Uma Semana de Sol de Inverno na Madeira: do Funchal a Calheta
Porque Ficar a Sul e em Baixa Altitude no Inverno
A Madeira no inverno é, na realidade, três climas numa só ilha, não um único. Suba ao Pico do Arieiro e pode estar perto de 0°C ao amanhecer; conduza até à costa norte, perto do Porto Moniz, e é provável encontrar nuvens e chuvisco; fique na faixa virada a sul entre o Funchal e Calheta e estará, normalmente, a 19-21°C em mangas curtas. Este roteiro foi construído inteiramente à volta dessa terceira opção.
Mantém-o deliberadamente ao nível do mar e na costa sul mais soalheira durante os sete dias, trocando os passeios pelas levadas e os nasceres do sol na montanha de uma semana centrada em caminhadas por jardins, ruas da zona velha, praias abrigadas e passeios de barco que funcionam independentemente do que as nuvens estejam a fazer sobre os picos.
Isto significa que Porto Moniz, Santana e o Pico do Arieiro ficam fora do plano de propósito, não por esquecimento — pertencem ao norte mais húmido e às zonas altas e frias, e uma semana de inverno não tem razão para lá subir. Se são as montanhas e as levadas que procura, o nosso Semana de Caminhadas na Madeira cobre bem esse terreno; este roteiro não tenta fazer as duas coisas.
Dia 1: Chegar e Instalar-se no Funchal
Aterre no Aeroporto da Madeira, em Santa Cruz, e siga para o Funchal, a capital da ilha e a base para toda esta semana. A posição do Funchal junto ao porto dá-lhe o clima mais ameno e abrigado da ilha, razão pela qual serve de âncora a um roteiro de sol de inverno em vez de uma base mais no interior.
Passe a tarde a instalar-se pela Zona Velha do Funchal, com as suas ruas de portas pintadas, antes de um jantar cedo. Se o jet lag ou um voo tardio lhe tiraram o dia, não há problema — este roteiro não tem horários fixos no primeiro dia além de chegar e orientar-se.
Dia 2: A Cidade do Funchal e as Colinas Acima
Um dia inteiro na e à volta da capital. Comece no Mercado dos Lavradores, o mercado art déco dos anos 1940 onde as bancadas de peixe-espada preto ficam sob pisos de fruta tropical — vale a pena ver mesmo sem comprar, embora convenha ter cuidado com as bancas de degustação de fruta que depois cobram ao peso.
Dali, suba de teleférico até ao Monte, uma subida curta acima da cidade e não uma excursão à montanha, para os jardins e a vista sobre a Baía do Funchal. Na descida, o carro de cesto de vime é um passeio curioso, não um transporte — para a meio caminho, em Livramento, pelo que ainda vai precisar de táxi ou autocarro para voltar à cidade.
Termine o dia com um passeio guiado pela cidade:
um tour guiado a pé pelo Funchal, com provas de comida e vinho locais ao longo do percurso
é uma forma descontraída de conhecer a história da zona velha sem ter de a pesquisar sozinho.
Dia 3: Câmara de Lobos e o Cabo Girão
Siga para oeste ao longo da costa até Câmara de Lobos, a vila piscatória onde Winston Churchill costumava pintar, e ainda hoje o melhor lugar da ilha para uma boa poncha num bar junto ao porto.
Uma pequena distância mais adiante fica o Cabo Girão, uma das falésias marítimas mais altas da Europa, com cerca de 580 m, e um skywalk de piso de vidro gratuito sobre o precipício. É uma paragem impressionante e — ao contrário dos picos de montanha que este roteiro evita — é uma vista de cinco minutos, não uma subida, pelo que se encaixa num dia de inverno tranquilo sem preocupações de altitude.
Regresse ao Funchal para a noite ou, para variar, passe a tarde no mar:
um passeio guiado pelo parque ecológico do Funchal
é uma alternativa mais suave e curta, se preferir ficar mais perto de espaços verdes do que de falésias hoje.
Dia 4: Para Oeste até Calheta e Ponta do Sol
Hoje o roteiro segue mais para oeste, para o canto mais soalheiro e seco da costa sul. A primeira paragem é Ponta do Sol, uma vila de encosta íngreme que reivindica o maior número de horas de sol da ilha — o seu nome significa literalmente isso, e no inverno essa reputação faz-se valer.
Continue até Calheta e à sua praia de areia dourada importada, a Praia da Calheta, a resposta da Madeira a uma baía própria para nadar, em vez do cascalho vulcânico preto encontrado noutras zonas. Vale a pena saber que a areia foi trazida de Marrocos, e não é natural da costa — isso não torna a praia menos agradável, mas não é o aspeto de Atlântico selvagem que alguns visitantes esperam.
Para uma tarde no mar,
um passeio privado a bordo do barco de luxo Aestus, a partir de Calheta
oferece uma alternativa mais quente e calma às águas mais agitadas mais a leste, com vista para as falésias da costa oeste a partir do mar.
Dia 5: Madalena do Mar, Jardim do Mar e uma Caminhada Opcional à Cascata
Continue a explorar o extremo oeste a um ritmo tranquilo: Madalena do Mar e o Jardim do Mar são vilas pequenas e sossegadas, espremidas entre a falésia e o mar, ambas com uma hora de passeio e um café que valem a pena, sem ser um dia inteiro de plano. O Paul do Mar, no extremo ocidental, é o principal ponto de surf da Madeira, interessante para observar mesmo sem entrar na água.
Se quiser fazer uma caminhada a sério esta semana sem ir a norte nem ganhar altitude a sério, este é o dia certo. As 25 Fontes e a cascata do Risco situam-se no interior a partir de Calheta, no Rabaçal, a que se chega por vaivém a partir do parque de estacionamento, já que a estrada de acesso está fechada a carros particulares. É uma verdadeira caminhada por levada, com uma taxa de acesso ao trilho a sério — os trilhos oficiais da Madeira são, desde agosto de 2021, percursos pagos e sujeitos a reserva, por isso não conte simplesmente aparecer.
um tour guiado às 25 Fontes e à cascata do Risco a partir de Calheta
trata da logística, das autorizações e do vaivém numa única reserva, sendo a forma mais fácil de encaixar esta caminhada numa semana, de resto, tranquila. Se preferir não caminhar de todo, basta passar um segundo dia à volta da praia e das vilas de Calheta — nada mais neste roteiro depende disso.
Dia 6: Para Leste até Machico e à Ponta de São Lourenço
Atravesse de novo o Funchal e continue para leste até Machico, o local do primeiro desembarque na Madeira em 1419, e hoje também uma praia de areia dourada importada — tal como a de Calheta, trazida de fora e não natural, o que vale a pena mencionar antes que alguém imagine uma enseada selvagem.
A partir de Machico, a península da Ponta de São Lourenço é a paisagem mais seca e exposta da ilha: falésias nuas em tons de vermelho e ocre, sem qualquer sombra, o que na prática a torna uma boa caminhada de inverno, quando o sol é bem-vindo em vez de algo a evitar. um tour guiado de caminhada até ao extremo oriental, na Ponta de São Lourenço é a forma mais simples de o fazer sem se preocupar com o vento, os horários ou a falta de qualquer abrigo ao longo do percurso.
No regresso, Santa Cruz, perto do aeroporto, e o Caniço são, ambos, boas paragens para um café antes de voltar ao Funchal para a noite.
Dia 7: Funchal, com Calma, e Partida
Um último dia sem plano fixo. Reviva o que mais lhe chamou a atenção ao longo da semana — o mercado, os restaurantes da zona velha, uma prova de vinhos — ou simplesmente sente-se junto à marina, com o mar a uma temperatura confortável de 19-20°C mesmo em janeiro. Se o voo for à tarde, há tempo de sobra para mais um café na zona velha antes de seguir para o aeroporto.
Planear Esta Semana
| Costa sul (este roteiro) | Costa norte | Picos altos | |
|---|---|---|---|
| Temperatura diurna típica no inverno | 19-21°C | Vários graus mais fria, muitas vezes com nuvens | Perto ou abaixo de 0°C ao amanhecer |
| Precipitação no inverno | A mais baixa da ilha | A mais alta da ilha | Frequente, por vezes com neve |
| O que este roteiro cobre | Todos os 7 dias | Não incluído | Não incluído |
| Dia | Foco | Atividade guiada opcional | |
| 1 | Chegada, Funchal | — | |
| 2 | Funchal, Monte | Tour a pé pelo Funchal com provas | |
| 3 | Câmara de Lobos, Cabo Girão | Caminhada guiada no parque ecológico | |
| 4 | Ponta do Sol, Calheta | Passeio privado de barco Aestus | |
| 5 | Vilas da costa oeste | Tour guiado às 25 Fontes e Risco | |
| 6 | Machico, Ponta de São Lourenço | Caminhada guiada ao extremo oriental | |
| 7 | Funchal, partida | — |
Um carro torna este roteiro consideravelmente mais fácil, já que a via rápida VR1 mantém os trajetos Funchal-Calheta e Funchal-Machico abaixo de uma hora, apesar da distância. Sem carro, fique baseado no Funchal e use excursões de um dia para a costa oeste e o extremo oriental — veja o nosso guia sobre como circular sem carro para as opções realistas. Para uma visão sazonal mais ampla por detrás deste roteiro, A Madeira no Inverno e norte versus sul da Madeira aprofundam por que razão as duas costas se comportam de forma tão diferente nesta época do ano.
Semana de Sol de Inverno na Madeira: As Suas Perguntas Respondidas
Até que ponto está quente a Madeira no inverno, na realidade?
Não há uma única resposta, e é precisamente esse o ponto deste roteiro. A costa sul, em torno do Funchal e de Calheta, costuma rondar os 19-21°C durante o dia em dezembro e janeiro, com o Atlântico por volta dos 19-20°C. A costa norte fica vários graus mais fria e húmida, e os picos das montanhas acima dos 1.500 m podem estar perto de zero na mesma tarde.
Preciso de alugar um carro para este roteiro?
Ajuda bastante. A via rápida VR1 liga o Funchal a Calheta e a Machico rapidamente através de túneis, e um carro permite definir o seu próprio ritmo entre praias e vilas. Não é essencial se preferir ficar hospedado no Funchal e fazer excursões de um dia para a costa oeste e leste.
Este roteiro é adequado para quem não quer caminhar?
Sim. Todos os dias aqui podem ser feitos como um dia de passeio e visitas, sem ser uma caminhada a sério. O único trilho opcional, as 25 Fontes e a cascata do Risco, é oferecido como excursão guiada e pode ser dispensado sem quebrar o roteiro.
Porque é que este roteiro dispensa o Porto Moniz, Santana e o Pico do Arieiro?
Esses três lugares situam-se na costa norte mais húmida ou em altitude, exatamente onde este formato de sol de inverno foi pensado para evitar. Se os quiser incluir, pertencem a outra semana; consulte o nosso roteiro dedicado a caminhadas.
As praias de Calheta e Machico são naturais?
Não, e vale a pena saber antes de ir. Ambas têm areia dourada importada, colocada sobre o cascalho vulcânico natural, o que explica por que são calmas, pouco profundas e boas para nadar, em vez de oferecerem uma experiência de praia atlântica selvagem.
Qual é o melhor mês de inverno para este roteiro?
De dezembro a fevereiro funcionam todos bem, embora dezembro seja claramente mais concorrido e mais caro devido ao fogo de artifício de Ano Novo no Funchal. Janeiro e fevereiro oferecem as mesmas temperaturas na costa sul, com mais disponibilidade e preços de hotel mais baixos.
Chove na costa sul no inverno?
Menos do que se poderia esperar, mas não nunca. O Funchal e Calheta estão na sombra pluviométrica da ilha, pelo que os períodos secos e soalheiros são a norma; um dia de chuva é mais motivo para explorar os mercados e as caves de vinho do Funchal do que para cancelar planos.
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