemos uma
caminhada guiada em pequeno grupo
numa viagem posterior e isso eliminou grande parte do stress.
O carro de que não precisávamos
Na minha primeira visita aluguei o automático maior do parque, pensando que mais carro significava mais conforto numa semana fora. Foi completamente o instinto errado. As estradas para o Porto Moniz ou para o Paul da Serra são estreitas, cheias de curvas e por vezes tão íngremes que um automático largo dá a sensação de conduzir um autocarro por uma escada.
Estacionar na zona velha do Funchal tornou-se uma odisseia à parte — cada lugar parecia feito à medida dos pequenos manuais que todos os outros conduziam. Ao terceiro dia já teria trocado com gosto por uma categoria abaixo. Se está a ponderar isto antes de reservar, vale a pena ler com atenção em vez de adivinhar: o guia de aluguer de carro na Madeira e o guia de condução na Madeira entram nos pormenores que gostava de ter tido, por isso não os repito aqui.
O ferry que tratei como uma formalidade
Uma amiga que voava de regresso a Lisboa construiu o itinerário à volta de uma única viagem de um dia ao Porto Santo: ida no ferry da manhã, regresso no último, voo de ligação marcado para essa mesma noite. Não tinha contado com o Atlântico. A travessia demora pouco mais de duas horas e é cancelada por ondulação com frequência suficiente no inverno para que “garantido” não seja uma palavra que ninguém local usaria a esse respeito.
A viagem dela correu bem, como se veio a saber, mas contou-me depois que passou toda a travessia de ida ansiosa em vez de a olhar para a água. A solução não é complicada — reserve um dia de folga, ou não faça depender nada importante da travessia de regresso — e o guia do ferry para o Porto Santo cobre o lado prático se estiver a planear a travessia.
O nascer do sol que quase nos gelou
O nascer do sol no Pico do Arieiro é a coisa mais fotografada da ilha, e merece a reputação — estar acima de um mar de nuvens a 1.818 metros é genuinamente uma das melhores manhãs que já tive em qualquer lugar. O que nos apanhou desprevenidos foi fazer as malas como se ainda fossem férias de praia: t-shirts, sem gorros, um único casaco fino entre três pessoas. A essa altitude, antes do amanhecer, pode estar perto do gelo, enquanto o Funchal, a trinta minutos de carro abaixo, está a uns amenos dezoito graus. Trememos de frio durante a melhor vista da viagem. Se madrugadas e conduzir estradas de montanha no escuro não são a sua ideia de diversão, um
tour de jipe ao nascer do sol até ao Arieiro
trata da condução e, numa noite clara antes do amanhecer, alguns operadores juntam-lhe uma
sessão de observação de estrelas no cume
— mas seja como for, vista-se como se fosse inverno, independentemente da estação. O guia sobre o clima nas montanhas e o que vestir tem os conselhos de camadas de roupa de que precisámos e não tivemos.
O que realmente lhe diria
Nada disto é um argumento a favor de planear em excesso. Pelo contrário: quem mais sofre é quem agendou cada hora como se a ilha fosse tão previsível como um resort de praia. Quem tem a melhor experiência dá folga ao plano — um dia de reserva, um carro mais pequeno, uma autorização verificada com antecedência, um casaco na mala mesmo em julho. A Madeira dá-lhe uma quantidade genuinamente invulgar de coisas num espaço pequeno: piscinas de lava ao nível do mar, floresta de nuvens, um cume que vê geada, uma ilha exterior com areia a sério. Simplesmente não é um só clima nem um só tipo de dia, e nunca disse que era.
Um meio-dia tranquilo como o tour de tuk-tuk ao Eira do Serrado é uma boa forma de se situar antes de se comprometer com os grandes dias de montanha, e, sinceramente, se só levar uma coisa deste artigo, é que a previsão do tempo importa aqui de uma forma que nunca importou numa viagem de praia em pacote. Verifique-a com atenção — quando visitar a Madeira e onde ficar na Madeira são bons pontos de partida se ainda estiver a construir a viagem — e o resto tende a encaixar-se sozinho.
Perguntas que me fazem sobre como evitar estes erros na Madeira
A Madeira é mesmo um destino de praia?
Não muito. A própria ilha da Madeira tem quase nenhuma praia de areia — a maior parte dos banhos acontece em piscinas naturais ou artificiais de lava. Se quiser uma verdadeira praia de areia, é no Porto Santo, uma ilha à parte, a que se chega de ferry ou avião.
Agora é preciso pagar para caminhar pelas levadas?
Sim. Desde agosto de 2021, os trilhos oficiais com numeração PR exigem uma autorização paga, cerca de três euros por pessoa, por trilho, por dia, reservada antecipadamente online e verificada no caminho.
O que devo vestir para o nascer do sol no Pico do Arieiro?
Camadas de roupa de inverno, mesmo no verão. A 1.818 metros antes do amanhecer pode estar perto do gelo, enquanto o Funchal está a uns confortáveis dezoito graus.
O ferry para o Porto Santo é fiável?
Nem sempre. É um bom serviço na maior parte do ano, mas a ondulação atlântica cancela travessias com frequência suficiente no inverno para que reservar um regresso no mesmo dia sem um plano de reserva seja arriscado.
Preciso de um carro grande para me deslocar na Madeira?
Não — um carro pequeno é claramente melhor. As estradas de montanha são estreitas e íngremes, e o estacionamento no Funchal penaliza qualquer coisa volumosa. Um manual compacto é a escolha local por boas razões.
Uma semana chega para uma primeira visita à Madeira?
Uma semana funciona bem se a dividir entre a costa, um ou dois dias de montanha, e um dia de reserva para o clima. Tentar fazer tudo em três ou quatro dias é de onde vem grande parte do stress descrito neste artigo.
Qual é o maior erro que os visitantes de primeira viagem cometem?
Subestimar o clima e o terreno porque os postais mostram umas férias de ilha tranquilas. A Madeira recompensa quem tem flexibilidade; penaliza os horários apertados de férias de praia.
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