Madeira e Porto Santo: Um Roteiro de Uma Semana Dividida
Sete dias não chegam bem para fazer justiça a toda a Madeira e ao Porto Santo, por isso este roteiro nem tenta. Dá à Madeira três ou quatro dias construídos à volta do Funchal e do Monte, e depois atravessa para o Porto Santo na segunda metade da semana, onde o atrativo é uma única praia de nove quilómetros, e não uma lista de pontos de interesse. Quem procurar a costa norte, as levadas do Rabaçal ou um nascer do sol no Pico do Arieiro deve olhar antes para o roteiro completo de uma semana na Madeira — este troca esse terreno por areia.
Panorâmica da viagem
| Dia | Base | Foco |
|---|---|---|
| 1 | Funchal | Chegada, zona velha, primeira poncha |
| 2 | Funchal | Monte, teleférico e carro de cesto |
| 3 | Funchal | Caminhada no Parque Ecológico, Câmara de Lobos, Cabo Girão |
| 4 | Funchal → Porto Santo | Dia de travessia: ferry ou avião |
| 5 | Porto Santo | Vila Baleira, Casa Colombo, praia |
| 6 | Porto Santo | Caminhada guiada e passeio de barco |
| 7 | Porto Santo → Funchal | Travessia de regresso, voo para casa |
Dia 1: a zona velha do Funchal
Aterre no aeroporto da Madeira e instale-se no Funchal, capital da região, com cerca de 105 000 habitantes. Passe a tarde na Zona Velha, onde a Rua de Santa Maria está ladeada de portas pintadas do já longo projeto Arte Portas Abertas e enche de mesas de restaurante depois de anoitecer.
Caminhe pela marina e pela promenade antes do jantar. Esta é também a noite ideal para experimentar uma poncha — rum, mel e limão mexidos com um caralhinho de madeira —, quer na zona velha, quer numa curta viagem de táxi até Câmara de Lobos, a vila piscatória onde os bares à volta do porto são a verdadeira referência, e não as versões turísticas servidas por todo o lado.
Dia 2: Monte e o teleférico
Comece pelo Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco dos anos 1940, para provar fruta e visitar a zona do peixe, onde chega da profundidade o peixe-espada preto. Tenha cuidado com vendedores que oferecem provas de fruta antes de pesar e cobrar por ela — um truque conhecido, que vale a pena saber antes de aceitar.
Da zona velha, apanhe o teleférico até ao Monte, cerca de quinze minutos e 560 metros de subida. No Monte, visite a igreja de Nossa Senhora do Monte, onde está sepultado o imperador austríaco Carlos I, exilado, e o Monte Palace Tropical Garden.
É também aqui que os visitantes fazem fila para o passeio de carro de cesto de vime — dois carreiros de branco e chapéu de palha a conduzir um cesto sobre patins de madeira encosta abaixo. Vale a pena saber, antes de entrar na fila, que a descida termina no Livramento, a poucos quilómetros do Funchal, por isso conte com um táxi ou autocarro para o resto do caminho — é um passeio curioso, não uma ligação de transporte.
um tour privado de 4x4 que cobre o Monte, o carro de cesto e o Pico do Arieiro num só dia
é a forma eficiente de ver os três sem ter de gerir autocarros e táxis, e é a única concessão que este roteiro faz à alta montanha que, de resto, deixa de fora.
Dia 3: Parque Ecológico, Câmara de Lobos e Cabo Girão
Em vez de avançar para os picos altos, passe o terceiro dia em terreno mais suave, perto do Funchal. Uma caminhada guiada pelo Parque Ecológico do Funchal apresenta o habitat de floresta laurissilva e a flora nativa da ilha, sem a logística de um dia inteiro de levada.
uma caminhada guiada pelo Parque Ecológico do Funchal
mantém um ritmo tranquilo e inclui transporte a partir da cidade.
À tarde, volte a passar por Câmara de Lobos, onde Winston Churchill pintou em 1950, e siga até ao Cabo Girão, uma falésia com cerca de 580 metros e um miradouro suspenso de piso de vidro gratuito, inaugurado em 2012 — uma das falésias marítimas mais altas da Europa e uma paragem que provoca mesmo vertigens. Passe a noite de volta ao Funchal a preparar a mala para a travessia do dia seguinte.
Dia 4: travessia para o Porto Santo
Este é o eixo da semana, o dia que este roteiro trata com mais cuidado. O ferry da Porto Santo Line a partir do Funchal demora cerca de duas horas e um quarto e faz-se uma ou duas vezes por dia, consoante a época — mas é cancelado, de forma real e não apenas teórica, por ondulação atlântica no inverno, e há também perturbações noutras alturas do ano. O voo de 15 minutos é uma alternativa a sério, não uma nota de rodapé, e vale a pena contar com ele desde o início, em vez de descobrir essa necessidade já no porto.
| Opção | Duração | Fiabilidade |
|---|---|---|
| Ferry para o Porto Santo | Cerca de 2h15 | Cancelado por ondulação forte, sobretudo no inverno |
| Avião | Cerca de 15 minutos | Depende do tempo, mas muito menos sensível à ondulação |
Seja qual for a travessia escolhida, chegue à Vila Baleira, a pequena capital da ilha, ao início da tarde. Instale-se num hotel perto da praia e aproveite o resto do dia para caminhar pela marginal e ganhar orientação — trata-se de uma extensão contínua de areia dourada de nove quilómetros, a única praia de areia a sério de todo o arquipélago, e a razão pela qual metade da semana é passada aqui.
Dia 5: Vila Baleira e a praia
Visite a Casa Colombo na Vila Baleira, onde se diz que Cristóvão Colombo viveu depois de casar com Filipa Moniz, filha do primeiro capitão-donatário da ilha, por volta de 1479. Além desse ponto de interesse, o Porto Santo não pede uma lista de tarefas — o resto do dia é a própria praia.
uma caminhada guiada pela reserva da biosfera Unesco do Porto Santo
vale a pena incluir na manhã, se quiser contexto sobre a paisagem da ilha e os sistemas dunares antes de mudar para o modo praia à tarde.
Ao final da tarde, suba ao Pico do Facho para a melhor vista geral da ilha e da sua costa, idealmente ao pôr do sol.
Dia 6: passeio de barco e mar aberto
Passe a manhã dentro ou perto de água. Um curto passeio de barco mostra a costa e as falésias da ilha de um ângulo diferente, e a água ao largo do Porto Santo tende a ser mais calma e mais límpida do que as enseadas mais expostas à volta da própria Madeira.
um passeio de barco semirrígido à volta do Porto Santo
cobre a costa em cerca de duas horas e combina bem com uma tarde de regresso à areia.
Aproveite o resto do dia exatamente como fazem a maioria dos visitantes aqui — praia, almoço demorado e sem plano fixo. É esse o sentido de colocar o Porto Santo na segunda metade da semana, em vez de o espremer numa excursão de um único dia a partir da Madeira.
Dia 7: regresso e partida
Reserve a travessia de regresso para a manhã sempre que possível, já que isso deixa margem caso o ferry seja cancelado e seja preciso arranjar um voo em alternativa. De volta ao Funchal, aproveite as horas que restarem para compras de última hora na zona velha ou uma última caminhada pela promenade do Lido antes de seguir para o aeroporto da Madeira e o voo de regresso. Dada a reputação do aeroporto para atrasos relacionados com o vento, especialmente no inverno, vale a pena reservar algumas horas de folga em vez de apertar a ligação.
O que este roteiro deixa de fora
Deliberadamente, bastante coisa. A costa norte — Porto Moniz, São Vicente, Santana —, as levadas do Rabaçal e as rotas altas à volta do Pico do Arieiro e do Pico Ruivo ficam todas de fora, porque incluí-las significaria reduzir o Porto Santo a uma excursão apressada de um só dia, em vez da estadia a sério que aqui recebe. Os viajantes que quiserem a Madeira por inteiro, sem o Porto Santo, devem seguir o roteiro autónomo de uma semana na Madeira; quem quiser comparar as duas ilhas diretamente antes de se comprometer com uma semana dividida pode ler o guia dedicado Porto Santo versus Madeira, que explica o que cada lado da travessia realmente oferece.
Perguntas frequentes sobre o roteiro dividido Madeira e Porto Santo
O ferry para o Porto Santo é suficientemente fiável para planear em função dele?
Não completamente. A travessia da Porto Santo Line faz-se uma ou duas vezes por dia, consoante a época, mas é bastante cancelada por ondulação forte do Atlântico no inverno e pode ser afetada noutras alturas do ano também. Reserve a travessia de ida mas mantenha a data de regresso flexível, ou conte com o voo de 15 minutos como alternativa a sério, e não apenas como último recurso.
Porque apenas três ou quatro dias na Madeira, sendo a ilha maior?
Porque este roteiro troca deliberadamente profundidade na Madeira por uma estadia a sério no Porto Santo. Cobre bem o Funchal e o Monte, mas deixa de fora por completo a costa norte, as levadas do Rabaçal e as rotas de alta montanha à volta do Pico do Arieiro. Quem quiser a ilha por inteiro, sem o Porto Santo, deve seguir antes o roteiro de uma semana dedicado só à Madeira.
A praia do Porto Santo é mesmo nove quilómetros de areia contínua?
Sim. A costa sul do Porto Santo tem uma extensão ininterrupta de areia dourada de cerca de nove quilómetros, o que é raro no arquipélago, já que a própria Madeira quase não tem praias de areia natural.
É preciso alugar carro nas duas ilhas?
Na Madeira, sim, para o Monte e a costa leste, para além do centro do Funchal, bem servido por autocarro. No Porto Santo, não: a ilha é suficientemente pequena para se percorrer de bicicleta, scooter ou a pé, e a maioria dos visitantes deixa o carro de lado nesses dias.
Quanta bagagem se pode levar no ferry ou no voo para o Porto Santo?
Tanto o ferry como o voo curto aceitam bagagem normal de férias sem problema, embora o voo tenha os limites de peso habituais de aeronaves pequenas, por isso vale a pena verificar a franquia de bagagem da companhia aérea antes de reservar, se viajar com mais de uma mala por pessoa.
O carro de cesto do Monte é uma forma de descer de volta ao Funchal?
Não. O carro de cesto de vime, conduzido por dois carreiros, só faz o percurso do Monte até ao Livramento, a poucos quilómetros do centro da cidade. Do Livramento é preciso apanhar táxi ou autocarro para terminar o trajeto até ao Funchal.
Qual é a melhor ordem: primeiro a Madeira ou primeiro o Porto Santo?
Primeiro a Madeira funciona melhor em termos logísticos, já que o aeroporto do Funchal é a principal porta de entrada internacional, e o Porto Santo é mais fácil de tratar como um final relaxante antes de regressar a casa a partir da Madeira no fim da semana.
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