Cinco Dias na Madeira: Um Primeiro Itinerário Equilibrado
Cinco dias chegam para perceber porque é que as pessoas se apaixonam pela Madeira, mas não para ver tudo. Este roteiro escolhe deliberadamente uma base — o Funchal — e irradia a partir daí para os quatro grandes cartões de visita da ilha: a própria capital, as montanhas altas, os passeios pela floresta Laurissilva em torno do Rabaçal, e a costa norte vulcânica, terminando na zona mais tranquila e soalheira, a leste.
Fica de fora, propositadamente, o Porto Santo, Santana e a travessia completa do PR1 entre o Pico do Arieiro e o Pico Ruivo — tentar encaixar todo o arquipélago e toda a serra em cinco dias resulta numa semana de meias-visitas exaustas, em vez de cinco dias bem feitos. Se o Porto Santo lhe interessa, dez dias na Madeira é o itinerário que tem espaço para isso.
Vai precisar de um carro alugado para este plano — veja aluguer de carro na Madeira e conduzir na Madeira antes de aterrar, já que a disponibilidade aperta rapidamente em época alta e as estradas fora da rede da VR1 são estreitas e íngremes o suficiente para merecerem planeamento.
Antes de Partir: Taxas de Trilho e Meteorologia
Desde agosto de 2021 que os trilhos oficiais PR da Madeira cobram uma taxa de entrada — normalmente cerca de 3€ por pessoa, por trilho, por dia — reservada online em simplifica.madeira.gov.pt e verificada num ponto de controlo. Isto aplica-se a todos os passeios de levada deste itinerário, incluindo as 25 Fontes e a rota do nascer do sol no Arieiro. Reserve com antecedência; nos trilhos populares, as quotas diárias esgotam.
Leia taxas e licenças de trilhos na íntegra antes da viagem, e consulte a página de estado dos trilhos do IFCN na noite anterior a cada caminhada — os caminhos fecham depois de chuva forte e deslizamentos de terras, e o tempo na Madeira muda tão depressa que um plano feito com uma semana de antecedência é sempre provisório.
Prepare-se para três climas num só dia: quente e seco na costa sul, húmido e verde a norte, e quase a zero graus acima dos 1.800 m. Veja tempo em altitude e o que vestir antes de partir.
Dia 1: Funchal
Comece devagar, na capital da ilha, que reúne cerca de 105.000 dos 250.000 habitantes da região. Comece na Zona Velha, o centro histórico do Funchal, e percorra a Rua de Santa Maria, onde as portas pintadas — um projeto de arte comunitária a decorrer desde 2010 — ladeiam uma rua repleta de restaurantes ao final do dia.
Passe a manhã no Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco de 1940: bancas de flores no piso térreo, fruta tropical, e no piso de cima uma zona de peixe onde vai ver a espada preta, o peixe-espada negro pescado em águas profundas ao largo. Um hábito a conhecer antes de entrar: alguns vendedores de fruta oferecem provas grátis, depois pesam e cobram o que provou — recuse educadamente se não quiser comprar.
À tarde, apanhe o teleférico do Monte desde a Zona Velha até ao Monte — cerca de 15 minutos e 560 m de subida — e visite a igreja de Nossa Senhora do Monte, onde está sepultado o imperador austríaco Carlos I, exilado, além do Monte Palace Tropical Garden, se ainda tiver energia. Lá em baixo, no Monte, vai encontrar os famosos carros de cesto de vime, os carreiros do Monte, a funcionar desde 1850: dois homens vestidos de branco, com chapéu de palha, empurram um trenó em forma de cesto ladeira abaixo. É uma curiosidade, não um transporte — o percurso termina a meio caminho, no Livramento, e vai precisar de táxi ou autocarro para voltar ao Funchal, não de uma viagem de regresso no trenó.
Termine o dia no Blandy’s Wine Lodge, no centro da cidade, para uma prova, e leia vinho da Madeira explicado para que Sercial, Verdelho, Boal e Malvasia passem a significar algo no copo. Para jantar, consulte onde comer por zona — a Zona Velha é conveniente, mas nem sempre é onde estão as melhores cozinhas.
Dia 2: Pico do Arieiro e as Montanhas Altas
Este é o dia de assinatura da ilha, e começa antes do amanhecer. O nascer do sol no Pico do Arieiro — o terceiro pico mais alto da Madeira, com 1.818 m, e o único dos três grandes acessível de carro — é a experiência mais reservada da ilha: saia do Funchal por volta das 4h–5h para estar lá em cima quando o sol rompe a camada de nuvens, muitas vezes com um verdadeiro mar de nuvens por baixo de si. Leve uma camada de roupa quente a sério; a temperatura pode aproximar-se de zero graus a essa altitude no inverno, enquanto o Funchal mantém uns amenos 18°C. Uma opção guiada como a
caminhada privada ao nascer do sol no Pico do Arieiro
trata do transporte matinal e da orientação no escuro.
Do Arieiro, o trilho PR1 em direção ao Pico Ruivo é a caminhada mais aclamada da ilha — três túneis e escadarias de basalto talhadas numa crista afiada como uma faca — mas o percurso completo de ida e volta demora entre 3 e 4 horas por trajeto, e não encaixa confortavelmente num dia já construído à volta do nascer do sol e de uma transferência à tarde. Caminhe o primeiro troço acessível pelas vistas e regresse, em vez de forçar a travessia completa; se quiser fazer a crista completa como deve ser, uma opção guiada de dia inteiro como o
passeio pedestre guiado do Pico do Areeiro ao Pico Ruivo
vale bem um dia inteiro numa viagem mais longa. Para saber mais sobre a rota e o que ela realmente exige, veja PR1: do Arieiro ao Pico Ruivo e nascer do sol no Pico do Arieiro.
Desça ao início ou meio da tarde e descanse — este é genuinamente um dia cansativo, e o dia 3 começa com mais caminhada.
Dia 3: Rabaçal e as 25 Fontes
Siga de carro até ao Rabaçal, no interior da ilha; a estrada de acesso está fechada a viaturas particulares, por isso vai estacionar e apanhar o transporte de ligação até lá abaixo. A partir daí, a Levada das 25 Fontes é o passeio que a maioria das pessoas imagina quando pensa na Madeira: um trilho quase plano ao longo de um canal de irrigação centenário, terminando numa lagoa alimentada por duas dezenas de pequenas quedas de água.
A Levada do Risco ramifica-se do mesmo ponto de partida e vale a pena acrescentar se tiver pernas para isso. Ambas ficam dentro da floresta Laurissilva, uma floresta relíquia de louro que remonta ao período Terciário e Património Mundial da UNESCO desde 1999 — leia Laurissilva: a floresta da UNESCO para perceber o que a torna diferente de qualquer outra floresta por onde vai passar esta semana.
Lembre-se de que a taxa do trilho também se aplica aqui — reserve a sua licença para o Rabaçal com antecedência, e leia passeios de levada explicados se nunca tiver feito um: são caminhos de irrigação de trabalho, não trilhos de caminhada preparados, muitas vezes estreitos, sem proteção acima de quedas reais, e por vezes atravessando túneis sem iluminação. Se preferir ter um guia a gerir as licenças, o ritmo e os troços de túnel, o
passeio pedestre às 25 Fontes e Rabaçal com transfer flexível
cobre exatamente este percurso.
No caminho de regresso ao Funchal, faça um desvio até ao Cabo Girão, uma das falésias marítimas mais altas da Europa, com cerca de 580 m, com um skywalk gratuito de piso de vidro inaugurado em 2012.
Dia 4: Porto Moniz e a Costa Norte
Hoje é uma volta completa pelo oeste e norte vulcânicos — comece cedo, já que só a condução ocupa uma boa parte do dia, ainda antes de parar em qualquer sítio. A primeira paragem é o Porto Moniz e as suas piscinas naturais de lava, divididas entre um complexo pago e mantido, com balneários, e uma zona de piscina natural mais selvagem e gratuita, mesmo ao lado; qualquer uma pode fechar quando a ondulação do Atlântico norte aumenta, por isso tenha um plano alternativo.
Continue até ao Seixal, com praia de areia negra e mais piscinas naturais, e pare nas grutas de São Vicente, tubos de lava formados há cerca de 890.000 anos e percorríveis ao longo de cerca de 700 m.
Fazer esta costa com condutor, em vez de enfrentar as curvas apertadas sozinho, é uma troca razoável — o
tour 4x4 pela costa norte a partir do Porto Moniz
ou o mais alargado tour 4x4 pelo oeste, com Porto Moniz, Seixal e floresta do Fanal cobrem este terreno sem que tenha de guiar com os nós dos dedos brancos na estrada. Se houver neblina no Fanal, vale a pena o pequeno desvio pelos seus tis retorcidos e centenários — mas em tempo limpo é apenas um pasto aberto, por isso não construa o dia todo à volta disso. Leia passeio de um dia pelo norte da Madeira para um roteiro completo, e conduzir na Madeira de novo antes deste dia em particular — as estradas da costa norte são as mais exigentes do itinerário.
Dia 5: Machico e o Leste
O último dia troca montanhas e falésias pelo canto mais plano e soalheiro da ilha. Comece em Machico, o primeiro povoado português da Madeira, fundado em 1419. A sua praia parece um postal tropical, mas não é natural — a areia dourada foi importada em 2008, e vale a pena saber isso antes de a comparar com qualquer outra deste roteiro. A partir de Machico, caminhe até à península da Ponta de São Lourenço: cerca de 8 km de ida e volta sobre terreno vulcânico vermelho-acastanhado a descoberto, sem sombra e frequentemente ventoso — a paisagem menos “verde-Madeira” da ilha, e um contraste deliberado com tudo o que viu esta semana.
Termine no Caniçal e no seu Museu da Baleia, instalado no antigo porto baleeiro — a Madeira caçou baleias até 1981 e agora protege-as — ou no Garajau, reserva marinha desde 1986, conhecida pelos garoupas castanhas que não se importam com mergulhadores. Se tiver um voo noturno de saída do aeroporto Cristiano Ronaldo, em Santa Cruz, esta é uma zona conveniente da ilha para ficar sediado antes dele.
Cinco Dias na Madeira: Perguntas Frequentes
Cinco dias chegam para conhecer a Madeira?
Cinco dias cobrem confortavelmente o Funchal, as montanhas altas, os passeios de levada no interior e a costa norte ou leste, mas não ambas as costas, o Porto Santo e a travessia completa da crista do PR1. Este itinerário escolhe profundidade em vez de amplitude; para o arquipélago mais completo, dez dias encaixam melhor.
Preciso de carro para este itinerário?
Sim. Os autocarros chegam às principais localidades, mas não à maioria dos pontos de partida de trilhos ou miradouros deste roteiro, e os tempos indicados acima pressupõem um carro alugado todos os dias. Veja aluguer de carro na Madeira e conduzir na Madeira antes de reservar.
Os passeios de levada são gratuitos?
Não. Desde agosto de 2021, os trilhos oficiais PR da Madeira, incluindo as 25 Fontes, cobram uma taxa de cerca de 3€ por pessoa, por trilho, por dia, reservada online com antecedência e verificada no trilho.
A praia de Machico é natural?
Não. A areia dourada de Machico foi importada em 2008. A única praia naturalmente arenosa do arquipélago fica no Porto Santo, que este itinerário de cinco dias não alcança.
O que devo levar para o nascer do sol no Pico do Arieiro?
Camadas de roupa quente, uma lanterna ou lanterna de cabeça, e calçado resistente. A temperatura pode aproximar-se de 0°C a 1.818 m antes do amanhecer, mesmo quando o Funchal ronda os 18–20°C, e parte do percurso passa por túneis sem iluminação.
Consigo encaixar o Porto Santo em cinco dias?
Não confortavelmente, junto com este itinerário. O ferry demora cerca de 2h15 por trajeto e é frequentemente cancelado com mau tempo, por isso uma visita de um dia arrisca consumir tempo já apertado noutras partes. Dez dias na Madeira têm espaço para isso como deve ser.
Este itinerário é adequado para uma primeira visita?
Sim — foi construído exatamente para isso: um destaque claro por dia, uma única base no Funchal, e nenhuma tentativa de apressar ambas as costas ou a travessia completa da serra no calendário.
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