Onde Ficar na Madeira: Escolher a Sua Base
Devo ficar no Funchal ou noutra zona da Madeira?
O Funchal reúne a maioria dos hotéis, restaurantes e ligações de transporte da ilha, e convém a quem procura uma mistura de cidade, mar e excursões de um dia de carro alugado. Quem planeia caminhar pelas levadas na maior parte dos dias costuma sair a ganhar ficando mais perto da costa norte ou a oeste, junto aos pontos de partida dos trilhos, ainda que essa escolha signifique normalmente menos restaurantes a pé e um regresso mais longo até ao aeroporto.
Duas férias muito diferentes, duas bases muito diferentes
A Madeira é suficientemente pequena para que nenhum ponto da ilha esteja verdadeiramente longe de outro, e esse facto leva muitos visitantes de primeira viagem a assumir que a escolha da base pouco importa. Não é assim. A única verdadeira cidade da ilha, o Funchal, reúne a maioria dos hotéis, a maioria dos restaurantes e todas as principais ligações de transporte.
Tudo o resto — a costa norte, o oeste, o planalto — é um mosaico de pequenas localidades com um punhado de pensões, um ou dois sítios para comer, e muitos pontos de partida de levadas ao alcance fácil. Nenhuma das opções é objetivamente melhor. A escolha certa depende inteiramente do tipo de semana que está a planear, e o maior erro ao escolher uma base é assumir que um único local convém a todos os tipos de visitante.
Este guia compara diretamente as duas abordagens: o Funchal como opção conveniente e bem servida por defeito, e uma base mais afastada — a norte ou a oeste — para quem organiza a semana em torno de caminhadas. Para faixas de preço exatas por zona e época, consulte o nosso guia de orçamento para a Madeira em vez desta página; e para saber como é realmente passar tempo em cada costa, a comparação entre norte e sul cobre esse tema em detalhe. Esta página cinge-se à questão prática de onde dormir.
Funchal: a escolha prática, e a opção por defeito com boas razões
O Funchal alberga cerca de 105 000 dos 250 000 residentes da região, e a concentração de infraestrutura turística é proporcionalmente ainda maior do que essa fatia populacional sugere. A Zona Velha, o Mercado dos Lavradores, a marina, a catedral, o teleférico para o Monte, dezenas de hotéis ao longo do passeio marítimo do Lido e para o interior, em direção às colinas — tudo isto está a uma curta viagem de táxi ou a pé da maioria do alojamento central. O aeroporto fica a cerca de 20 minutos a leste de carro, e o ferry para o Porto Santo parte do próprio terminal do Funchal.
O argumento prático a favor de ficar hospedado aqui é simples. Pode ir a pé jantar na maioria das noites em vez de conduzir. Pode reservar um passeio de meio dia, uma prova de vinho ou um passeio de barco sem ter de contar com uma hora de transferência em cada sentido. Se os planos mudarem — mau tempo fecha um trilho, ou simplesmente lhe apetece um dia mais calmo — há sempre outra coisa para fazer a poucos minutos de distância. Um curto passeio de tuk-tuk pelas colinas do Funchal ou uma
prova de vinho da Madeira com um sommelier
ao final da tarde preenche uma tarde livre de uma forma que simplesmente não está disponível se estiver hospedado a uma hora de carro do restaurante mais próximo.
O Funchal também faz sentido para quem divide os dias entre passeios turísticos, uma tarde de praia ou piscina, e apenas ocasionalmente uma caminhada por uma levada. Os famosos trilhos curtos perto do Ribeiro Frio ou o ponto de partida das 25 Fontes no Rabaçal ficam a 30–45 minutos de carro do centro do Funchal, o que é perfeitamente gerível para uma ou duas caminhadas por semana, ainda que não para cinco dias seguidos.
Onde o Funchal fica aquém é precisamente onde estão as suas forças: é uma cidade, na costa sul, e todas as caminhadas por levadas no lado norte, mais húmido e verde, implicam conduzir até lá e de volta. Para um dia ocasional de caminhada, isso não é problema. Para uma semana centrada em caminhadas, o tempo acumula-se.
Quando faz mais sentido uma base fora do Funchal
A rede de trilhos da ilha concentra-se no lado norte e ao longo do planalto, pela simples razão de que as levadas foram construídas para transportar água do norte húmido até ao sul cultivado, e a maioria dos passeios clássicos segue esse mesmo terreno. A Levada do Caldeirão Verde a partir do parque florestal das Queimadas, a Levada dos Balcões a partir do Ribeiro Frio, as grutas e piscinas de São Vicente, as piscinas naturais do Porto Moniz e do Seixal — todos estes locais estão mais próximos da costa norte do que do Funchal.
Para uma semana organizada sobretudo em torno de caminhadas, ficar hospedado perto de São Vicente ou de Santana reduz o tempo de condução até à maioria dos pontos de partida na costa norte para 15–30 minutos em vez de 45–60. Essa diferença conta mais do que parece: uma partida cedo pela manhã, sobretudo em trilhos com túneis sem iluminação ou um percurso longo de ida e volta, gere-se com mais facilidade sem uma hora de condução acrescentada em cada extremo, e não se perde luz do dia nem energia com a deslocação num dia em que a própria caminhada já pode ocupar quatro ou cinco horas.
A costa oeste oferece uma versão diferente da mesma lógica. Uma base à volta da Calheta, Ponta do Sol ou Jardim do Mar fica mais próxima do Rabaçal, do Paúl da Serra e do troço ocidental da estrada litoral, e ainda mais perto dos miradouros de pôr do sol e das localidades ocidentais mais tranquilas. A Calheta, em particular, é um compromisso razoável para quem também quer algum tempo de praia: tem a praia de areia artificial mais conhecida da Madeira e uma pequena marina, além da proximidade das caminhadas na costa oeste.
O que uma base mais tranquila custa é igualmente claro: muito menos restaurantes a uma distância a pé, um serviço de autocarros irregular ou inexistente depois de anoitecer, e um regresso mais longo até ao aeroporto no dia de partida. Nada disto é problema se tiver sido previsto. Torna-se problema quando uma base é escolhida pelo acesso aos trilhos e depois o visitante se surpreende ao não encontrar nada aberto para jantar numa terça-feira.
Fazer corresponder a base à viagem
| Perfil | Melhor base | Porquê |
|---|---|---|
| Primeira visita, turismo variado | Funchal | Tudo ao alcance; sem penalização de planeamento se mudar de ideias |
| Semana focada em caminhadas (levadas na maioria dos dias) | Costa norte ou oeste | Deslocações mais curtas até aos trilhos; menos tempo perdido em transferências |
| Férias de praia e piscina | Funchal (zona do Lido) ou Calheta | O Funchal tem os complexos do Lido; a Calheta tem a principal praia de areia |
| Estadia curta ou escala de cruzeiro | Funchal | Sem tempo para mudanças de base; as excursões de um dia cobrem o resto da ilha |
| Casal ou família à procura de uma semana mais tranquila | Costa norte ou oeste | Ritmo mais lento, ainda que com menos opções noturnas por perto |
| Estadia mais longa (uma semana ou mais) | Dividida entre duas bases | Os dias de cidade e os dias de caminhada ficam cada um com a localização certa |
A tabela acima é um ponto de partida, não uma regra. Um casal de caminhantes que também quer uma boa noite de saída a meio da semana, ou uma família que quer dois dias tranquilos de praia a intercalar três dias de caminhadas, costuma sair a ganhar combinando as duas abordagens em vez de se comprometer inteiramente com uma delas.
A questão do carro
Quase nada disto funciona sem um carro alugado. A cobertura de autocarros — a Horários do Funchal na cidade, e operadores regionais distintos mais para fora — serve razoavelmente bem as principais localidades, mas raramente chega a um ponto de partida de trilho num horário que convenha a uma partida cedo ou a um regresso tardio. Uma base fora do Funchal sem carro deixá-lo-á dependente de táxis mesmo para trajetos curtos, o que se torna dispendioso ao longo de uma semana.
Consulte os nossos guias sobre aluguer de carro na Madeira e conduzir na Madeira para saber o que esperar das estradas propriamente ditas — estreitas, íngremes em alguns troços, e melhor enfrentadas num carro mais pequeno do que aquele que escolheria à partida. Se está determinado a passar sem carro, o nosso guia deslocar-se sem carro vale a pena ler antes de se comprometer com uma base afastada, já que vai condicionar quais os locais realmente viáveis.
Dividir a estadia: a abordagem híbrida
Para quem fica uma semana ou mais, dividir a estadia é muitas vezes a melhor resposta a uma pergunta que não tem uma única resposta certa. Um padrão comum: três ou quatro noites no Funchal para a cidade, o mercado, um passeio gastronómico e algumas caminhadas mais fáceis, seguidas de três ou quatro noites perto da costa norte ou oeste para uma sequência de dias de levadas sem a deslocação. Os nossos itinerários semana de caminhadas na Madeira e uma semana na Madeira funcionam ambos com este tipo de divisão, e evita cair na armadilha de forçar todos os dias na mesma rotina.
Isto também resolve de forma elegante a questão da chegada e da partida: comece e termine no Funchal, já que é o local mais próximo do aeroporto, e passe as noites intermédias onde as caminhadas forem melhores. Um curto
passeio de tuk-tuk pelas colinas do Funchal
na primeira ou última tarde é uma forma fácil de se orientar ou de relaxar sem sequer precisar de carro.
O que esta página não cobre
Dois temas ficam deliberadamente fora deste guia, porque são tratados devidamente noutro lugar e repeti-los aqui só produziria uma versão mais pobre. Os custos exatos de alojamento — por zona, por época, por tipo de propriedade — pertencem ao guia de orçamento para a Madeira, onde os números podem ser mantidos atualizados sem sobrecarregar um guia sobre localização. E o carácter real de cada costa — como é uma manhã em Câmara de Lobos comparada com uma manhã em São Vicente, que lado apanha mais sol e qual apanha mais nuvens — é o tema da comparação entre norte e sul, escrita especificamente para responder a essa questão em profundidade.
Orientar-se antes de reservar
Se ainda estiver indeciso, um curto passeio guiado no Funchal antes de se comprometer com uma estadia mais longa noutro local pode ajudar. Um
passeio de meio dia pelos pontos altos do Funchal
ou um
passeio privado de tuk-tuk pela cidade
dá uma ideia rápida do que está ao alcance fácil da capital, o que facilita decidir se prefere ficar no mesmo local durante a semana ou mudar de base a meio.
Para quem está a ponderar esta decisão de raiz numa primeira visita, os nossos guias primeira vez na Madeira e melhor altura para visitar valem a pena ler a par deste, já que a época do ano afeta tanto o tempo em cada costa como a lotação do próprio Funchal.
Perguntas frequentes sobre onde ficar na Madeira
O Funchal é uma boa base para uma primeira visita à Madeira?
Sim, para a maioria de quem visita a ilha pela primeira vez. O Funchal tem a maior concentração de hotéis, restaurantes e passeios organizados, além do aeroporto e do ferry para o Porto Santo a uma curta distância de carro, pelo que nunca está longe de algo para fazer numa noite que não tenha planeado.
Onde devem ficar hospedados os caminhantes na Madeira?
Nas proximidades da costa norte (perto de São Vicente, Santana ou Porto Moniz) ou a oeste (Calheta, Ponta do Sol) o tempo de condução até à maioria dos pontos de partida das levadas fica reduzido a bem menos de uma hora. Ficar no Funchal numa semana muito focada em caminhadas também resulta, mas implica partidas mais cedo.
Preciso de carro se ficar fora do Funchal?
Na prática, sim. As carreiras de autocarro tornam-se escassas assim que se sai das localidades costeiras, e quase nenhum ponto de partida de trilho é acessível por transporte público num horário útil, pelo que uma base fora do Funchal sem carro alugado o vai deixar isolado.
Vale a pena dividir uma semana entre duas bases?
Para uma semana ou mais, é uma das melhores opções: algumas noites no Funchal para a cidade, o mercado e uma noite de saída, seguidas de algumas noites perto da costa norte ou oeste para as caminhadas pelas levadas, sem uma viagem diária de ida e volta a roubar tempo ao dia.
Os hotéis são mais baratos fora do Funchal?
Frequentemente sim, e a oferta desloca-se dos hotéis para pensões e quintas de autoalojamento à medida que se afasta do Funchal. As faixas de preço exatas dependem muito da época do ano, por isso consulte o nosso guia de orçamento para a Madeira em vez de se basear num único valor aqui.
Porto Moniz ou São Vicente é melhor base para a costa norte?
O Porto Moniz fica mais a oeste e é conhecido sobretudo pelas suas piscinas naturais de lava; São Vicente é mais central na costa norte e mais próximo das grutas e da Encumeada. Nenhum dos dois tem muita vida noturna, por isso escolha com base nos trilhos e pontos de interesse que quer ter mais perto, não pelo ambiente.
Posso ficar hospedado na Calheta ou em Ponta do Sol e ainda assim aproveitar férias de praia?
Sim — esta é uma das poucas combinações que funciona para ambos os casos. A Calheta tem uma praia de areia artificial e uma marina, e ambas as localidades estão ao alcance de carro das caminhadas na costa oeste e do Funchal, pelo que convêm a quem quer algum tempo de praia aliado a dias de caminhada.
Vale a pena aos passageiros de cruzeiro ou visitantes de curta duração sair do Funchal?
Geralmente não. Com apenas um ou dois dias, o tempo de deslocação até uma base mais tranquila consome uma estadia já de si curta, pelo que ficar no centro e fazer excursões de um dia faz mais sentido do que mudar de base.
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