5 Dias na Madeira Sem Carro
Como é, na realidade, cinco dias sem carro
A Madeira é uma ilha pensada primeiro para o carro. A rede de estradas foi construída para levar pessoas por cima de um vulcão, não para cumprir um horário de autocarros, e as duas coisas não são o mesmo. Os Horários do Funchal cobrem bem a capital e a costa próxima; a SAM segue para leste em direção a Machico; a Rodoeste vai para oeste e a EACL serve o norte — mas as três existem para ligar as vilas entre si, não para deixar caminhantes num trilho a meio de um porto de montanha. Esse é o ponto de partida honesto deste itinerário.
Por isso, este plano de cinco dias faz o que a maioria dos guias da Madeira não faz: escolhe um caminho e mantém-se nele. Constrói uma viagem completa e satisfatória à volta do Funchal, do Monte, de Câmara de Lobos e de Machico — todos alcançáveis de autocarro, teleférico ou excursão reservada com motorista — e deixa deliberadamente de fora a costa norte, as levadas do Rabaçal, o Pico do Arieiro e o Porto Santo.
Esses lugares exigem um carro alugado ou, no mínimo, uma excursão organizada de dia inteiro com transporte próprio incluído. Se os quiser incluir, veja um itinerário que já pressupõe conduzir na Madeira, como a nossa semana de caminhadas — não este, que não vale a pena encher de indicações de transporte público que o deixariam a pé.
Dia 1: Chegada e a zona velha
Chegue ao Aeroporto da Madeira e apanhe o Aerobus ou um táxi até ao Funchal — não há autocarro local que sirva bem os voos, e depois de um dia longo de viagem esta é a única despesa que vale mesmo a pena assumir sem hesitar. Depois de se instalar, passe a tarde a pé na Zona Velha, a malha de ruas estreitas da cidade antiga que sobe a partir do porto. A Rua de Santa Maria é a espinha dorsal: dezenas de portas pintadas à mão, um projeto em curso desde 2010, e a maior concentração de restaurantes da ilha para a noite.
Desça até à marina e caminhe pela promenade do Lido se ainda houver luz do dia, e volte depois para jantar na zona velha — é aqui que a espetada, carne espetada num pau de louro e servida pendurada num suporte à mesa, é feita como deve ser. Não planeie mais nada para o primeiro dia; o jet lag e um dia inteiro de viagem tornam este início deliberadamente calmo, e o Funchal recompensa mais as noites tranquilas do que as apressadas.
Dia 2: O Funchal a pé
Este é o dia de que todo o itinerário depende, porque o Funchal tem genuinamente o suficiente para o preencher sem que uma roda gire. Comece cedo no Mercado dos Lavradores, o mercado Art Déco dos anos 1940 — flores e fruta tropical no piso térreo, o pavilhão do peixe no andar de cima, onde verá o espada, o peixe-espada-preto pescado a grande profundidade e quase impossível de encontrar nos menus fora da Madeira. Uma coisa que vale a pena saber antes de ir: alguns vendedores de fruta oferecem provas grátis e depois cobram ao peso pelo que não pediu para comprar. Sorria, diga que não, e compre apenas o que tiver preço à vista.
A partir do mercado, é uma manhã que se faz a pé pelo centro: a sé catedral, a marina, o Blandy’s Wine Lodge para uma prova de vinho da Madeira se lhe interessar, e o Jardim Botânico, situado numa encosta acima da cidade e alcançável pelo autocarro local 31. Se preferir ter a história e as provas explicadas em vez de descobri-las por conta própria, um passeio guiado percorre bem a zona velha em cerca de duas horas e inclui várias paragens para provar mesmo aquilo pelo qual o Funchal é conhecido:
um passeio guiado pelo Funchal com provas de comida e vinho incluídas
À tarde, suba de teleférico até ao Monte — veja o Dia 3 para o relato completo — ou, se preferir dividir isto por dois dias, guarde o Monte e passe antes a tarde na Quinta do Palheiro Ferreiro, uma propriedade-jardim distinta do jardim botânico e fácil de confundir com ele, servida pelos autocarros 36/37 a partir do centro.
Dia 3: O Monte de teleférico
O teleférico do Funchal, em funcionamento desde 2000, é a melhor peça de infraestrutura pública para um visitante sem carro em toda a ilha. Parte da zona velha, sobe cerca de 560 metros em cerca de 15 minutos, e deixa-o no Monte com vistas sobre a baía que nenhuma subida de estrada pela mesma encosta lhe daria. Reserve o primeiro horário que conseguir — as filas crescem depressa a meio da manhã em época alta.
No topo, vale a pena subir os degraus até à Igreja de Nossa Senhora do Monte — o Imperador Carlos I da Áustria, que morreu no exílio na Madeira em 1922, está sepultado no seu interior — e o Monte Palace Tropical Garden ao lado é um dos melhores jardins da ilha, construído à volta de um antigo palácio, com lagos de carpas koi, painéis de azulejos e plantação em socalcos pela encosta abaixo.
Depois, o passeio de que todos já ouviram falar: o carro de cesto. Dois carreiros vestidos de branco com chapéu de palha empurram um cesto de vime sobre patins de madeira ao longo de cerca de dois quilómetros de rua calcetada até ao Livramento — uma tradição em curso desde 1850, e genuinamente divertida durante uns minutos. A única coisa que convém ter clara: não é transporte. O percurso termina no Livramento, não de volta ao centro do Funchal, e a partir daí vai precisar de um táxi ou de autocarro para regressar — conte com essa despesa em vez de assumir que o carro de cesto o leva a casa.
Regresse ao Funchal de teleférico ao final da tarde e use a noite para o que ficou por ver na zona velha no Dia 2.
Dia 4: Câmara de Lobos e a orla oeste
Câmara de Lobos é uma vila piscatória em atividade, a uma curta viagem de autocarro a oeste do Funchal — Winston Churchill pintou aqui em 1950, e o porto com os seus barcos pintados de cores vivas continua a ter o aspeto do postal ilustrado da cena. É também aqui que a poncha, a bebida da ilha feita com rum, mel e limão mexida com o caralhinho de madeira, é mais autêntica: uma fila de pequenos bares à beira-mar dedicam-se quase só a isso.
O senão para um visitante sem carro é que Câmara de Lobos, por si só, é no máximo meio dia, e a verdadeira recompensa ali perto — o Cabo Girão, uma falésia de cerca de 580 metros com um miradouro de piso de vidro, uma das falésias marítimas mais altas da Europa — é incómodo de alcançar de autocarro e não é algo a tentar com uma ligação de transporte público apertada. É neste ponto do itinerário que compensa gastar numa excursão organizada em vez de forçar um horário de autocarros a fazer algo para que não foi pensado. Um passeio de cabriolet, de teto aberto, cobre exatamente este troço da costa numa tarde reservada:
um passeio de cabriolet de teto aberto que inclui o miradouro do Cabo Girão e Câmara de Lobos numa única tarde
Se preferir manter-se totalmente independente e dispensar o miradouro, apanhe o autocarro local para Câmara de Lobos de manhã, caminhe pelo porto e almoce ali, e use o autocarro de regresso ao Funchal para uma tarde mais fácil e mais barata na zona velha. Ambas as versões funcionam; apenas não conte alcançar o Cabo Girão de autocarro e voltar dentro de uma única tarde, porque as ligações não se encaixam para isso.
Dia 5: Machico e o leste
Machico é onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez na Madeira, em 1419, e é a excursão de um dia mais fácil deste itinerário — o autocarro da SAM segue diretamente do Funchal até à vila, e o próprio trajeto, ao longo do corredor da VR1 com a sua sucessão de túneis costeiros, é rápido em comparação com a maioria das viagens de costa a costa por aqui.
Machico tem um verdadeiro centro histórico, uma fortaleza, e uma praia cuja verdade vale a pena conhecer antes de chegar: a areia dourada é importada, colocada em 2008, não uma característica natural deste troço de costa. Diga isto a quem viaje consigo antes que se pergunte por que razão uma ilha de areia negra tem de repente uma praia dourada — poupa a conversa desconfortável na areia.
Se o horário dos autocarros permitir, o Caniçal um pouco mais a leste tem o Museu da Baleia, no antigo porto baleeiro — a Madeira caçou baleias até tão recentemente quanto 1981, e o museu não suaviza essa história, o que o torna um dos pequenos museus mais substanciais da ilha.
Para viajantes que preferem não gerir duas mudanças de autocarro e um horário de regresso no último dia completo, uma caminhada guiada ou uma excursão em pequeno grupo a partir do Funchal chega a território semelhante com um motorista a tratar da logística:
uma caminhada guiada em pequeno grupo que trata do transporte e do planeamento do percurso por si
Regresse ao Funchal para uma última noite — esta é a noite para voltar ao restaurante da zona velha de que mais gostou no Dia 1, em vez de arriscar num novo com um voo na manhã seguinte.
O que este itinerário sacrifica, e porquê
Seja honesto consigo mesmo antes de reservar os voos: um orçamento sem carro na Madeira não é uma versão mais pequena da mesma viagem que todos os outros fazem — fecha, à partida, cerca de metade das principais atrações da ilha.
A costa norte (as piscinas de lava do Porto Moniz, o Seixal, São Vicente), a rede de levadas do Rabaçal, a floresta de louro enevoada do Fanal, o Pico do Arieiro e a travessia até ao Pico Ruivo, e o Porto Santo ficam todos fora do alcance dos autocarros, porque os Horários do Funchal, a SAM, a Rodoeste e a EACL existem para ligar vilas entre si, não para servir trilhos em portos de montanha ou um terminal de ferry com um horário de navegação pouco fiável.
Se alguma dessas razões é o motivo por que vem à Madeira, este não é o itinerário para si, e nenhuma leitura habilidosa de horários de autocarro muda isso — precisaria de um carro alugado ou de uma série de excursões reservadas com transporte próprio, o que é um orçamento diferente e uma viagem diferente. Para essa versão, comece por como andar sem carro e compare-o honestamente com o aluguer de carro na Madeira antes de decidir.
O que ganha, feito como deve ser em vez de apressado, é uma verdadeira semana de Funchal, um passeio de teleférico genuinamente excelente, uma das melhores pequenas vilas da ilha em Câmara de Lobos, e o local da própria descoberta da Madeira em Machico — tudo isto sem nunca ter de negociar um balcão de aluguer de carros ou uma curva apertada de montanha.
Orçamento para cinco dias sem carro
| Item | Custo típico por pessoa |
|---|---|
| Transfer do aeroporto (Aerobus ou táxi, ida) | €5–20 |
| Teleférico do Funchal, ida e volta | ~€15–17 |
| Carro de cesto de vime (ida, até ao Livramento) | ~€30 por cesto, partilhado entre 2–3 pessoas |
| Bilhete de autocarro local (simples) | €2–3 |
| Autocarro da SAM até Machico, ida e volta | ~€10 |
| Passeio guiado ou excursão (por atividade) | €35–75 |
| Refeição noturna, gama média | €15–25 |
Um dia frugal mas confortável ao longo deste itinerário fica próximo dos €40–60 por pessoa, antes do alojamento — visivelmente menos do que a versão com carro alugado, combustível e estacionamento para os mesmos cinco dias, que é o principal argumento financeiro para optar por não ter carro.
Perguntas frequentes sobre visitar a Madeira sem carro
É mesmo possível conhecer bem a Madeira sem alugar carro?
Não na totalidade. Consegue conhecer bem o Funchal, o Monte, Câmara de Lobos e Machico desta forma, mas a costa norte, o Rabaçal, o Pico do Arieiro e o Porto Santo ficam essencialmente inalcançáveis sem carro ou excursão reservada. Encare isto como uma viagem centrada no Funchal e na costa, não como uma versão compacta da ilha inteira.
Vale a pena o preço do teleférico do Monte?
Sim — é a melhor peça de infraestrutura de transporte da ilha para um visitante sem carro, subindo cerca de 560 metros a partir da zona velha em cerca de 15 minutos, com vistas sobre a baía durante toda a subida.
O carro de cesto de vime leva de volta ao Funchal?
Não. Os carreiros empurram o cesto cerca de dois quilómetros do Monte até ao Livramento, onde o percurso termina — não de volta ao centro do Funchal. Vai precisar de um táxi ou de um autocarro a partir do Livramento para regressar à cidade.
Como funcionam realmente os autocarros locais?
Os Horários do Funchal cobrem a capital e a costa próxima, a SAM segue para leste em direção a Machico, a Rodoeste vai para oeste e a EACL serve o norte. Ligam bem as vilas entre si; não chegam a trilhos de caminhada nem a miradouros de montanha, o que é a principal limitação para um visitante sem carro.
Posso fazer uma excursão de um dia ao Porto Santo sem carro?
Pode chegar ao Porto Santo sem carro — de ferry ou de voo curto — mas a própria ilha é mais fácil de percorrer com uma scooter ou carro alugado uma vez lá, e o ferry é regularmente cancelado por mau tempo no inverno. Não se encaixa confortavelmente neste plano de cinco dias sem carro; trate-o como uma viagem à parte.
O Pico do Arieiro é alcançável de autocarro?
Não. A estrada até ao Pico do Arieiro não é servida por autocarro público, e a subida ao nascer do sol em particular só funciona com carro ou uma excursão reservada que inclua o trajeto. É uma das razões mais claras pelas quais um itinerário de cinco dias sem carro tem de deixar de fora as montanhas altas.
Este itinerário é mais barato do que alugar carro?
Normalmente, sim, no dia a dia — os bilhetes de autocarro e do teleférico custam uma fração do aluguer de carro, do combustível e do estacionamento pago do Funchal. A contrapartida é a cobertura, não o custo: paga menos para ver menos da ilha, não encontrou uma forma escondida de ver tudo de graça.
Qual é a única coisa que vale mesmo a pena reservar com antecedência?
O teleférico do Funchal até ao Monte, se viajar em época alta — as filas crescem depressa a meio da manhã. Além disso, reserve qualquer excursão guiada a Câmara de Lobos ou ao Cabo Girão com um ou dois dias de antecedência em vez de o fazer na manhã em que quer ir.
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