Uma Semana na Madeira para Primeira Visita: O Roteiro Tranquilo
Para quem é esta semana
Este é o roteiro para uma primeira visita à Madeira que não depende de caminhos à beira de precipícios, túneis sem iluminação nem um despertador às 4 da manhã para uma caminhada até ao cume. Usa um carro alugado para chegar às vistas e aldeias emblemáticas da ilha, mantém cada dia com uma quantidade razoável de condução e troca todos os percursos “técnicos” pelo seu equivalente fácil, acessível de carro.
Se quiser a rede completa de levadas e a travessia PR1 do Pico do Arieiro até ao Pico Ruivo, consulte antes o nosso roteiro de uma semana de caminhadas — este percurso sacrifica deliberadamente isso em troca de conforto. O Porto Santo também fica de fora, partindo do princípio de que sete dias já são justos para a ilha principal sozinha; veja Porto Santo versus Madeira se estiver a ponderar acrescentá-lo.
Vai precisar de um carro alugado durante toda a semana — pequeno, não grande, dada a estreiteza e a inclinação de algumas estradas costeiras. Fique alojado no Funchal durante toda a estadia; nada neste roteiro exige mudar de hotel.
Dia 1: Instalar-se no Funchal
Chegue, levante o carro e faça o menos possível no primeiro dia — a Madeira recompensa um início tranquilo. Percorra a zona velha, a Zona Velha, onde dezenas de portas ao longo da Rua de Santa Maria foram repintadas por artistas locais e visitantes desde 2010. Jante na zona velha em vez da faixa da marina; é ali que a noite realmente acontece.
Se chegar com energia de sobra, o Mercado dos Lavradores vale a pena ver mesmo fora do horário de funcionamento pelo seu invólucro Art Déco dos anos 1940. Se for enquanto está aberto, tenha cuidado com os vendedores de fruta que oferecem uma prova grátis e depois pesam e cobram pelo que provou — um truque bem conhecido, não uma pechincha.
Dia 2: O Funchal por completo — Monte e os jardins
Passe o segundo dia inteiramente na zona do Funchal, sem precisar de carro. Suba de teleférico da zona velha até ao Monte — cerca de quinze minutos e 560 metros de subida, com o porto a desaparecer atrás de si. No topo, visite a igreja de Nossa Senhora do Monte, onde está sepultado o último imperador austro-húngaro, Carlos I, que morreu no exílio na Madeira em 1922, e passeie pelo Monte Palace Tropical Garden.
Mais abaixo, o carro de cesto é o passeio que toda a gente fotografa: dois carreiros de branco e chapéu de palha empurram um trenó de vime sobre patins de madeira ao longo de cerca de dois quilómetros até ao Livramento, uma tradição que remonta a 1850. Note antes de entrar na fila que isto não é uma forma de regressar ao Funchal — o percurso termina a meio caminho, e vai precisar de um táxi ou autocarro a partir daí, não de uma boleia até casa. Leia os pormenores no nosso guia do teleférico e do carro de cesto do Monte antes de ir.
À tarde, escolha entre o Jardim Botânico e a Quinta do Palheiro Ferreiro — são dois jardins distintos, muitas vezes confundidos, e ambos são fáceis de visitar em meio dia sem carro.
Dia 3: A costa sul e o Cabo Girão
Hoje é um percurso curto e espetacular, não longo. Siga para oeste ao longo da costa até Câmara de Lobos, a vila piscatória que Winston Churchill pintou em 1950, e depois até ao Cabo Girão: uma falésia de cerca de 580 metros, entre as mais altas da Europa junto ao mar, com um skywalk gratuito de piso de vidro inaugurado em 2012. Reserve uma manhã livre para visitar antes de chegarem os grupos de autocarro.
Para provar os famosos canais de irrigação da ilha sem qualquer exposição, reserve uma versão suave e guiada em vez de um percurso a solo. Esta opção de meio dia percorre um troço nivelado e fácil de levada perto das falésias, com um guia a orientar o caminho —
um passeio privado guiado pela levada em torno do Cabo Girão e de Ribeira Brava
— e é uma introdução bem mais suave do que enfrentar sozinho um trilho PR oficial. Termine o dia em Ribeira Brava, uma vila de trabalho e não de veraneio, boa para um almoço tardio.
Dia 4: O Pico do Arieiro de carro — o miradouro, não a caminhada
Este é o dia em que mais importa ser preciso sobre o que se está a fazer. Uma estrada asfaltada sobe até ao parque de estacionamento do Pico do Arieiro, a 1.818 metros de altitude — o terceiro pico mais alto da Madeira e o único a que uma estrada realmente chega. Do parque de estacionamento, uma pequena área de observação pavimentada oferece um enorme panorama, muitas vezes acima de uma camada de nuvens, praticamente sem esforço.
Trata-se de uma tarefa completamente diferente do trilho PR1 que continua a partir do mesmo parque de estacionamento até ao Pico Ruivo: cerca de sete quilómetros só de ida, três túneis sem iluminação, escadarias talhadas em basalto e três a quatro horas de caminho exposto e estreito, em cada sentido. A placa de início do trilho fica a metros de onde vai estacionar o carro, e todos os anos há visitantes que vieram pela vista e acabam por seguir pelo trilho de ténis, sem água nem lanterna. Fique pelo miradouro. Se uma jornada de montanha assim lhe interessar numa futura viagem, o nosso guia do PR1 do Arieiro ao Pico Ruivo explica o que realmente exige.
Leve sempre uma camada extra — está frequentemente perto de zero graus no parque de estacionamento do cume de manhã cedo, mesmo quando o Funchal regista uns amenos 18-19 °C mais abaixo. No caminho de regresso, pare em Ribeiro Frio: o curto e plano trajeto até ao miradouro das Balcões é um dos poucos caminhos junto a levadas genuinamente fáceis, largos e curtos o suficiente para contar como um passeio, e oferece uma das melhores vistas do maciço central com quase nenhum esforço.
Se preferir deixar um guia conduzir um passeio mais longo e sombreado por um vale, noutro dia, a
caminhada guiada pelo Parque Ecológico do Funchal
é uma alternativa mais suave e arborizada, perto da mesma estrada que sobe até aos picos.
Dia 5: Santana e as aldeias da costa norte
Siga para norte, até Santana, para ver as casas de colmo — pequenas, triangulares, pintadas de vermelho, branco e azul. Três, no centro da vila, estão abertas a visitas; são reconstruções mantidas e não casas habitadas, o que vale a pena saber antes de procurar um povoado inteiro delas. O nosso guia das casas de colmo de Santana indica quais visitar e quanto tempo reservar.
Perto dali, o parque das Queimadas e as suas casas de colmo fazem uma paragem fácil e curta — vale o desvio só pelo cenário, sem prosseguir para a longa caminhada de levada que começa ali (essa segue até à cascata do Caldeirão Verde e é uma séria caminhada de meio dia, fora deste roteiro). Regresse ao Funchal passando por Faial e Porto da Cruz, pela estrada da costa, para uma mudança de paisagem em relação às aldeias de montanha do dia.
Dia 6: Porto Moniz e a selvagem costa oeste
Este é o dia de condução mais longo da semana, por isso comece cedo. A caminho de Porto Moniz, pare onde a estrada permitir, na vertente norte da Madeira — é o lado verde e húmido da ilha, um verdadeiro contraste com o sol do Funchal. Em Porto Moniz, a grande atração são as piscinas naturais vulcânicas: água do mar retida em rocha vulcânica, renovada pela maré, dividida entre uma secção paga e mantida, com balneários, e uma secção livre e mais selvagem. A ondulação de norte encerra-as com alguma frequência, por isso confirme as condições antes de contar nadar.
Em vez de conduzir sozinho toda a volta pela costa oeste num dia em que já vai cansado, um 4x4 guiado percorre-a com conforto:
um tour de 4x4 pela costa norte que inclui Porto Moniz
assume a condução nos troços mais apertados da estrada.
Se preferir ver mais do oeste numa só saída — a aldeia de areia negra de Seixal e a floresta ancestral envolta em nevoeiro do Fanal —
um tour de 4x4 pela costa oeste que liga Porto Moniz, Seixal e Fanal
é a forma mais fácil de encaixar os três num único dia. Vale a pena saber antes de ir: as célebres tis retorcidas do Fanal só são atmosféricas quando a névoa desce — num dia limpo é um planalto bastante comum.
Dia 7: Curral das Freiras e um fecho tranquilo
Guarde o dia mais fácil para o fim, sobretudo se for embarcar. Uma curta viagem para o interior leva ao miradouro da Eira do Serrado, com vista direta sobre a bacia vulcânica que abriga o Curral das Freiras, o “Vale das Freiras” — vale o desvio só pela vista, com um café e uma prova das especialidades de castanha do vale se tiver tempo para descer.
De volta ao Funchal, passe o resto do dia num ritmo tranquilo: uma prova de vinho na Blandy’s Wine Lodge, no centro da cidade, é uma forma adequada de encerrar a semana, e a zona da marina é um local calmo para um último jantar. Se o seu voo partir do aeroporto Cristiano Ronaldo, em Santa Cruz, reserve mais tempo do que a distância sugere para lá chegar — a aproximação é notoriamente exposta ao vento, e atrasos e desvios para o Porto Santo ou Las Palmas acontecem, sobretudo no inverno.
Notas de planeamento para este roteiro
| Dia | Foco | Condução |
|---|---|---|
| 1 | Zona velha do Funchal, chegada | Nenhuma |
| 2 | Monte, teleférico, jardins | Nenhuma |
| 3 | Câmara de Lobos, Cabo Girão, Ribeira Brava | Curta |
| 4 | Miradouro do Pico do Arieiro, Ribeiro Frio | Moderada |
| 5 | Santana, Queimadas, costa norte | Moderada |
| 6 | Porto Moniz, costa oeste | Longa |
| 7 | Curral das Freiras, Funchal | Curta |
Um único carro pequeno alugado para a semana, uns dois meios-dias guiados e um hotel ou apartamento de gama média no Funchal mantêm este roteiro dentro do orçamento diário médio habitual da ilha, sem entrar nos custos de uma viagem centrada em caminhadas, com licenças e equipamento. Veja a Madeira com orçamento reduzido para uma análise mais completa, e o tempo na montanha e o que vestir antes do quarto dia, já que o parque de estacionamento do cume é bem mais frio do que a costa.
Perguntas frequentes: planear uma semana tranquila de primeira visita à Madeira
Uma semana chega para conhecer a Madeira numa primeira visita?
Sim, para uma primeira visita organizada em torno da condução e não das caminhadas. Uma semana dá um dia tranquilo por cada área principal — Funchal, a costa sul, os picos por estrada, o norte e o oeste — sem as viagens longas e cansativas que uma estadia mais curta obrigaria.
Preciso de carro para este roteiro?
Para a maior parte, sim. Os dias 1 e 2 funcionam inteiramente a pé e de teleférico no Funchal, mas o Cabo Girão, o Pico do Arieiro, Santana e Porto Moniz ficam todos bem fora da cidade e são pouco práticos de ligar por autocarro num único dia cada um.
O miradouro do Pico do Arieiro é o mesmo que a caminhada até ao Pico Ruivo?
Não, e esta é a confusão mais comum na ilha. O miradouro no parque de estacionamento é uma paragem curta, pavimentada e sem esforço, alcançada inteiramente por estrada. O trilho PR1 que começa no mesmo parque de estacionamento e continua até ao Pico Ruivo é uma caminhada exigente, exposta, de três a quatro horas, através de túneis sem iluminação — uma tarefa completamente diferente, não uma extensão da vista.
O skywalk do Cabo Girão é gratuito?
Sim. A plataforma de observação de piso de vidro no Cabo Girão não tem qualquer custo de entrada, ao contrário dos trilhos PR oficiais da Madeira, que exigem uma licença paga e pré-reservada desde agosto de 2021.
Consigo fazer este roteiro sem qualquer caminhada de levada?
Quase por completo. A única paragem junto a uma levada é o curto e plano caminho até ao miradouro das Balcões, a partir de Ribeiro Frio, que é dos percursos mais fáceis deste tipo. Tudo o resto neste roteiro alcança-se por estrada ou teleférico.
Qual a melhor altura do ano para este roteiro fácil?
A Madeira funciona bem para este tipo de viagem durante quase todo o ano, já que nenhum dos dias depende das condições dos trilhos. O inverno traz um tempo mais fresco e húmido na costa norte e um Pico do Arieiro mais frio; veja a Madeira no inverno e a melhor altura para visitar a Madeira para o pormenor sazonal.
Devo acrescentar o Porto Santo a esta viagem?
Não, neste calendário. Chegar ao Porto Santo exige uma travessia de ferry de cerca de duas horas e quinze minutos, ou um curto voo, e uma visita que valha a pena precisa de pelo menos um dia inteiro de qualquer das formas — melhor acrescentado como um oitavo dia do que espremido dentro deste roteiro.
O que não devo saltar neste roteiro, mesmo que o tempo escasseie?
O Cabo Girão e o miradouro do Pico do Arieiro são as duas paragens que mais definem a Madeira numa única imagem — a falésia sobre o mar e a estrada do cume — por isso, se for preciso cortar um dia, corte primeiro o Curral das Freiras ou a segunda metade da volta pela costa oeste.
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